37'- put me in my place

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🎵 I guess what hurt me most of all
you were playing with my heart

boa leitura!

◾️Dulce◾️

— O que é isso? — questiono num fio de voz, morrendo de medo do rumo dessa conversa. — Você é dono da gravadora?

— Não. Eu sou um dos sócios.

— Você... — levo meus dedos à lateral da minha testa, massageando de leve ao sentir que uma dor de cabeça irá começar. — Eu disse pra você que queria fazer isso sozinha.

— E você fez. — cruza as mãos sobre a mesa. — Realmente, a única coisa que consegui pra você foi a sua audição. Deixei claro para os produtores que só deveriam te escolher se te achassem realmente boa.

— E eles não se sentiram intimidados por você em nenhum momento? — olho para ele desconfiada.

— Como eu disse, Dulce, não sou dono da gravadora, sou um colaborador. Tenho algumas regalias, é verdade, mas não os intimido a ponto de fazerem o contrário do que eu peço por acharem que eu vou me sentir mais contente assim.

— E por que não me contou? — questiono totalmente confusa.

— Porque eu queria te surpreender.

— Bom, você conseguiu. — solto um suspiro. — Mas eu não gostei disso.

— Não quer ver o seu contrato? — ele aponta para o documento solitário à sua frente.

Me aproximo a passos desconfiados e leio o que está na primeira página sem tocar no papel. São cláusulas comuns, mas talvez tenha algo a mais no restante do texto.

— Tem alguma exigência aqui que pode ser complicada, não é?

— Tem uma exigência sim, mas ela não está descrita aí.

— Como assim? Do que se trata?

Ele levanta da cadeira e caminha até ficar de frente para a vista do outro lado da vidraça. Noto seus ombros se erguerem sutilmente quando ele respira fundo e devagar. Por um breve momento, me parece que ele está nervoso com alguma coisa, mas é um sinal tão pequeno que eu deduzo ser só uma má interpretação do meu cérebro. Christopher nunca fica nervoso.

Quando ele se vira para mim novamente, seu rosto está tomado de seriedade.

— O que achou das nossas últimas semanas? — pergunta.

Estou franzindo a testa de novo, mas decido apenas responder a sua pergunta para irmos direto ao ponto.

— Foram maravilhosas. — digo. — Nunca fui tão feliz.

Christopher se aproxima de mim, seus olhos presos nos meus de um jeito tão intenso que minhas pernas ameaçam enfraquecer. Ele para a meros centímetros de mim, seu peito tocando o meu, sua respiração batendo em meu rosto. Ergo o queixo para poder observá-lo melhor e ele desvia a atenção de um dos meus olhos para o outro repetidas vezes.

— Você realmente me ama?

Essa era uma coisa que eu não estava esperando. Toda vez que eu digo que o amo, ele continua agindo como se eu não tivesse dito nada demais. E nós nunca tocamos nesse assunto, eu nunca me atrevi a conversar sobre amor com ele, porque tinha medo de espantá-lo como um animal arisco faria ao se sentir ameaçado.

SirenaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora