38'- you let her go

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🎵 only know you love her
when you let her go

boa leitura!

◾️Christopher◾️

Os calos dos meus dedos doem a cada novo golpe contra o saco de pancadas. Mesmo assim, eu não paro. Meus músculos doem e meu corpo implora por um descanso, mas eu ignoro essa sensação de esgotamento, porque tem uma coisa dentro de mim que parece querer explodir a qualquer momento e eu preciso compensar essa sensação, a substituindo por algo que me incomoda mais.

— Isso tudo foi uma perda de tempo! — Maite diz entrando na academia a passos pesados e rápidos. — Qual é a porra do seu problema? Tinha o que sempre quis nas suas mãos, mas ainda assim se agarrou à porra do seu orgulho!

Seguro o saco de pancadas depois de dar uma joelhada nele. Olho para o couro preto e respiro fundo várias vezes tentando recuperar o meu fôlego. Eu realmente não quero ter essa conversa agora.

— Me deixa treinar em paz. — digo com a voz cansada.

— Não, eu não vou te dar paz! — ela sobe no tatame e para diante de mim, erguendo o queixo como se pudesse me olhar no mesmo nível. — Ela não quer distância só de você, sabia?

— Maite, eu não vou falar outra vez...

— Ótimo! Fique calado me ouvindo dizer o quão escroto você é! — ela empurra o meu peito, mas eu não saio do lugar. — Ela estava disposta a largar tudo por você. Como não pode confiar nela?

Respiro mais lentamente dessa vez, tendo certeza de que o ar está preenchendo completamente os meus pulmões. Passei a noite em claro deliberando sobre eu ter cometido um grande erro. Parte de mim ainda acha que ela pode só estar tentando provar alguma coisa e que logo vai vir correndo até mim de novo. Mas outra parte menos soberba quer fazer com que eu corra atrás dela.

Só precisa esperar. Ela vai voltar correndo. — falo.

— Ou vai voltar para a Velvet.

Pressiono meu maxilar sentindo raiva só de ouvir isso. Tentei não pensar nessa possibilidade antes e me convenci de que ela não desistiria tão fácil de ir por outro caminho. Ouvir a Maite dar voz à minha paranoia coloca isso em um outro lugar. Um lugar turbulento do qual eu gostaria de manter minha mente longe.

— Sai daqui, Maite. — minha voz sai em tom de alerta.

— Você precisa fazer alguma coisa.

— Não.

— Vai desistir? Passou todo esse tempo obcecado pela ideia de tê-la e agora você vai acabar com isso? — é notável a indignação dela.

Impaciente, seguro seus ombros com firmeza e encaro seus olhos furiosos.

— Eu já disse. Ela. Vai. Voltar.

— Quer saber? — aproxima seu rosto do meu. — Espero que ela não volte. Ela merece coisa melhor.

Nos encaramos numa tensão raivosa que só se dissipa quando eu a largo e me afasto.

— Não me incomode mais. — alerto antes de voltar a bater no saco de pancadas.

Em silêncio, ela deixa a sala caminhando com raiva assim como quando entrou. Eu sigo treinando por mais meia hora antes de deixar a academia e subir até a sala de espionagem. Mandei que retirassem quase todas as câmeras do apartamento da Dulce, mas deixei uma em seu quarto. Fica muito bem escondida no detector de fumaça e me dá uma visão ampla do quarto. Sei que disse para a Maite que ela vai vir até mim em algum momento, mas estou com medo de estar errado. Preciso ter um resquício de controle para ter certeza de que posso me manter tranquilo.

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