32'- someone still loves you

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🎵 you made 'em laugh, you made 'em cry
you made us feel like we could fly

boa leitura!

◾️Dulce◾️

Os raios solares passam por entre os espaços dos nossos dedos, fazendo uma dança de sombras em meu rosto, me obrigando a estreitar os olhos por causa da claridade. A mão dele enlaçada à minha, as duas se movendo como se ele as analisasse, como se quisesse observar como elas se parecem quando estão juntas. Ainda não tenho muita certeza do que ele pensa quando olha para mim, mas em momentos assim eu tenho plena consciência de que ele pensa sobre nós.

Estamos num parque de uma cidade interiorana. Christopher resolveu que queria tirar uns dias de folga e me convidou para sair da cidade grande e respirar o ar de um lugar menos caótico que Las Vegas. Estamos há três dias completamente sozinhos em uma cidade pequena com pouco mais de cinco mil habitantes. E eu me surpreendi em como aqui é tão aconchegante e bonito, com lagos, parques naturais, pessoas gentis e um silêncio que me permite ouvir os pássaros cantando do lado de fora da janela toda manhã.

— Eu moraria aqui. — comento distraidamente.

Estamos deitados em uma toalha de piquenique depois de comermos. Tem um lago a alguns metros e está cedo o suficiente para que sejamos os únicos aqui. Christopher está encostado contra o tronco de uma árvore e eu estou deitada em seu colo, assistindo enquanto ele brinca com as nossas mãos.

— Mesmo? Por que? — pergunta.

— É tudo tão calmo. Parece que ninguém aqui está preocupado ou com pressa. Eles olham para as outras pessoas, dão bom dia com sorrisos sinceros e até param para conversar na rua, mesmo que estejam indo para algum compromisso. Parece que eles vivem, me entende?

Christopher começa a assentir lentamente, franzindo um pouco a testa como se pensasse.

— Há quanto tempo você não tira uma folga? — ele faz outra pergunta.

— Desde que eu fugi. Tudo o que eu faço é trabalhar, juntar dinheiro e pensar no futuro.

— Você nunca deu muitos detalhes do que fazia antes da Velvet.

— Eu fiz alguns bicos até conseguir um emprego fixo. Aquelas pessoas que me ajudaram... Eles tinham um lugar para eu morar em Nova York, um lugar no Brooklyn, não era grande coisa e eu juro que nunca passei mais de uma semana sem ouvir um barulho de tiro no meu bairro.

— Não pensou em desistir e voltar pra casa?

— Muitas vezes. — solto um suspiro. — Mas eu estava muito focada na ideia de ter uma carreira. Eu confesso que às vezes eu me desesperava achando que não ia parar em lugar algum daquele jeito, mas eu dizia a mim mesma que pelo menos não tinha ninguém me controlando. Eu era pobre, mas era problema meu.

— No que você trabalhou lá?

— Eu fazia diárias de faxina em algumas casas. Tive poucos clientes fixos, dava para pagar as contas e não morrer de desnutrição. Em alguns dias do mês, eu conseguia dinheiro pra ir até a Times Square ser artista de rua. Eu levava meu violão e cantava enquanto as pessoas jogavam moedas na minha bolsa. Não era um dinheiro que fazia muita diferença, mas eu gostava de pensar que estava fazendo algo que se aproximava do meu sonho.

SirenaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora