28' - she's got me like nobody

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🎵 baby, when it's love,
if it's not rough, it isn't fun

boa leitura!

◾️Dulce◾️

Sei que não vou ter isso por um tempo e parte de mim se martiriza da minha decisão. Mas já chega do conforto de saber que sempre vou ter um palco e admiradores. Não é esse tipo de segurança que eu pretendo continuar tendo. Desafios estão aí para que eu me aprimore, para que eu seja melhor e conquiste muito mais pessoas, um público maior e mais diversificado do que esse.

Mas é claro que os aplausos quando eu termino os últimos versos de Material Girl são muito bem vindos. Aceno para a plateia, hoje mais cheia, não apenas com clientes, mas com minhas colegas de outros setores, perambulando e assistindo ao show com os demais. Numa mesa estão Jude e Christopher sentados lado a lado e ambos batem palmas para mim. Christopher usa sua máscara habitual, então não posso ver se ele sorri, mas eu apostaria que não. Sorrisos são mais raros do que qualquer outra coisa para ele.

Ao retornar aos bastidores, logo começo a trocar o meu figurino, porque voltarei ao palco em instantes, dessa vez na companhia da minha nêmesis, a Ruby. A contragosto de ambas, vamos usar roupas iguais. Um conjunto com uma saia colada e uma blusa curta com mangas longas, botas da mesma cor. Tudo em materiais que parecem reluzir contra a luz como se fossem feitos de látex. Uma verdadeira roupa de show, mas não tão espalhafatosa.

Ficamos uma de cada lado do camarim, longe o bastante para não nos esbarrarmos ou trocarmos qualquer palavra. Ela realmente conseguiu cobrir o rosto machucado com maquiagem e agora está retocando o pó sobre o nariz.

— Muito bem, garotas! — Hector exclama ao abrir a porta e entrar. — Sei que só conseguimos ensaiar com vocês uma vez, mas confio no potencial de cada uma e sei que isso vai ser incrível! — bate palminhas animado.

Só ensaiamos uma vez, porque foi bem complicado achar um horário em que as duas estivessem de acordo. E o ensaio foi um caos, senti que Ruby tentava me empurrar para fora do palco o tempo todo, mas eu fazia questão de empurrar de volta, o que nos fez ter que fazer muitas pausas.

— Só vamos acabar logo com isso. — ouço ela resmungar ao guardar sua maquiagem e passar pelo Hector, deixando o camarim.

— Que humor! — ele ri e se aproxima da penteadeira onde estou, parando atrás de mim.

— Era para ela estar feliz? — indago olhando seu reflexo no espelho.

— Vai ficar do lado dela agora?

— Só estou dizendo o óbvio. — ergo os ombros. — Nenhuma de nós está feliz com isso, por mais que no começo ela tenha tentado fingir satisfação pelo meu descontentamento.

— É só uma música, ninguém vai morrer por isso.

— Você ficaria surpreso. — fico de pé. — E o que você tem feito nos últimos dias? Anda distante demais. — viro-me de frente para ele.

— Só cuidando desse evento. As coisas precisam sair muito bem.

— Só isso? — encaro seus olhos, percebendo as pupilas anormalmente dilatadas. — Anda se drogando mais do que o comum, não é?

— Não se preocupe, está tudo sob controle, só tomei uma coisinha pra ficar atento hoje. — pisca para mim. — Agora vai lá cantar com a sua inimiga número um. — dá um tapinha na minha bunda para me incentivar a me mexer.

SirenaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora