44'- caught in a bad dream

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🎵 these walls are closing
closing me in

boa leitura!

◾️Dulce◾️

Minha cabeça dói como se um peso tivesse sido jogado sobre ela. Mas sei que não foi o caso e esse é só o resultado daquilo que o meu corpo teve que suportar. É como se eu estivesse numa grande ressaca após uma noite inteira de intensa bebedeira, mesmo sem ter bebido uma gota de álcool. Mas o que entrou no meu corpo foi bem pior, forte o bastante para ter me desligado da minha consciência.

Agora que estou retornando para mim mesma, tento sem pressa perceber o ambiente em volta de mim. Estou deitada em uma cama, é o que minhas funções táteis percebem. Entreabrindo um pouco os olhos, percebo a colcha branca e macia sobre o colchão. O foco da minha visão retorna de forma lenta e difícil, mas eu me esforço para girar o pescoço e tentar ver mais coisas.

Pisco lentamente percebendo o cômodo onde estou afundando na penumbra. As cortinas da única janela estão abertas e eu consigo ver as estrelas no céu escuro lá fora. Cortinas lilás com flores brancas estampadas. O parapeito da janela tem um acolchoado branco para permitir que alguém sente ali. É uma combinação decorativa estranhamente familiar.

Me esforço para me apoiar em meus cotovelos e levantar parte do meu corpo. Isso me deixa momentaneamente zonza, o que me faz fechar os olhos para tentar recuperar meu equilíbrio. Observo novamente tudo ao meu redor. A luz da lua que entra pela janela ilumina parte do quarto. Sim, consigo perceber que é um quarto.

Vejo uma escrivaninha com materiais acadêmicos sobre ela, além de um computador que deve ter mais de uma década de fabricação. Do outro lado, uma penteadeira com três espelhos e utensílios de cabelo e maquiagem sobre a bancada. A cama tem um dossel com cortinas de seda amarradas aos suportes. Uma cômoda branca com quatro grandes gavetas. Mesas de cabeceira, cada uma com um abajur. Duas portas próximas, uma levando ao banheiro e a outra ao closet. A porta de saída ficando à minha direita.

A cada vislumbre dos detalhes desse quarto, minha respiração se acelera e meu peito parece queimar com o desespero do que estou percebendo. Esse quarto é familiar porque é o quarto onde eu passei a maior parte da minha vida.

Estou na porra da casa dos meus pais.

Me arrasto para fora da cama pensando unicamente em dar um jeito de fugir daqui. Sei que estou há muitas horas de viagem longe de Vegas, mas eu prefiro dormir debaixo de uma ponte do que passar mais um segundo nesta casa.

Minhas pernas cambaleiam quando eu fico de pé. Talvez o efeito daquela coisa que me deram ainda não tenha passado totalmente. Por isso, tento segurar nos móveis e nas paredes enquanto procuro desesperadamente a porta. Quando eu giro a maçaneta e percebo que não está trancada, parte de mim fica em alerta. Se isso é um sequestro, por que me deixariam em um cômodo sem trancas?

Saio para o corredor que está mais iluminado, luzes acesas o bastante para incomodar minha visão já prejudicada. Ainda assim, continuo me equilibrando nas paredes enquanto caminho pelo espaço que conheço. Estou indo até a escadaria que leva à sala de estar. Pelas minhas deduções, deve ser madrugada agora e eu espero que o resto desta casa tenha escolhido ir dormir.

Vejo o início das escadas e apresso meu passo atrapalhado. Infelizmente, antes de eu chegar ao primeiro degrau, a porta do escritório da casa é aberta no corredor do outro lado. Vejo Hector sair de lá. Primeiro ele me olha surpreso, mas depois abre um sorriso e caminha na minha direção. Tento segurar firme no corrimão da escada e tento começar a descer, mas ele me alcança antes que eu o faça.

SirenaOnde histórias criam vida. Descubra agora