Chegamos a sala e eu joguei algumas almofadas para o lado, liberando espaço para ele se sentar.
— Não é tão chique quanto o sofá da sua casa, mas quebra um galho.
— Que isso. Seu chalé é aconchegante. De muito bom gosto.
Observei o entorno acompanhando a vistoria que Asaloom fazia.
— A escola que o alugou e algumas coisas já estavam assim. Eu precisei mudar muito pouco.
Outra olhada dele, assentindo enquanto eu falava. Depois Asaloom arregalou os olhos levemente.
— Nossa, ainda devo estar úmido da chuva e me sentei no seu sofá. Desculpa — Disse preocupado.
— Fica tranquilo. Não parece tão molhado assim. Se importa se eu abrir um vinho?
— Vinho? Gosta de vinhos?
— Não sou uma grande conhecedora, mas sempre tenho uma garrafa.
— Suave ou seco?
— Seco, sempre. Bebia vinho suave quando era nova, mas após experimentar vinho seco, o suave nunca mais agradou o meu paladar.
— Vinho suave não é vinho. — Desdenhou ele com presunção — Ainda bem que o seu gosto mudou.
— Então vai me acompanhar em uma taça? É vinho chileno — Eu dizia isso enquanto caminhava para o armário — Safra de dois mil e dezesseis. — Gritei da cozinha ao ler o rótulo na garrafa.
— Vinho chileno é ótimo, quase não tem como errar. Acho que vou aceitar, mas sem exageros.
Logo puxei duas taças e voltei com a garrafa para a sala, dispondo na mesa de centro entre mim e Asaloom.
— Que tipo de música você gosta?
Há tempos que ninguém me fazia aquela pergunta. A última vez que ouvi uma canção foi indo do aeroporto para Sundale. Paramore.
— Rock, eu acho. Mas em épocas sombrias da minha vida eu ouço divas dos anos noventa.
— Withney Houston? Celine Dion?
Achei que Asaloom fosse rir da minha cara, me achando brega ou coisa do tipo.
— Isso. Mas eu evito que saibam. Como comentei, são épocas sombrias.
— Não julgo. Eu gostava dessa época da música, quando as canções românticas dominavam as paradas de sucesso.
— Tá falando sério? Eu curto o som, a estética. As vozes dessas cantoras. Nunca mais vi nada igual.
— Uhum. Concordo em, gênero, número e grau com você. Eu cheguei a ir a um show da Withney Houston do Madison Saquare Garden em Nova York.
— Quando?
— Hum, acho que foi em noventa e três ou noventa e quatro. Tinha acabado de sair aquele filme do guarda-costas.
— Pera, que idade você tinha na época? Doze anos? Você não parece ter nem perto de quarenta. E esse show deve ter sido há uns trinta anos, pelos meus cálculos.
Asaloom riu, me olhando vagamente.
— É, talvez quase isso... — Murmurou dando um gole no vinho — Eu sempre tive bom gosto.
O olhar dele era o mesmo que vislumbrei na noite anterior, quando a pedra flutuava rente ao meu rosto. Como se Asaloom escondesse algo ou omitisse um segredo. Mas guardei isso para mim, não era o momento ideal para aborrecê-lo com as minhas suspeitas. Asaloom poderia se zangar e levar Violet embora.
Nada de tocar em assuntos delicados, como a tal pedra flutuante.
— E quanto a você? Qual o seu estilo favorito de música? — Devolvia a pergunta.
— Música clássica, com toda certeza do mundo. Já esteve no baile de ópera de Viena, na Áustria?
Eu gargalhei tragando o vinho.
— Claro que não. Eu nunca nem saí do país.
— Se tivesse ido, entenderia do que estou falando. Mas creio que não faltará oportunidade. Vá assim que puder!
Logo puxei meu celular e abri no Youtube.
— Tem vídeos sobre isso? Sobre esse tal baile chique em Viena? — digitei na barra de pesquisa.
— Não sei.
— Ah, é isso aqui? — Apontei a tela para Asaloom.
— É, é sim. — Um sorriso saiu dos lábios dele de uma maneira muito empolgada.
Realmente o baile parecia ser muito bonito, como o das grandes coortes dos reinos que víamos em livros ou contos de fadas. Asaloom fechou os olhos sentindo a música.
O contemplei por alguns segundos movendo a cabeça lentamente, no ritmo da música.
— Posso fazer uma coisa, Mahana?
— Claro. O quê?
Asaloom levantou-se da poltrona após deixar a taça sobre a mesa de centro. Ele afastou o sofá de dois lugares um pouco para trás e ficou parado diante de mim, com as mãos estendidas.
— Me daria a honra de uma valsa?
— Mas eu não sei dançar, Asaloom. Acho melhor deixar para outro momento.
— Ah, que isso. Apenas venha, sim? Confia!
Que mal* haveria em me permitir alguns tropeços na sala da minha casa?
Eu também deixei o meu vinho sobre a mesa e estendi a mão para Asaloom.
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Asaloom
RomanceMahana, após uma dura separação de seu marido, é selecionadas para ser professora de Biologia já em um colégio na misteriosa cidade de Sundale, ao Sul do país. Logo que chega a cidade, ela escuta falar do poderoso Ásaloom Youssef, um descendente de...
