[36] GOLD RUSH

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       Minha avó parecia me testar nesse momento

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       Minha avó parecia me testar nesse momento.

— Park Jimin fica? — Troquei olhares com ele instintivamente, em seguida fiz o mesmo com meu pai e por fim voltei aos mirantes de minha avó que cintilavam.

O que quer que eu dissesse aqui me traria problemas.

Jimin era um problema agora, imprevisível dentro da empresa. Meu pai sentiria ódio com o resultado dessa decisão, estava nas minhas mãos. Porém, ele provavelmente já julgava que eu estivesse envolvido.

Eu sentia os olhos de todos em mim. A sala inteira parada, respirando junto comigo — ou esperando que eu respirasse. Meu pai, agora pálido e derrotado, ainda com os punhos cerrados sobre a mesa como se pudesse recuperar o poder pelo toque. Minha avó, em pé como uma imperatriz, imbatível e orgulhosa. E Jimin ali. Tão perto. E ainda assim, tão inalcançável.

Eu o olhei de novo. Mesmo de terno, mesmo com o brilho afiado nos olhos, mesmo com o ar de vingança que tomava conta de sua presença — ele ainda era meu Jimin.

Mas eu precisava ser honesto com toda essa situação, era também o Jimin que passou noites em claro chorando pelas ameaças. O Jimin que perdeu a própria casa porque meu pai mandou destruir tudo como punição velada. O Jimin que teve que sair da minha vida mais de uma vez, sempre à força, sempre em silêncio. E agora tudo fazia sentido. Cada afastamento. Cada resposta curta. Cada ausência. A guerra fria entre eles não havia acabado, ela apenas mudou de fase.

E no meio disso tudo... eu.

Eu não pedi essa guerra. Eu não a escolhi. Mas ela sempre me escolheu. Respiro fundo. Me levanto. Minhas mãos tremem um pouco, mas minha voz não.

— Eu entendo o que está acontecendo aqui — digo, olhando direto para minha avó, depois para meu pai... e por último para ele. — Olhava, mas não o via. — Eu entendo que isso é o que vocês sempre foram. Um teatro de poder, egos, heranças e manipulações.

Jimin pisca. Raramente alguém o confrontava. Mas eu não o confronto — eu o encaro. Com verdade.

— Eu só queria amar alguém. Só isso. Sem precisar pedir permissão. Sem precisar me esconder ou medir palavras. Sem condições impostas por terceiros. — Olho para meu pai, e há dor em minha voz, mas também algo mais forte: libertação. — Você tentou destruir a vida de alguém que eu amo... mais de uma vez. — Penso em cada ameaça velada. Cada plano absurdo para me manter "sob controle". — Mas você não destruiu. Ele está aqui.

Volto o olhar para Jimin, e o coração bate forte.

— E você... — a voz falha por um segundo, mas sigo — ...você venceu. Mas também me deixou pra trás. — Suspiro, pesaroso. — Não é justo que vocês me façam escolher nada, já que fizeram tudo pelas minhas costas todas as vezes. — Olho Jimin nos olhos. — Sei que você teve seus motivos. Sei que o que meu pai fez não tem perdão. Mas eu... eu não sou ele.

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