[39] PINK LADY

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Sair da faculdade com Jungkook no meio da manhã já era algo suspeito. Mas fazer isso só para visitar um apartamento com janelas minúsculas e teto baixo beirava o cômico.

— Então é isso que chamam de "conceito compacto"? — ele comentou, com as mãos nos bolsos e uma expressão de pura dúvida, olhando em volta enquanto coçava a parte de trás da cabeça.

Eu tentei conter a risada. A corretora, coitada, falava com tanto entusiasmo que parecia acreditar mesmo que estávamos apaixonados pelo lugar.

— Jungkook... você consegue se imaginar tomando café aqui? — apontei para o cantinho que deveria ser a "área gourmet", uma mesa dobrável colada à parede.

— Só se for de joelhos. — Ele respondeu sussurrando, tentando manter a compostura.

A risada escapou alto demais, e eu disfarcei com um pigarro. A corretora era uma querida, ela não spo não tinha como saber que eu namorava um duque de vinte  anos. Saímos do apartamento com mil agradecimentos à corretora, que ficou de "nos ligar depois" — o que provavelmente significava que ela também sabia que aquele lugar jamais nos veria de novo.

Já no elevador, Jungkook me olhou de lado, rindo com os olhos semicerrados.

— A gente matou aula pra isso, você tem noção?

— Um luxo. — Respondi, jogando meu peso contra a lateral da cabine. — Mas valeu a viagem... sair co m você no meio da semana, fingindo ser um casal maduro e responsável, procurando o "nosso cantinho"...

— E quase sendo esmagados por paredes claustrofóbicas e janelas minúsculas.

— Não acredito que sua bunda quase nem passava no banheiro. — comentei, mordendo o lábio inferior pra segurar mais uma risada.

Ele riu alto agora, balançando a cabeça.

— Aquilo nem era um banheiro, aquilo era um armário com encanamento.

Saímos do prédio ainda rindo, o sol batendo no nosso rosto como se aprovasse a fuga estudantil. Era o meio da manhã ainda, e por alguns minutos tudo parecia tão simples. Nada de espionagem, nada de Kwon, nada de reuniões.

— Mesmo sendo uma furada, foi bom. — murmurei, apertando levemente a mão de Jungkook, que caminhava ao meu lado.

— A primeira visita de muitas. — ele respondeu, entrelaçando nossos dedos com naturalidade e se inclinando para dar um beijinho no meu rosto.

Eu o olhei. Às vezes era difícil acreditar que estávamos mesmo fazendo isso. Que tínhamos nos tornado algo próximo do normal. Quase felizes, se é que isso não parecia bom demais pra ser verdade.

Mas era real. E começava aqui, mesmo que fosse num apartamento horrível, com janelas minúsculas e um banheiro do tamanho de uma caixa de sapato.

Começava com a gente tentando, e para ser bem sincero, apesar dos momentos que beiravam o cômico, era perfeito. O dia estava lindo, tinha uma brisa leve que só exigia um casaco leve e o sol estava quase educado de tão brando.

Jungkook olhou para o relógio assim que saímos do prédio da imobiliária.

— São nove da manhã ainda. Quer pegar um café antes de voltarmos? — perguntou, com aquele sorriso que sempre fazia meu cérebro considerar largar tudo e seguir ele onde fosse.

— Se você está pagando, eu quero dois. Um pelo prejuízo do apartamento e outro pela humilhação do banheiro. — Brinquei e ele apertou a minha cintura de leve.

Ele riu e enlaçou meus dedos.

O café da esquina era charmoso, daqueles com uma videira que abraçava o muro, mesinhas redondas do lado de fora, vitrine com croissants bonitos demais pra serem de verdade, e um aroma que dava vontade de abraçar a máquina de expresso. Mas nada disso me chamou mais atenção do que o barista do turno.

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