[38] OCEAN WHISPER

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 Seis meses

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Seis meses.

Era engraçado pensar nisso agora. Seis meses desde que coloquei os pés naquela empresa com o único objetivo de descobrir a podridão por trás do nome Jeon. Hoje, sentado nessa sala de reuniões abafada, entre planilhas, termos técnicos e discursos ensaiados, sinto o peso do tempo e do que ele tem feito comigo.

A reunião seguia, mas a minha atenção estava longe. As palavras dos colegas de equipe pareciam ecoar, desfocadas, como se estivessem submersas. À minha frente, a nova proposta de campanha brilhava em slides coloridos. Não era ruim. Na verdade, era boa. Eu mesmo tinha contribuído com algumas ideias. Ainda assim, meus olhos vagavam para a janela de vidro ao fundo, onde a cidade parecia se mover num ritmo mais coerente com o que eu sentia por dentro.

— Jimin? — ouvi alguém me chamar, baixo, ao lado. Era Charlotte, do setor criativo. Ela me deu um leve cutucão com o cotovelo, sorrindo, como quem me devolvia à Terra.

— Sim, claro — disfarcei, ajeitando a postura. — Eu... estava analisando o impacto visual da proposta.

Meia verdade. Ou quase uma mentira elegante.

A verdade mesmo é que eu estava cansado. Não do trabalho. Mas de viver em duas realidades ao mesmo tempo: o infiltrado, e o que agora começava, contra a própria vontade, a se tornar parte daquilo.

A equipe de marketing — que antes me olhava como um corpo estranho — agora me tratava com uma aceitação cuidadosa, como quem ainda mede o terreno, mas já não pisa com tanta desconfiança. Era uma vitória. Pequena, mas minha.

Talvez os cursos que o Jungkook indicou tenham ajudado. Talvez tenha sido o meu esforço. Ou, quem sabe, uma combinação dos dois. Marketing, publicidade, gestão de crise, branding... Eu mergulhei em tudo, noite adentro, como se estudar fosse a única forma de manter minha mente longe da culpa de estar me envolvendo demais.

E como se não bastasse, o próprio Jungkook havia se matriculado comigo na universidade. Administração. Claro que ele foi discreto, como sempre. Disse que era hora de ele também formalizar o conhecimento. Mas eu sabia — no fundo, sabia — que ele queria estar por perto.

Quis recusar, quis dizer que não precisava da ajuda dele. Mas não disse. Porque, por mais contraditório que pareça, o apoio dele tem sido o que me mantém em pé.

— Jimin, você pode finalizar com seu parecer? — a gerente pediu, me tirando novamente dos pensamentos.

Assenti, levantando com calma. Peguei o controle do projetor. Olhei para os rostos à minha volta. Alguns atentos, outros apenas esperando que eu não falasse besteira. Respirei fundo.

— A proposta é sólida. Mas a Jeon's Red Corporation pode mais do que isso. Podemos ser ousados, disruptivos. Estamos falando de uma empresa que movimenta uma das matérias-primas mais estratégicas do país. Então... vamos contar essa história com coragem. Não apenas com cautela.

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