Os meus devaneios me levaram a noite anterior muito mais do que uma vez ou duas hoje. Vez ou outra eu me distraia e me pegava lembrando da nossa conversa. O silêncio do carro era diferente daquela vez em que eu pensei que ele fosse me deixar. Ele só pensava. Pesado, sério, mas não agressivo. Eu podia ouvir o som da respiração dele, o tique do pisca-pisca no semáforo vermelho, e o próprio peso do que a gente estava prestes a fazer se arrastando entre nós dois.Jungkook manteve os olhos na rua, mas falou baixo, quase como se estivesse conversando consigo mesmo:
— Eu vou com você até o fim... mas antes, quero conhecer o tal Chris.
Demorou um segundo pra minha mente digerir aquelas palavras. Eu o olhei de lado, sentindo o estômago afundar. Não de medo, mas de alívio. Era isso. Finalmente.
— Sério? — minha voz saiu mais suave do que eu esperava. — Você quer mesmo seguir com o plano?
Ele assentiu. Ainda não me encarava, mas sua mão apertou o volante com força.
— Se a gente for fazer isso... se eu for colocar meu pai contra a parede... então eu preciso saber com quem estamos lidando. Esse Chris apareceu do nada e já sabe demais. Quero olhar nos olhos dele e entender quais são os interesses dele com tudo isso.
Eu assenti, compreendendo. Parte de mim achava justo. A outra... só esperava que Chris estivesse disposto a falar.
— Ele vai estar amanhã na boate. — falei, sem rodeios. — No subsolo.
— No tal submundo? — ele enfim me olhou.
Assenti, encarando-o de volta.
— A entrada não é simples. Todo mundo lá dentro usa máscaras. Nomes não importam. Só o que você tem pra negociar. — dei de ombros. — Mas Chris é diferente. Ele confiou em mim antes de confiar em qualquer um. E disse que estaria lá pra nos receber... com rosto, nome, e tudo que você quiser perguntar.
Jungkook soltou uma risada seca, nervosa.
— Que tipo de gente frequenta esse lugar? — engoli seco, pergunta sugestiva.
— Bom... você já esteve lá. — falei desconfortável, me recordando do fatídico dia em que caí na armadilha de Kwon, o que ocasionou nosso último rompimento. — Gente que tem algo a esconder. Ou algo a mostrar — respondi. — Mas ele não é como o resto. É... direto. E até agora tem sido mais aliado do que ameaça.
— E você confia nele?
Pensei por um instante. Eu não confiava em muita gente. Mas Chris...
— Confio no suficiente pra sentar na frente dele sem medo. E pra levar você também.Jungkook voltou a olhar pra frente, mas o ar dentro do carro já era outro. Mais firme. Quase... cúmplice.
— Então tá. Amanhã à noite.
Eu dei um leve sorriso, sem querer parecer mais aliviado do que já estava.
— Máscaras obrigatórias.
— Tem alguma que combina com o momento? — ele perguntou com um tom irônico.
— Qualquer uma que esconda seu sobrenome.
Ele riu, balançando a cabeça. Estacionou o carro na frente do meu prédio, mas não desligou o motor.
Ficamos em silêncio por um tempo. O tipo de silêncio bom. O que precede o movimento.
— Obrigado por não desistir disso. — eu disse, quase num sussurro. — Mesmo com tudo que isso vai custar.
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CABARET
Fanfiction𝕵𝖎𝖐𝖔𝖔𝖐 𝖋𝖎𝖈! ⚣ A que ponto você conseguiria chegar por dinheiro? Ou mais precisamente, por necessidade; necessidade de ter, necessidade de ser. Almejar tanto algo, que poderia fazer qualquer coisa para alcançar, cometeria um crime? Pois bem...
