25.

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A manhã seguinte amanheceu nublada, com o céu envolto por um véu cinza que prometia chuva. Era segunda-feira — o dia universalmente detestado — mas, para Thomas, aquele começo de semana parecia quase bom demais para ser verdade. Seu pai o havia acordado com um convite inesperado: "Vamos tomar café no bistrô?"

Era raro. Raríssimo, na verdade. E se tratava, sem dúvida, de uma folga merecida. Matar algumas aulas com permissão adulta? Um pequeno luxo num mundo cheio de pressões silenciosas.

O bistrô da cidade estava pouco movimentado naquela manhã. O cheiro doce de pão recém-assado pairava no ar, e uma caneca de café soltava fumaça preguiçosa diante de Vincent, que já havia empurrado a papelada para longe.

A garçonete deixou os pedidos na mesa com um sorriso — panquecas com frutas para Thomas, café e ovos mexidos para Vince.

— Obrigado, — disse ele com um leve aceno de cabeça. — Que bom que conseguimos fazer isso.

Thomas observou o pai por um instante, franzindo levemente o cenho. — Ok... O que está acontecendo? Você nunca mata o trabalho. E eu deveria estar na aula de física agora.

Vincent girou a caneca nas mãos antes de responder, o olhar fixo no líquido escuro. — Falando em escola... — ele suspirou. — Você quer mesmo trocar?

Thomas hesitou, mexendo as frutas no prato com o garfo. — Sim... Vai ser mais fácil.

— Mais fácil pra quem? — questionou Vince, levantando o olhar.

Thomas deu de ombros, evitando encarar o pai diretamente. — Pra todo mundo, eu acho. Quando a mãe quer algo... é mais simples concordar.

Vincent soltou uma risada breve, sem humor. — É. Ela tem esse talento de fazer a própria vontade parecer uma solução universal. — Ele se recostou no banco, estudando o filho por um momento. — Mas você sabe que sua opinião importa, certo? O que você quer importa.

Thomas mastigou devagar, os olhos agora fixos no prato. Havia algo cansado em sua postura, como se carregasse mais do que um garoto da sua idade deveria.

— Pai... a mãe gosta das coisas do jeito dela. E eu já aprendi que tentar fazer diferente às vezes só complica tudo. — Ele deu um meio sorriso. — Acho que ficar quieto é minha forma de sobreviver.

Vincent apoiou os cotovelos na mesa, inclinado para frente, a expressão mais suave agora. — Você está com medo de contrariá-la.

Thomas suspirou profundamente, apoiando as costas no encosto da cadeira.

— Não estou com medo. Só estou cansado. Cansado de ser o motivo das discussões. Cansado de sempre parecer que, não importa o que eu escolha, alguém vai sair machucado. Talvez até eu mesmo. — Ele então fitou o pai, com os olhos úmidos, mas sem drama. — Não quero ter que escolher entre vocês. Só queria que vocês dois estivessem do meu lado. Não em lados opostos.

Vincent respirou fundo, sentindo o peso das palavras do filho. Aquilo o atingiu como um soco — não físico, mas cheio de verdades que ele havia evitado por tempo demais.

— Me desculpa, filho. Por fazer você se sentir assim. — A voz dele falhou por um instante. — Você não deveria ser o campo de batalha de ninguém. Eu prometo que, de agora em diante, vou tentar não brigar por você, mas com você. Ao seu lado. Do jeito certo.

Thomas abaixou o olhar e assentiu devagar, como quem apreciava o gesto mas ainda guardava uma certa cautela. Ele não era alguém fácil de convencer — nem deveria ser.

— Valeu, pai. De verdade.

O silêncio que se seguiu não foi desconfortável. Era o tipo de silêncio que surge quando finalmente se diz algo que precisava ser dito há muito tempo.

Coffee, Chaos and OthersOnde histórias criam vida. Descubra agora