A noite caiu como um cobertor morno sobre Willow Creek, tingindo o céu de tons azulados e rosados que se dissolviam aos poucos no escuro. Lá fora, as ruas estavam quase vazias, silenciosas, como se a cidade cochilasse depois de um dia comum — mas dentro do quarto de Thomas, o tempo parecia hesitar. Como se soubesse que havia algo precioso ali, algo que merecia ser vivido devagar.
Thomas ainda segurava a moldura com a foto dele e de Chuck. Seus dedos passavam com carinho pela beirada de madeira, como se pudessem alcançar algo além da lembrança. Já não dizia nada. Só respirava com cuidado, como se cada inspiração precisasse de permissão.
Newt estava ao lado, sentado no canto da cama, sem querer invadir o espaço do outro, mas também sem ir embora. Havia aprendido, com o tempo — e com Thomas — que alguns silêncios não pedem palavras, só companhia.
— Às vezes eu esqueço da voz dele — murmurou Thomas, quase num sussurro. — Do som exato, sabe? Como ela ecoava na sala quando ele ria. Mas lembro do jeito que ele andava... como se estivesse sempre correndo pra algum lugar, mesmo parado.
Newt virou o corpo levemente, apoiando um cotovelo no colchão e observando o rosto de Thomas. Ele não disse nada, só sorriu com o olhar, como quem diz "tô aqui" com os olhos, porque com palavras poderia quebrar algo frágil demais naquele momento.
— Eu... — Thomas respirou fundo e riu sem graça. — Eu nem ia falar disso. Só queria que você visse como ele parecia comigo. Todo mundo dizia que a gente parecia irmãos. E, às vezes, eu pensava que éramos mesmo. Que ser família podia ser uma escolha.
Newt se mexeu devagar, o suficiente para que seu ombro encostasse no de Thomas.
— É mesmo — disse ele. — Família também é quem escolhe ficar.
Thomas olhou para o lado e viu Newt. Viu como ele sempre ficava. Como se não importasse a bagunça interna, o trânsito emocional, o medo de dirigir pra longe demais.
— Você acha que é estranho eu não querer tirar a habilitação ainda? — perguntou ele, sem tirar os olhos do amigo.
Newt sorriu, sereno.
— Acho que você só tá com medo de cruzar uma linha invisível. De sair de um lugar onde as coisas ainda fazem sentido — disse, com uma honestidade doce. — Mas... você vai saber a hora certa. E quando souber, estarei no banco do passageiro.
Thomas deu uma risada curta, abafada, tocada de alívio.
— Espero que você ainda queira ser meu copiloto mesmo quando eu errar todas as rotas — provocou, fingindo desconfiança.
— Ah, já tô acostumado. Você até acha que farol baixo significa "modo discreto" — zombou Newt, rolando os olhos de brincadeira.
— Modo furtivo, por favor — corrigiu Thomas, rindo de verdade agora, o som leve saindo do peito como uma janela aberta depois de uma noite abafada.
A moldura foi deixada de lado, com cuidado, como se guardassem nela não só a memória de Chuck, mas também um ponto de partida para que Thomas começasse a entender que seguir em frente não era esquecer — era levar consigo.
— Quer dormir aqui hoje? — Thomas perguntou, casual, mas com os olhos cheios de expectativa.
Newt olhou em volta, depois para o amigo, e soltou um suspiro resignado.
— Você só quer me usar como desculpa pra não acordar cedo e treinar amanhã.
Thomas fingiu indignação. — Jamais! Mas já que você mencionou...
Ambos caíram na gargalhada, e naquele riso havia algo mais leve, mais limpo. Como quem, mesmo depois de dias cinzentos, ainda encontra força pra brincar com o sol que insiste em voltar.
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Coffee, Chaos and Others
Fanfiction𝐂𝐎𝐅𝐅𝐄𝐄, 𝐂𝐇𝐀𝐎𝐒 𝐀𝐍𝐃 𝐎𝐓𝐇𝐄𝐑𝐒 ɴᴇᴡᴛᴍᴀꜱ livro único, +12 Thomas se muda para Willow Creek, uma cidade tranquila e misteriosa. Lá, ele conhece Newt, um jovem cativante com segredos profundos. 🎞️ [A história se desenrola em uma série...
