Gurias me desculpem me atrasei com o capitulo novo por problemas tecnicos. Espero que gostem, vou tentar postar dois por semana.
Elif
Esposa.
A palavra ecoava. De novo. De novo. De novo.
— NÃO! — gritei, a voz rasgando a garganta.
Peguei o primeiro objeto que vi pela frente — um vaso de cristal — e atirei contra a parede com toda a força. O impacto explodiu em estilhaços, o som seco ecoando pelo quarto como um tiro.
— Ele não podia... — rosnei, a voz trêmula de ódio. — Ele não podia fazer isso comigo!
Meu peito subia e descia rápido demais. Era como se o ar tivesse virado fogo. Arranquei uma cadeira ao lado da penteadeira e a joguei contra o espelho. O vidro se partiu em cem fragmentos, refletindo versões distorcidas de mim mesma — furiosa, humilhada, derrotada.
— Aquela desgraçada... — cuspi. — Aquela imunda...
A porta se abriu com violência.
— Elif! — a voz da minha mãe cortou o caos. — O que está acontecendo aqui?!
Ela entrou apressada, os olhos arregalados ao ver o quarto em ruínas.
— Ele anunciou! — gritei, girando para encará-la. — Ele anunciou aquela mulher como esposa diante de todo mundo!
O rosto da minha mãe empalideceu.
— Filha...
— Kerim me HUMILHOU! — avancei um passo, apontando para o próprio peito. — Ele destruiu nosso nome, o acordo, tudo! Por aquela ninguém!
Ela tentou se aproximar, cautelosa.
— Filha, se acalme. Vamos conversar...
— Conversar não muda o fato de que ele me trocou! — berrei. — Ele me jogou fora como se eu fosse nada!
Ela segurou meus ombros com força.
— Elif, isso é momentâneo. Seu avô vai resolver. Hazar vai...
— NÃO! — empurrei suas mãos. — Ninguém vai resolver nada enquanto Ela existir!
Minha mãe congelou.
O quarto ficou em silêncio.
Eu encarei meu reflexo quebrado no espelho e, naquele instante, algo dentro de mim se fechou por completo. A dor virou coisa morta. No lugar dela, só sobrou decisão.
— Se aquela mulher desaparecer... — murmurei. — Tudo volta ao normal.
Minha mãe arregalou os olhos.
— Elif, o que você está dizendo?
Virei-me para ela devagar. Minha voz não tremia mais.
— Eu vou matar Camila.
Meu nome saiu da boca dela num sussurro de terror:
— Minha filha... não...
Peguei minha bolsa com força.
— Ela roubou a minha vida. — caminhei até a porta. — Agora eu vou roubar a dela.
Ela correu e segurou meu braço.
— Você enlouqueceu? Isso não tem volta! Kerim vai te destruir!
Arranquei meu braço do aperto dela.
— Kerim já me destruiu mamãe.
Abri a porta com tudo e saí pelo corredor como uma tempestade, o som dos meus passos ecoando pela casa inteira.
E enquanto eu avançava, uma única certeza pulsava em mim:
Camila ia pagar.
Eu já estava com a mão na maçaneta quando a porta da sala se abriu de repente.
— Você não vai a lugar nenhum, Elif.
A voz do meu avô caiu sobre mim como uma ordem de execução.
Virei-me devagar. Hazar Aksoy estava no centro da sala, ereto, o semblante frio como pedra. Atrás dele, minha mãe ainda chorava em silêncio.
— Saia da minha frente — rosnei. — Eu preciso resolver isso.
— Isso já está resolvido — ele respondeu, impassível.
Meu sangue ferveu.
— Resolvido?! — avancei um passo. — Kerim anunciou aquela mulher como esposa diante de todo mundo! Você vai simplesmente aceitar isso?!
— Kerim e os Yaman fizeram a escolha deles — ele retrucou. — E, a partir de hoje, a família Aksoy não tem mais nenhuma relação com eles.
As palavras me atingiram como um tapa.
— Não... — balancei a cabeça, incrédula. — Você não pode dizer isso. Você tem que fazer alguma coisa! Você sempre faz!
Ele cruzou os braços.
— Essa batalha já foi decidida.
Meu grito veio rasgado:
— VOCÊ ESTÁ DESISTINDO DE MIM!
Avancei até ele, os olhos ardendo.
— Ele me prometeu! — bati no próprio peito. — Você prometeu! Esse casamento era meu!
— Você foi tola — ele disse, sem elevar a voz. — Se deixou humilhar por um homem que nunca foi seu.
Minhas mãos tremiam.
— Não... — sussurrei. — Não foi assim...
— Foi exatamente assim. — Ele deu um passo à frente. — E agora você vai aceitar.
— Eu NÃO aceito! — gritei. — Você não pode simplesmente virar as costas! Eles nos desafiaram! Eles cuspiram no nosso nome!
O olhar dele escureceu de vez.
— E foi exatamente por isso que eles vão pagar.
O silêncio caiu pesado.
— O quê? — minha voz saiu fraca.
Hazar se aproximou devagar, o tom baixo, perigoso:
— Nós não atacamos de cabeça quente, Elif. Nós arrancamos tudo primeiro.
— Você... vai deixá-los em paz? — perguntei, o ódio ainda pulsando.
Um sorriso frio se formou no canto da boca dele.
— Não. — ele inclinou levemente a cabeça. — Nós vamos tirar tudo dos Yaman. Um por um. Terras. Negócios. Prestígio. Nome.
Meu coração disparou.
— Até que eles não tenham mais nada...
— Até que eles venham implorar — ele completou. — Até que Kerim tenha que voltar correndo, com a cabeça baixa, trazendo aquela mulher com ele.
Minha respiração ficou irregular.
— E quando isso acontecer... — murmurei.
Ele me encarou com firmeza.
— Aí nós decidimos se deixamos os dois vivos.
Um arrepio cruzou meu corpo inteiro.
Ele se virou e caminhou para fora da sala como se tivesse acabado de falar sobre o clima.
Eu fiquei parada, o ódio vibrando por dentro, a dor se misturando à promessa.
E, naquele instante, eu soube:
A guerra só estava começando.
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|Contratada para amar
RomanceCamila, uma mulher determinada e batalhadora, trabalha incansavelmente limpando casas nos Estados Unidos, sonhando em proporcionar uma vida melhor para sua família. Enquanto isso, do outro lado do mundo, Kerim, um bilionário turco, carrega o fardo d...
