Capítulo 38

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Gurias me desculpem me atrasei com o capitulo novo por problemas tecnicos. Espero que gostem, vou tentar postar dois por semana. 

Elif


Esposa.

A palavra ecoava. De novo. De novo. De novo.

— NÃO! — gritei, a voz rasgando a garganta.

Peguei o primeiro objeto que vi pela frente — um vaso de cristal — e atirei contra a parede com toda a força. O impacto explodiu em estilhaços, o som seco ecoando pelo quarto como um tiro.

— Ele não podia... — rosnei, a voz trêmula de ódio. — Ele não podia fazer isso comigo!

Meu peito subia e descia rápido demais. Era como se o ar tivesse virado fogo. Arranquei uma cadeira ao lado da penteadeira e a joguei contra o espelho. O vidro se partiu em cem fragmentos, refletindo versões distorcidas de mim mesma — furiosa, humilhada, derrotada.

— Aquela desgraçada... — cuspi. — Aquela  imunda...

A porta se abriu com violência.

— Elif! — a voz da minha mãe cortou o caos. — O que está acontecendo aqui?!

Ela entrou apressada, os olhos arregalados ao ver o quarto em ruínas.

— Ele anunciou! — gritei, girando para encará-la. — Ele anunciou aquela mulher como esposa diante de todo mundo!

O rosto da minha mãe empalideceu.

— Filha...

— Kerim me HUMILHOU! — avancei um passo, apontando para o próprio peito. — Ele destruiu nosso nome, o acordo, tudo! Por aquela ninguém!

Ela tentou se aproximar, cautelosa.

— Filha, se acalme. Vamos conversar...

— Conversar não muda o fato de que ele me trocou! — berrei. — Ele me jogou fora como se eu fosse nada!

Ela segurou meus ombros com força.

— Elif, isso é momentâneo. Seu avô vai resolver. Hazar vai...

— NÃO! — empurrei suas mãos. — Ninguém vai resolver nada enquanto Ela existir!

Minha mãe congelou.

O quarto ficou em silêncio.

Eu encarei meu reflexo quebrado no espelho e, naquele instante, algo dentro de mim se fechou por completo. A dor virou coisa morta. No lugar dela, só sobrou decisão.

— Se aquela mulher desaparecer... — murmurei. — Tudo volta ao normal.

Minha mãe arregalou os olhos.

— Elif, o que você está dizendo?

Virei-me para ela devagar. Minha voz não tremia mais.

— Eu vou matar Camila.

Meu nome saiu da boca dela num sussurro de terror:

— Minha filha... não...

Peguei minha bolsa com força.

— Ela roubou a minha vida. — caminhei até a porta. — Agora eu vou roubar a dela.

Ela correu e segurou meu braço.

— Você enlouqueceu? Isso não tem volta! Kerim vai te destruir!

Arranquei meu braço do aperto dela.

— Kerim já me destruiu mamãe.

Abri a porta com tudo e saí pelo corredor como uma tempestade, o som dos meus passos ecoando pela casa inteira.

E enquanto eu avançava, uma única certeza pulsava em mim:

Camila ia pagar.

Eu já estava com a mão na maçaneta quando a porta da sala se abriu de repente.

— Você não vai a lugar nenhum, Elif.

A voz do meu avô caiu sobre mim como uma ordem de execução.

Virei-me devagar. Hazar Aksoy estava no centro da sala, ereto, o semblante frio como pedra. Atrás dele, minha mãe ainda chorava em silêncio.

— Saia da minha frente — rosnei. — Eu preciso resolver isso.

— Isso já está resolvido — ele respondeu, impassível.

Meu sangue ferveu.

— Resolvido?! — avancei um passo. — Kerim anunciou aquela mulher como esposa diante de todo mundo! Você vai simplesmente aceitar isso?!

— Kerim e os Yaman fizeram a escolha deles — ele retrucou. — E, a partir de hoje, a família Aksoy não tem mais nenhuma relação com eles.

As palavras me atingiram como um tapa.

— Não... — balancei a cabeça, incrédula. — Você não pode dizer isso. Você tem que fazer alguma coisa! Você sempre faz!

Ele cruzou os braços.

— Essa batalha já foi decidida.

Meu grito veio rasgado:

— VOCÊ ESTÁ DESISTINDO DE MIM!

Avancei até ele, os olhos ardendo.

— Ele me prometeu! — bati no próprio peito. — Você prometeu! Esse casamento era meu!

— Você foi tola — ele disse, sem elevar a voz. — Se deixou humilhar por um homem que nunca foi seu.

Minhas mãos tremiam.

— Não... — sussurrei. — Não foi assim...

— Foi exatamente assim. — Ele deu um passo à frente. — E agora você vai aceitar.

— Eu NÃO aceito! — gritei. — Você não pode simplesmente virar as costas! Eles nos desafiaram! Eles cuspiram no nosso nome!

O olhar dele escureceu de vez.

— E foi exatamente por isso que eles vão pagar.

O silêncio caiu pesado.

— O quê? — minha voz saiu fraca.

Hazar se aproximou devagar, o tom baixo, perigoso:

— Nós não atacamos de cabeça quente, Elif. Nós arrancamos tudo primeiro.

— Você... vai deixá-los em paz? — perguntei, o ódio ainda pulsando.

Um sorriso frio se formou no canto da boca dele.

— Não. — ele inclinou levemente a cabeça. — Nós vamos tirar tudo dos Yaman. Um por um. Terras. Negócios. Prestígio. Nome.

Meu coração disparou.

— Até que eles não tenham mais nada...

— Até que eles venham implorar — ele completou. — Até que Kerim tenha que voltar correndo, com a cabeça baixa, trazendo aquela mulher com ele.

Minha respiração ficou irregular.

— E quando isso acontecer... — murmurei.

Ele me encarou com firmeza.

— Aí nós decidimos se deixamos os dois vivos.

Um arrepio cruzou meu corpo inteiro.

Ele se virou e caminhou para fora da sala como se tivesse acabado de falar sobre o clima.

Eu fiquei parada, o ódio vibrando por dentro, a dor se misturando à promessa.

E, naquele instante, eu soube:

A guerra só estava começando.

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⏰ Última atualização: Dec 05, 2025 ⏰

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