Capítulo 34

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Olá leitora! Mais um capítulo do nosso casal favorito!

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Camila

Acordei com a luz suave do amanhecer filtrando pelas cortinas do quarto do hotel em Midyat. Meus olhos abriram-se lentamente, ajustando-se à claridade enquanto flashes do dia anterior surgiam na minha mente, trazendo de volta a sensação de conforto e felicidade que havia sentido. O piquenique com Kerim, os momentos íntimos e delicados que compartilhamos, tudo parecia um sonho distante, mas ao mesmo tempo muito real. Espreguicei-me na cama, deixando escapar um sorriso leve ao lembrar do jeito que ele me olhava, como se quisesse me proteger de tudo.

O quarto estava tranquilo, silencioso, exceto pelo som suave do ar-condicionado. Suspirei profundamente, aproveitando aquele breve momento de paz. Estar longe de toda a tensão de Istambul, dos conflitos familiares, e apenas com Kerim, fazia parecer que o mundo lá fora não podia nos tocar. Pelo menos por um instante, me senti segura.

Levantei-me lentamente, caminhando até a janela. Afastei as cortinas, deixando a luz do sol invadir o quarto. A vista de Midyat se estendia diante de mim: as construções de pedra dourada, as ruas estreitas, e o céu claro criando um cenário de tranquilidade. Respirei fundo, tentando absorver aquele sentimento de calma. No entanto, uma pontada de inquietação começou a crescer dentro de mim. Algo não parecia certo. A paz era superficial, e eu podia sentir uma tensão subjacente no ar, como se algo estivesse prestes a acontecer.

Antes que eu pudesse refletir mais sobre isso, um som atrás de mim me fez virar bruscamente. A porta do quarto se abriu devagar, e meu coração deu um salto no peito quando vi Elif entrando. Ela estava impecavelmente vestida, como sempre, mas seu rosto trazia uma expressão de determinação fria, quase ameaçadora.

— Elif? O que está fazendo aqui? — perguntei, sentindo meu corpo se enrijecer. Era raro Elif aparecer sem avisar, e a maneira como ela me olhava me deixou ainda mais alerta.

Ela fechou a porta com calma, os olhos fixos nos meus, enquanto dava alguns passos à frente. Cada movimento dela parecia cuidadosamente calculado, como se estivesse se preparando para uma batalha.

— Precisamos conversar — disse ela, a voz baixa, mas afiada, como se carregasse um peso que ela sabia que eu não estava pronta para suportar. — Sobre Kerim. E sobre você.

Meu coração acelerou. Algo dentro de mim sabia que aquela conversa não seria nada agradável. Elif sempre foi uma ameaça silenciosa, alguém que eu sabia que não deveria subestimar. Ainda assim, não esperava que ela viesse até mim assim, de forma tão direta.

— O que você quer dizer com isso? — perguntei, tentando soar firme, mas a inquietação já tomava conta de mim.

Elif se aproximou ainda mais, parando bem na minha frente. Seus olhos estavam fixos nos meus, mas havia algo sombrio ali, algo que me deixava em alerta.

— Meu avô — começou ela, e só o som do nome de Hazar Aksoy fez meu estômago se revirar — foi procurar Kerim. E você pode imaginar o que isso significa, não pode?

Fiquei em silêncio, mas meu corpo inteiro ficou tenso. Eu sabia que Hazar Aksoy era um homem perigoso, manipulador, disposto a qualquer coisa para alcançar seus objetivos. Mas o que ele poderia querer com Kerim agora? Será que ele faria algo contra nós?

— O que ele quer? — minha voz saiu baixa, hesitante. O medo começava a subir pela minha espinha.

Elif me olhou com um sorriso amargo, como se estivesse esperando aquela pergunta.

— O que ele sempre quis: poder. Controle sobre Kerim e tudo que ele representa. E você... — ela apontou para mim, com uma mistura de desdém e piedade em sua voz — é o maior obstáculo no caminho dele.

Minha respiração falhou por um segundo. Eu podia sentir o pânico crescendo, o medo se enraizando dentro de mim. Hazar estava disposto a me destruir para alcançar o que queria? Ele estava chantageando Kerim? Minha mente começou a girar, tentando processar a gravidade da situação.

— O que você está dizendo, Elif? — exigi, minha voz um pouco mais firme, tentando manter o controle. — Fale logo.

— Ele ameaçou sua vida, Camila. — A frase saiu fria, direta, como se ela estivesse apenas relatando um fato. — Meu avô disse a Kerim que, se ele não fizer o que foi exigido, você pagará o preço. Ele está usando você para manipular Kerim.

Meu mundo parou. Senti minhas pernas fraquejarem, e tive que me segurar na beirada da cama para não cair. A ideia de Hazar ameaçar minha vida, de usar isso contra Kerim, me deixou em choque. Meu coração disparou, e a adrenalina correu por meu corpo enquanto o medo se misturava com a incredulidade.

— Isso... isso não pode ser verdade — sussurrei, negando com a cabeça, como se isso pudesse afastar a realidade. — Kerim me prometeu que me protegeria. Ele não deixaria isso acontecer.

Elif se aproximou mais um pouco, seus olhos cheios de um brilho sombrio. — Kerim está tentando te proteger, mas você não percebe o que isso significa? Ele faria qualquer coisa por você, até mesmo destruir a si mesmo. Meu avô tem controle total sobre a situação, e se Kerim ceder, ele será destruído. E você... — ela hesitou por um momento, mas o sorriso frio logo voltou aos seus lábios — pode acabar pagando com a vida.

As palavras de Elif eram como um golpe certeiro. A angústia tomou conta de mim. Era difícil respirar, difícil pensar. Tudo que eu conseguia sentir era o medo tomando conta de mim, a dúvida, e a dor que vinha com a incerteza de tudo aquilo.

— Você está me dizendo para ir embora, não é? — perguntei, minha voz fraca, tentando compreender o que ela realmente queria de mim.

Ela riu, mas não havia alegria naquele som. — Se você realmente ama Kerim, precisa pensar no que é melhor para ele. Você é o elo mais fraco aqui. Meu avô vai te usar até não sobrar mais nada de Kerim. Se você continuar ao lado dele, só vai piorar as coisas.

As palavras dela eram como facas afiadas, cortando cada centímetro da minha esperança. Eu estava sufocada pelo medo, pela responsabilidade que parecia maior do que eu podia suportar. Eu amava Kerim. Não conseguia imaginar deixá-lo, abandoná-lo nesse momento. Mas e se Elif estivesse certa?

— E o que você sugere que eu faça? — perguntei, com a voz tremendo. — Desistir dele? Deixar Kerim lutar sozinho?

Ela suspirou, como se tivesse ouvido a pergunta mais ingênua do mundo.

— Sim, Camila. Se você realmente quer protegê-lo, desista dele. Vá embora antes que meu avô faça algo ainda pior.

Eu sabia que ela estava certa em parte, mas a ideia de me afastar de Kerim era insuportável. Meu coração doía, como se estivesse sendo esmagado por uma mão invisível. As lágrimas começaram a se acumular em meus olhos, mas eu as segurei. Não podia demonstrar fraqueza, não agora.

Elif me encarou, esperando uma resposta. Mas eu ainda não sabia o que fazer.

|Contratada para amarOnde histórias criam vida. Descubra agora