Vinte e Cinco

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Kerim

— Onde ela está? — empurrei a porta do quarto do hospital com força, invadindo o espaço sem pensar duas vezes. Minha avó já estava lá, os olhos cheios de preocupação ao me ver entrar com aquela urgência.

— Kerim, acalme-se, meu neto — ela implorou, mas suas palavras pareciam distantes, abafadas pelo som da raiva pulsando em meus ouvidos.

Sem dar atenção à sua súplica, avancei até o leito onde Yusuf estava. Em um movimento rápido, agarrei-o pelo colarinho, a fúria queimando dentro de mim.

— Onde ela está? — repeti, minha voz carregada de uma ameaça que eu mesmo não reconhecia.

— Eu... eu não sei, irmão... — Yusuf balbuciou, a voz tremendo. — Quando acordei, eles já haviam levado Camila.

Malditos! Meu coração batia descompassado, cada palavra dele só alimentando a tempestade dentro de mim. O pânico e a raiva se misturavam, tornando difícil pensar com clareza.

— Como isso pôde acontecer? — grunhi, soltando Yusuf e dando um passo para trás, tentando processar a realidade. A ideia de Camila estar nas mãos de quem quer que fosse me enchia de uma angústia que eu não conseguia controlar.

— Kerim, você precisa se controlar — minha avó agarrou meu braço, a urgência em sua voz tentando atravessar a barreira da fúria que me consumia. Suas palavras, no entanto, soavam distantes, como se viessem de um lugar muito além do meu alcance. — Se Camila foi sequestrada, logo alguém entrará em contato...

— Nós sabemos perfeitamente quem está por trás disso, babaanne — retruquei, minha voz firme e cheia de convicção. Não havia dúvida em minha mente: Aksoy estava envolvido. Ele teria muito a pagar se ousasse tocar em um único fio de cabelo de Camila.

Minha avó me olhou com apreensão, ciente de que a situação estava prestes a explodir. Mas não havia mais espaço para cautela. Eu faria o que fosse necessário para garantir que Camila voltasse sã e salva. E se isso significava enfrentar Aksoy de frente, então que assim fosse.

— Kerim, por favor, não faça nada precipitado! — A voz da minha avó subiu um tom, uma mistura de súplica e desespero que me fez hesitar por um breve momento. Mas a raiva que borbulhava dentro de mim era incontrolável, uma força que me empurrava para a ação.

— Eu não posso ficar parado, babaanne. — Minha voz saiu mais fria do que eu pretendia, refletindo a determinação que crescia a cada segundo. — Se meu tio está por trás disso, ele vai pagar caro.

Ela agarrou meu braço com mais força, tentando me segurar, mas seus esforços eram em vão. O medo em seus olhos quase me quebrou, mas não o suficiente para me deter.

— Kerim, não vá... — Ela suplicou, a voz embargada. — Podemos encontrar outra forma...

— Não há outra forma! — Eu me desvencilhei de seu aperto com um puxão brusco, a raiva me cegando. — Eles levaram Camila, babaanne. Não posso esperar.

Sem olhar para trás, saí do quarto com passos rápidos, minha mente já formulando um plano. A adrenalina corria em minhas veias, alimentada pela fúria e pelo medo. A única coisa que importava agora era encontrar Camila, e quem quer que estivesse por trás desse sequestro pagaria caro por cada segundo que ela passasse longe de mim.

— Kerim? — Elif desceu as escadas quase correndo em minha direção, mas antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, agarrei seu braço com força. Seu rosto se transformou, passando da surpresa à dor em um instante.

— Onde ele está? — indaguei sem rodeios, minha voz cheia de uma fúria mal contida.

— Do que está falando, Kerim? — Elif tentou se soltar, mas minha mão não cedeu.

|Contratada para amarOnde histórias criam vida. Descubra agora