Capítulo 56

356 41 8
                                        

Josh Beauchamp

Eu não dormi direito naquela noite. Qualquer mínimo sinal de som pela casa, era motivo de acordar em alerta. Tentei me manter o mais silencioso possível para que Any conseguisse dormir, ou pelo menos, tentasse.

Vez ou outra, eu me levantava para ter certeza de que Malia estava bem, eu estava em estado de vigilância o tempo todo.

Não fiz barulho ao deixar o quarto e ainda era bem cedo quando decidi sair de casa em busca de respostas.

O endereço piscava na tela do meu celular.

Último cadastro vinculado ao nome de Adan — foi o que o cara da empresa de segurança conseguiu me passar, junto com o histórico de acesso.

Não era garantia de que ele ainda estaria lá, mas era o único lugar por onde começar.

Um nome. Era tudo o que eu tinha. Mas, naquele momento, era o suficiente.

Se ele ainda estivesse lá, eu ia fazer ele falar.

"E se não estivesse?" Fechei o mandíbula, apertando mais o volante.

Então alguém tinha chegado primeiro.

O prédio era pior do que eu imaginei. Antigo e mal iluminado.

Escondido o suficiente para não chamar atenção, mas não o bastante para passar despercebido por quem estivesse procurando.

Estacionei de qualquer jeito e saí do carro.

Meus passos eram rápidos, firmes, mas por dentro... tudo estava em alerta.

Empurrei a porta de entrada e ela estava aberta. Aquilo já não era um bom sinal.

— Ótimo... – murmurei, passando a mão pelo rosto.

Subi os poucos degraus, olhando ao redor. Silêncio.

Nenhum movimento, nenhuma voz. Só aquele vazio estranho.

Parei em frente ao número do apartamento.

Porta entreaberta. De novo.

Respirei fundo, me sentindo ansioso.

— Adan? – chamei, empurrando devagar.

Nada.

Entrei e o ar estava pesado. Parado.

Como se o lugar tivesse sido abandonado rápido demais.

Olhei ao redor com atenção.

Copo na mesa, cadeira fora do lugar e um casaco jogado no sofá.

Sinais de alguém que estava ali, há pouco tempo.

— Droga... – passei a mão pela nuca, frustrado.

Cheguei tarde.

Dei mais alguns passos pelo apartamento, observando cada detalhe.

Nada parecia roubado ou quebrado. Mas tudo estava fora do lugar. Como se alguém tivesse sido interrompido. Ou tirado dali.

Foi quando algo sobre a mesa chamou minha atenção.

Um celular com a tela quebrada mas ainda ligado.

Me aproximei devagar e peguei, a tela acendeu automaticamente com uma mensagem.

Sem contato e sem identificação.

Só uma frase.

"Você demorou."

Senti o sangue gelar.

Soltei uma respiração baixa, olhando ao redor novamente.

Mais atento e mais consciente. Aquilo não era coincidência, era um recado.

Pretty Hurts • BeauanyHistórias para pegar e não largar. Descubra agora