Capítulo 53

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Any Gabrielly

— Olá, Gabrielly. – sorriu, fechando a porta. — Senti sua falta.

— Eu não digo o mesmo. – meu corpo entrou em alerta automaticamente.

— Não seja assim, eu trouxe presentes. – ergueu a sacola em sua mão.

— Eu não quero nada que venha de você. Aliás, quem deixou você subir?

Ele abriu um daqueles sorrisinhos que faziam qualquer pessoa se sentir a mais idiota do mundo.

— Ah, Any, por favor! Eu sou o Mark, eu mandei tirarem um filho de você, acha mesmo que eu não tenho contatos?

Suas palavras me cortaram como uma faca.

— Sai daqui, agora. – ordenei, mesmo que no fundo eu quisesse chorar.

— Calma, eu vim em missão de paz para lhe fazer uma visita.

— Eu não quero a sua visita. Eu quero você longe da minha família.

— "Minha família". – repetiu calmamente. — Você sempre foi obcecada por isso, não é? Ter uma família, ter pessoas que te amam. A dor do abandono nunca deixou você.

— A dor de ter um filho tirado de mim também nunca me abandonou. Você destruiu um sonho, Mark, você acabou com a minha vida.

— Você não teria chegado onde você chegou se tivesse tido aquele filho. Você sabe disso.

— Eu não queria ter chegado onde eu cheguei sem ele. O que me dói todos os dias é saber que eu confiei em você, eu acreditei que havia sido uma fatalidade e que você estava do meu lado na época, que tentou ser meu amigo. – meus olhos queimavam em sua direção.

— Eu fiz tudo por você, Gabrielly, eu te coloquei no topo do mundo! – ele abriu os braços. — Você foi e ainda é a modelo mais cobiçada, você ganhou inúmeros prêmios, as marcas mais famosas brigavam para ter você usando qualquer produto deles, você fez história e tudo isso, graças a mim.

— Você ferrou com a minha vida e você sabe disso. Não só com a minha, mas sim com a de todos os modelos que passaram ou estão naquela agência.

— Vocês são todos ingratos, é isso que vocês são.

— Ingratos? Mark, a sua doença pela perfeição, matou Cindy.

— De novo com esse assunto, meu Deus do céu! – ele passou a mão nos cabelos pretos, irritado. — Eu não a matei, Gabrielly.

— Ah não? – cruzei os braços.

— É claro que não! – afirmou.

— Mark, você adoece as pessoas. Você me encheu de traumas e inseguranças, você me fez parar de comer uma porção de coisas por conta dessa maldita medida perfeita que você insiste em dizer que existe.

— Você é repetitiva. – ele estreitou os olhos para mim. — Eu não vim para brigar com você. Vim para conhecer a sua filha, como ela se chama mesmo?

— Se você chegar perto dela... – eu queria muito me levantar, porém, uma dor aguda me impediu.

— Você não vai fazer nada. – ele sorriu e se aproximou do berço. — Malia. –leu o nome na pulseira em seu braço. — É um nome bonito.

— Mark, sai daqui ou eu vou fazer um escândalo. – algo salgado estava invadindo a minha boca e eu com certeza não poderia estar tão nervosa quanto eu estava.

Ele fingiu pensar.

Eu odiava o cinismo daquele homem. Aliás, eu o odiava por completo.

— Tudo bem, vá em frente. Você irá fazer um escândalo e chamar a atenção do hospital inteiro somente porque o seu ex empresário veio lhe fazer uma visita para conhecer a sua filha e trouxe até presentes? Isso é realmente algo muito grave. – sorriu.

Pretty Hurts • BeauanyHistórias para pegar e não largar. Descubra agora