030- Natal

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030 – Natal

A luz tímida do sol de inverno invadiu o quarto pela brecha aberta que existia entre as cortinas, lançando uma luz fraca no cômodo. Harry se mexeu levemente, a claridade incomodando seus olhos.

Lentamente, sua mente sonolenta começou a funcionar, fazendo-o despertar lentamente. O garoto segurou um suspiro irritado. Não queria levantar-se ainda. O calor das cobertas, e dos corpos das garotas envolta de si era convidativo, e o desencorajava a sair dali.

Ele esperava que pudesse simplesmente se manter de olhos fechados e voltar a dormir.

Quando esperava conseguir dormir novamente, a porta de seu quarto foi aberta com estrondo, fazendo com que o jovem bruxo pulassem de susto. Harry rapidamente se ergueu numa posição sentada olhando para direção da porta.

Ele tinha que admitir, no entanto, que não estava exatamente enxergando a situação como deveria sem seus óculos.

—Por que vocês ainda estão deitados!? — A voz impaciente de Astória ecoou pelo quarto, e instintos de alerta de Harry se acalmaram novamente. Em sua visão, Astória nada mais era que um borrão que se movia rapidamente para cima e para baixo.

Ela estava pulando de entusiasmo. Entusiasmo que lhe faltava, e o fazia querer voltar a dormir. Um resmungo soou ao seu lado, e Harry olhou para baixo. Devido estar perto, pode distinguir Daphne se mexer preguiçosamente, enquanto abria os olhos.

—Provavelmente porque é cedo demais para estar pulando pela casa. — Reclamou a Greengrass mais velha, num tom cortante. Sua mão rapidamente procurou a roupa de Harry segurando a mesma. Seus olhos, no entanto, não se abriram.

Harry suspirou, sabendo que dificilmente conseguiria voltar a dormir. Se esticou por cima de Lyra e Susan, e pegou seus óculos na mesa de cabeceira. Ao colocá-los, viu uma Astória ainda de pijama, com o cabelo arrepiado, e parecendo um misto de irritação e ansiedade.

Harry achou curioso que Flitz estava no ombro de Astória, parecendo tão agitado quanto a dona. O Kneazle lançou um olhar indagador para o jovem, como se tentasse entender por que ele não estava animado.

—Hoje é natal! Nossos presentes já estão debaixo da arvore para abrirmos! — Exclamou, inflando as bochechas, ação que Harry achou extremamente fofa.

Ele riu, já estando mais desperto, enquanto se levantava. Daphne resmungou algo, mas lentamente se levantou. Lyra e Susan se mexeram, mas não deram sinais de que acordariam naquele momento.

Ele trocou um olhar com Daphne, que mantinha uma expressão levemente aborrecida em seu rosto. Sem dizer nada, a garota loira marchou em direção ao banheiro, batendo a porta ao entrar.

—Barulho... — Harry ouviu Susan resmungar, e ao olhar, viu que a ruiva havia escondido o rosto com o travesseiro.

O garoto não pode deixar de uma leve risadinha. Harry balançou suas pernas paras fora da cama, seu corpo estremecendo levemente quando seus pés entraram em contato com o chão frio. Rapidamente, achou seus chinelos e os calçou, sentindo um leve alívio quando o contato com o chão gélido cessou.

—Nós já vamos Tory. — Ele comentou para a menina energética, que acenou em consentimento entre um pulo e outro.

Assim como entrou, Astória saiu do quarto, os barulhos de seus passos ecoando pelos corredores da mansão ancestral dos Potter. Harry olhou pela janela, aproveitando a brecha que existia entre as janelas.

Os jardins e campos em volta da mansão estavam cobertos de neve, criando uma gigante imensidão branca. Harry, que nunca pôde brincar na neve —afinal, a possibilidade de ele se divertir causaria pânico em Tio Valter e Tia Petúnia—, se pegou imaginando como seria a sensação de tocar na mesma.

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