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Capítulo 48

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Alfonso jamais imaginou que um pequeno movimento do bebê pudesse despertar tanto dentro dele. Era uma mistura de surpresa, alegria, talvez até um pouco de espanto, mas na verdade era nada mais nada menos que puro e sublime amor. Recordou de suas pesquisas constantes no chat GPT:

"Tamanho do bebê de 17 semanas";

"17 semanas são quantos meses?";

"Com quantas semanas os enjoos diminuem?";

"É normal o bebê não se mexer? ";

"Com quantas semanas o bebê pode ouvir a voz dos pais? ",

E ele não havia lido nada sobre como funcionava a construção do amor por um filho. Sim, porque teoricamente para a mãe, que passa pelo processo de gestação, soaria como algo natural, um sentimento que nasce e cresce com o desenvolvimento do pequeno ser dentro de si. Para o pai costuma ser diferente, o amor também cresce, mas talvez de uma forma menos visceral. O vínculo se constrói aos poucos, em pequenos instantes que, de repente, mudam tudo.

Mas como não perceber que já amava aquele bebê de maneira tão profunda, quando aquele pequeno chute fora suficiente para lhe arrancar algumas lágrimas?! Ou melhor, como não se emocionar ao sentir o milagre da vida pulsando e mostrando que já se movia e respondia a estímulos do mundo aqui fora? Alfonso interpretou aquele movimento como uma mensagem silenciosa: papai, você voltou; papai, estou aqui.

Anahí: Você está chorando?! – Ela riu quando avistou a primeira lágrima escorrer.

Alfonso: Nós vamos mesmo ter um filho. – Constatou, a respiração até se tornara difícil.

Anahí: Só caiu a ficha agora? – Riu outra vez. – Olhe para a minha barriga amor, não estou redonda de tanto comer bolo. Foi de tanto você me comer. – Soltou, acompanhada de uma gargalhada gostosa.

Alfonso: Será que ele já ouve? Você está ouvindo o seu papai? – Perguntou, com os lábios próximos da barriga dela, onde depositou um beijo logo depois. – Se estiver, vamos ter que lavar a boca da sua mãe. – Ele riu e roçou o nariz sobre a pele do ventre, onde sentiu outro movimento, dessa vez mais forte.

Anahí: Aí. – Proferiu, mas não necessariamente por sentir dor, e sim pelo "susto", uma vez que não estava acostumada com um bebê agitado. – Ele nos ouve, céus, o tanto de baixaria que eu disse ainda a pouco no seu ouvido. – Levou a mão até a boca, ruborizada.

Alfonso: Nossa sorte é que nos escuta, mas não entende. – Gargalhou. – Mas para garantir, seremos mais cuidadosos a partir de agora. Não quero que ele escute você me pedindo pra bater na sua bunda, principalmente porque esse é um dos pedidos mais "leves".

Ambos riram, se abraçaram, se acolheram e se encolheram em uma conchinha. Ele por trás, cheirando seus cabelos como de costume, o nariz enfiado próximo a nuca para sentir também o cheiro da pele, as mãos passeavam no ventre dela, acariciando-a e ao mesmo tempo arrancando sorrisos, principalmente quando os dedos se aproximavam muito do umbigo, já um tanto proeminente, ali ela sentia cócegas.

Anahí não sabia, mas Alfonso viera decidido a levá-los consigo dessa vez. Ela, seu bebê ainda sem nome, o sogro, a bola de pelos e sua descendência canina. Trabalhara com afinco nos últimos meses, não era fácil conciliar a rotina do seu trabalho com a obra de grande proporção que se dispôs a fazer. Não era algo tão simples como comprar uma casa ou apartamento, decidir quantidade de quartos ou a paleta de cores, não era uma construção, mas sim uma reprodução. Precisou tirar fotos, medidas e até levar arquitetos na casa de Arthur, sem que Anahí percebesse.

Refém do DesejoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora