A sala estava cheia de caixas, algumas já fechadas e outras ainda abertas sobre o chão. Anahí passara os últimos dias selecionando os itens que levaria na mudança que se aproximava. Ainda tinha muitas coisas a resolver, mas Alfonso se dispusera a ajudá-la com os fornecedores da confeitaria, deixando-os ciente que Charles ficaria responsável pelas demandas do empreendimento e também os tranquilizando sobre as contas a pagar, uma vez que Anahí continuaria honrando com seus compromissos, mesmo distante.
Ela já havia conversado com Arthur sobre os próximos passos que tomariam, não tão incisivamente, para não o assustar, mas com cautela, uma vez que era impossível esconder o amontoado de caixas que tomavam os corredores da casa.
Enquanto ela estava sentada no chão, dobrando as toalhas de mesa e panos de prato, Arthur folheava um álbum de fotografias antigas.
Anahí: Pai, lembra que te falei da mudança? – Perguntou, quebrando o silêncio.
Arthur: Mudança? – Arqueou a sobrancelha e Anahí respirou fundo, era a terceira vez que conversavam sobre o assunto.
Anahí: Sim, vamos nos mudar pra Londres. Eu e você. – Pontuou.
Arthur: É muito longe? – Perguntou, curioso.
Anahí: Fica na Europa, costuma ser um lugar frio e cinzento. – Mostrou a língua. – Mas tem suas vantagens, os serviços de saúde e educação são de altíssima qualidade. Lia terá acesso a ótimas escolas. Vou te levar em museus, galerias, você vai adorar.
Arthur: E porque vamos para tão longe? – Continuou as indagações.
Anahí: Para ficarmos perto do pai da Lia, é onde ele trabalha e como não pode vir morar com a gente, nós vamos até ele.
Arthur: E porque eu tenho que ir?
Anahí: Porque assim como a Lia não pode ficar longe do pai dela, eu também não posso e nem quero ficar longe de você.
Arthur: A sua vó também vai? – Devolveu e Anahí engasgou.
Ela demorou alguns segundos para responder, e Arthur a olhava de forma curiosa.
Anahí: Ela gostaria muito que a gente fosse.
Arthur: Ela sempre quis viajar, mesmo com medo de altura. – Brincou, suavizando o clima que se instalara.
Anahí: Sim, ela queria. – Disse, passeando os olhos nas fotografias espalhadas pela sala.
Arthur: Então temos mesmo que ir. – Concordou sorridente. - Vou só beber água e volto para lhe ajudar a fechar essas caixas. – Disse e Anahí assentiu.
Arthur deixou o álbum sobre a pequena mesa de centro e caminhou em passos lentos até a cozinha, foi direto até o filtro e serviu um copo generoso de água, depois de tomá-lo voltou até a sala e viu a filha lacrando uma caixa com a fita adesiva.
Arthur: O que aconteceu aqui?
Anahí suspirou, olhou para o pai e percebeu que aquela conversa se repetiria mais uma vez. Depois de convencê-lo novamente de que aquela mudança só traria benefícios, ela decidiu que já estava cansada demais, suas costas doíam, e também não precisava de tanta pressa, afinal ainda ficaria algumas semanas na cidade.
Ela já estava fechando a última caixa que se dispôs a terminar, quando Arthur recordou de algo que há tempos havia esquecido.
Arthur: Oh...Lembrei de algo que quero levar. – Ele massageou a testa. – Espere um minuto.
Arthur olhou para as escadas que para ele se tornara um desafio, agarrou-se no corrimão e cautelosamente subiu até seu quarto. Anahí o observou naqueles degraus e logo percebeu que o pai já apresentava uma certa dificuldade de mobilidade. Algo preocupante para ela.
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Refém do Desejo
Fan-FictionUm gemido rouco ecoou no quarto de hotel, o êxtase puro e sublime do encontro de dois corpos que se deliciavam, enquanto sucumbiam aos próprios instintos. Os lençóis de seda egípcia, aninhavam agora, as pernas enlaçadas, gesto que se transformara no...
