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Capítulo 52

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Ainda de longe, Alfonso sentiu o sangue lhe subir à cabeça ao avistar aquela cena. O percurso do carro até a porta da casa de Arthur nunca pareceu tão próximo, em segundos ele já estava diante de Anahí e daquele homem que lhe causava repulsa, que era o culpado dos sentimentos mais hostis que já pode sentir.

Ele sabia que Anahí estava amedrontada, os ombros retraídos e seu semblante denunciavam como a presença daquele homem a fazia mal. E vê-la daquela forma, com Jamie aportando o dedo para o lugar onde estava sua filha, fora suficiente para que ele praticamente voasse instintivamente para protegê-las.

Bastava um passo, apenas um passo para alcançar Jamie com um soco. Seu maxilar estava travado, os olhos fixos nele. As veias em seu pescoço pulsavam com tanta força que a raiva parecia algo palpável. Antes que pudesse avançar, sentiu dedos trêmulos e gelados se fecharem em sua mão.

Anahí: Por favor... – A voz saíra quase em um sussurro. – Não faz isso, por favor não faz nada.

Anahí estava com medo. Um medo antigo e profundo, medo que qualquer movimento em falso terminasse em desastre. Jamie violou a medida protetiva, mas agressão também era crime. E ela não suportaria ver Alfonso ser penalizado por algo que, em sua cabeça, seria sua culpa.

Anahí pressionou a mão sobre a dele, na tentativa de acalmá-lo, quando ela também precisava de calma. Pelo bem dela, de Lia que estava agitada em seu ventre, e de Arthur que observava a cena em completa confusão.

Jamie observou a mão de Anahí sobre a de Alfonso, e um sorriso lento surgiu em seus lábios.

Jamie: Então é você que manda agora? – Perguntou, fitando-a. – Basta pedir e ele senta?

Alfonso não se moveu. E o sorriso de Jamie se alargou.

Jamie: Eu sabia, você não vai fazer nada.

A voz convencida soava como berros no ouvido de Alfonso. Uma provocação ensurdecedora. Mas ele permaneceu quieto, administrando os próprios instintos, que pediam, quase imploravam, por uma reação violenta.

Jamie olhou para Alfonso por alguns segundos, esperando que reagisse, fosse com um soco, um desaforo, qualquer coisa. Mas não recebeu nada.

Então direcionou o olhar para Anahí, que continuava segurando a mão de Alfonso, por não ousar soltá-lo, nem por um segundo.

O silêncio já o irritava, era pior que um insulto.

Com a mão livre, Alfonso massageou as têmporas, puxou o ar dos pulmões e só então o respondeu.

Alfonso: Não Jaime, eu não vou fazer nada. Você já fez o suficiente por nós dois.

O sorriso de Jamie vacilou.

Alfonso: A única pessoa que vai pagar pelo o que aconteceu aqui hoje, é você. E respondendo a sua pergunta, sim, é ela que manda aqui.

Jamie absorvia as palavras dele, em completo silêncio.

Alfonso: Agora que respondi sua pergunta, quero que saia da minha frente e aproveite seus últimos momentos de paz. Porque a partir de hoje, eu vou infernizar a sua vida até você desejar nunca ter me conhecido.

Jamie: Isso não seria nada diplomático da sua parte. – Ironizou, visivelmente estremecido após ouvi-lo.

Alfonso: Você não mexeu com meu país, mexeu com a minha mulher. E acredite, seria melhor pra você que tivesse sido o contrário.

Pela primeira vez desde que chegara, Jamie não encontrou uma resposta imediata. Não que estivesse temeroso, mas porque percebia que Alfonso havia contornado e controlado a situação - algo que ele próprio costumava fazer com maestria.

Refém do DesejoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora