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Capítulo 49

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Alfonso estava nervoso, a tensão pela próxima descoberta o deixou de maxilar enrijecido. Anahí nunca precisara de cerimônias, não seria diferente naquele momento. Antes mesmo que pudesse assimilar a decisão dela, já a viu partindo a primeira fatia do bolo.

A primeira reação foi fechar os olhos para prolongar a sensação de suspense ou apenas manter a curiosidade por mais alguns segundos. Mas para a surpresa dele, não precisou muito mais que poucos segundos para ouvir a voz estridente de Arthur.

Arthur: Sweet child, sweet child of mine. – A voz saíra mais alto que o esperado, entoando por toda a cozinha. – Teremos mais uma Ana. – Finalizou, antes de se aproximar dos dois.

Anahí abriu um sorriso largo quando sentiu a mão do pai tocar seu ventre, sua menina, agora tão saltitante, parecia perceber a felicidade genuína que emanava do mundo lá fora. Alfonso não demorou muito antes de puxá-la para um abraço sufocante, não poderia descrever em palavras como sentia-se completo ao lado dela, e muito em breve, delas.

Arthur também participou daquele abraço, os três riam, muito emocionados. Alfonso nunca fora de se comover tanto, precisou da ajuda dela para conter as lágrimas que escorriam com rapidez em sua face, para ele soava até um pouco estranho a sua atual vulnerabilidade.

E era apenas o início do ofício mais importante de sua vida: ser pai.

Anahí desfez o abraço coletivo, pois ainda tinham uma questão importante a resolver.

Anahí: Temos que decidir o nome dela, e essa função deixei pra você. – Apontou para Alfonso que aos poucos conseguia terminar de enxugar o rosto encharcado.

Alfonso: Eu já tinha pensado em vários, mas não tem como ser outro. – Voltou a mão para a barriga dela, enquanto encarava o olhar curioso de Arthur. – Nossa filha terá o mesmo nome de sua avó, Lia, nossa bebê Lia. – Enfatizou.

Arthur demorou alguns minutos para se situar diante de tanta emoção. Sorriu ao ver surgir em sua mente, uma após a outra, as inúmeras imagens trazidas à tona ao ouvir o nome de sua mãe. Fragmentos da filha correndo no meio da sala, tentando escapar da sessão de cócegas da avó. Outros em que Lia fazia um curativo no joelho da neta, que havia tropeçado em um tijolo durante uma de suas aventuras pelo quintal.

Tinha a ligeira impressão que aqueles eventos haviam se passado dias - talvez horas antes, de tão vívidas que permaneciam suas lembranças, caso se esforçasse, poderia até sentir o cheirinho de camomila que exalava dos cabelos da menina. Quando pequena, Lia costumava lavá-los com chás e essências, convencida de que aquilo os manteria loiros.

Arthur sorriu outra vez, costumes de avó.

Anahí: Um bom nome, o melhor, na verdade. – Concluiu satisfeita, depois abraçou Alfonso, tão apertado que pode ouvir um gemido escapando dos lábios dele.

Alfonso: Cuidado com a bebê amor. – Pediu aos risos. – Você vai esmagá-la. – Veja Arthur, peça pra ela ser cuidadosa com sua neta.

Arthur: Se Ana for boa mãe, igual é boa filha, Lia será tão sortuda quanto eu fui. – Aproximou-se de Anahí e lhe salpicou um beijo na testa. – Agora por favor, me sirva um pedaço de bolo, estou faminto.

Anahí riu, e prontamente atendeu o pedido do pai.

Os três continuaram na cozinha por mais um longo tempo, Anahí precisou repreender o pai para que não comesse o bolo inteiro e Alfonso mal podia se conter de ansiedade, precisava compartilhar com ela sobre seus planos futuros. Ansiava por saber como ela reagiria diante da perspectiva que traçara para eles não só como casal, mas como família.

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