Alfonso não lembrava da última vez em que estivera tão atarefado. A mudança era muito mais complexa do que havia imaginado, não se tratava apenas de encaixotar objetos. Na verdade, se dependesse apenas dele, Anahí não precisaria levar absolutamente nada. Ele se encarregaria de mobiliar a casa e até renovar todo o seu guarda-roupa, se assim ela desejasse. Mas Arthur precisava se sentir em casa, e isso justificava o fato de Anahí insistir em levar até os tapetes.
No fundo, aquilo não o preocupava.
O que realmente lhe tirava o sono era Jamie.
O fato de ainda não ter acionado a polícia permanecia engasgado em sua garganta. Sentia o sangue ferver ao relembrar de Jamie tripudiando da sua cara, e o pior, sem que pudesse reagir da forma que ele merecia. Mas como havia dito a Anahí, ele não precisava colocar um dedo em Jamie.
Isso não significava que ficaria de braços cruzados.
Alfonso passava horas e horas dos seus dias pesquisando biografias de jornalistas investigativos. Lia matérias, acompanhava reportagens e observava atentamente a linha de raciocínio de cada profissional. Utilizou até mesmo o sistema da embaixada para descobrir se algum deles respondia processos por violação do código de ética, danos morais, ou qualquer outra acusação que o impedisse de se sentir seguro o suficiente para entregar o material que possuía.
Ele havia tomado uma decisão difícil. E não haveria volta.
Para entender os próximos passos de Alfonso, é necessário voltar no tempo. Porque ele já trabalhava naquilo a meses, sem que Anahí desconfiasse.
Jamie participava de um esquema gigantesco de venda de sentenças. Fizera do sistema judiciário o seu comércio. Sua secretária, até então de confiança, entrava em contato com os advogados das partes cujos processos ele era responsável por analisar e julgar. Dependendo da quantia oferecida, Jamie aliviava a pena ou simplesmente arquivava o caso.
Tudo era feito com extrema cautela, de modo que a parte prejudicada não culpasse o juiz, mas a lentidão da justiça. Mas, para o azar de Jamie, nem todos os clientes saiam satisfeitos daquele acordo. No início, as conversas não passavam de burburinhos, uma reclamação aqui, um telefonema mais ríspido ali. Até que os próprios beneficiários começaram a se sentir lesados.
Jamie perdeu o controle.
A secretária passou a sofrer ameaças, uma vez que ele se recusava a atender os clientes que não tinham mais nada a oferecer. Assustada, desabafou com uma colega de trabalho.
Que contou ao marido.
Que contou a um amigo.
Que contou a um vizinho.
E que, por fim, contou a Cris, amigo pessoal de Alfonso.
E essa era a carta na manga.
Alfonso hesitou inicialmente, uma acusação como aquela não poderia ser feita baseada apenas em fofocas. Ele precisava de provas, provas contundentes. Mas Chris demonstrava extrema confiança no que dizia, e conhecendo o amigo, ele não seria leviano ao ponto de propor uma denúncia com essa proporção sem respaldo algum.
Então o primeiro passo foi dado, sem plateia e com conversas curtas, quase secretas. Chris conseguiu chegar até o primeiro elo de Jamie, sua secretária. Não foi difícil arrancar a confissão dela, as provas físicas vieram logo depois. Extratos bancários, notas frias, e-mails e mensagens trocadas nos dias que antecediam os julgamentos. Um verdadeiro quebra-cabeça que Alfonso, com a ajuda do amigo, fora capaz de montar.
De posse desse dossiê, Alfonso foi pessoalmente até a sede do Conselho Nacional de Justiça. E manteve a cópia de todos esses arquivos para usar no momento certo. Na instituição, o servidor abriu um protocolo eletrônico. Mas não antes de questionar se Alfonso conseguira aquelas provas por vias legais, afinal, não era comum receber denúncias direcionada a algum magistrado.
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Refém do Desejo
FanficUm gemido rouco ecoou no quarto de hotel, o êxtase puro e sublime do encontro de dois corpos que se deliciavam, enquanto sucumbiam aos próprios instintos. Os lençóis de seda egípcia, aninhavam agora, as pernas enlaçadas, gesto que se transformara no...
