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Capítulo 51

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Anahí não esperava que Jamie fosse capaz de procurá-los após conseguir o deferimento de sua medida protetiva. Para ele aquela decisão judicial não passava de um mero protocolo, porque diante de tanta influência e privilégios – mesmo afastado de seu cargo -, sentia-se acima da lei, intocável.

Principalmente por ter acesso aos melhores advogados, que reiteravam que o pedido de Anahí fora baseado em exageros e mágoas, causadas pela frustração do término dos dois.

Jamie olhava para Anahí e via uma marionete sem cordas, uma vez que perdera o controle sobre ela, não conseguia manipulá-la. Também teve oportunidade de brincar com o imaginário de Alfonso, que do mesmo modo não cedeu ao seu jogo.

Por essa lógica, só restava Arthur, a maior vulnerabilidade dela.

Anahí: O que você faz aqui? – Perguntou firme, ainda incrédula.

Jamie: Não vai me dar um abraço? – Perguntou, como se fosse um velho amigo.

Anahí: Pai...Como ele entrou aqui? – A voz saiu baixa, precisava manter o controle.

Arthur franziu a testa.

Jamie: Seu pai ficou feliz em me receber. – Cruzou as pernas, mal pudera conter o sorriso ao vê-la. – Que barriguinha linda, Ana. – Apontou, e Anahí cobriu o ventre com as mãos.

Anahí: Não me chame assim. – A resposta foi instantânea.

Jamie levantou os braços, em rendição, em uma falsa rendição. Anahí estava perdendo a paciência

Anahí: Vou perguntar outra vez, o que faz aqui? – Ralhou.

Arthur: Ele disse que é seu amigo, mas você está assustada. – Olhou para Jamie que sorria e para Anahí que parecia pálida demais.

Anahí: Pai, estou bem. Só não gosto de receber visitas inesperadas. – Contornou, não queria preocupá-lo.

Jamie: Anahí está certa, eu deveria ter avisado. Mas não tive como, você troca de número como quem troca de roupa. – Ironizou.

Anahí: Talvez por ter sido muito importunada por alguém que não cansa de infernizar a minha vida. – Cuspiu.

Arthur: Quem está importunando você? – Ele perguntou, tentando se ater aos detalhes daquela conversa que se tornara ríspida, mas Anahí não respondeu.

Anahí: Jamie tenho certeza que a conversa com meu pai foi prazerosa, consigo ver nos seus olhos o quanto está satisfeito. Mas dada as circunstâncias preciso lembrar que você não deveria estar próximo a mim, então mais uma vez, o que faz aqui?

Jamie: Como é difícil dialogar com você, hum?! Então, vim para contar ao seu pai a causa do nosso término. Por algum motivo acredito que saí como vilão da história, pois a princípio Arthur ficou muito incomodado, até desconfiado com a minha presença. O que me deixa um pouco surpreso, pois pelo o que lembro, não dei motivos para que você me deixasse, pelo contrário, eu precisei deixar você. – Desdenhou, Anahí sentia sua face arder, tamanho a raiva pelos absurdos que ele proferia.

Ele não seria capaz de falar...

Jamie: Depois de conversamos bastante, tive a certeza que ele não sabe o que me fez te deixar, que você não contou a verdade. Mas não vou te julgar, não deve ser fácil confessar para o próprio pai que era uma prostituta. Disso você não sabia, não é Arthur?

Sim, ele seria.

Anahí se calou, não teve coragem o suficiente para levar o olhar até o pai. Ela claramente poderia negar as muitas mentiras que Jamie dissera naquela sala, mas não aquela. Ele não mentiu quando disse que a deixou, mas mentiu sobre os verdadeiros motivos.

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