Dipper ficava fraco a cada dia. Os quatro irmãos tinham-se escondido com ele num abrigo improvisado na floresta, protegido com feitiços para que os irmãos Pines não os encontrassem.
E todos os dias, Bill sentava-se ao seu lado, transferindo energia, sem nunca sair de lá. Mas enquanto enfraquecia, o humano piorava. Não era o suficiente. Ele não era o suficiente. E isso cavava uma cova em seu coração. Figurativamente, no seu case.
Will tinha passado esses dias a chorar. Bia apenas o podia consolar e manter a barreira. E Kill tratava de encontrar alimento.
Era quase patético. Quatro demónios interdimensionais desamparados por causa de um humano, os seus poderes inúteis perante a vida frágil e cada vez mais ténue.
A aura que rodeava Bill tremeu, e ele abriu os olhos, exausto. O seu irmão mais novo empurrou um prato de comida na sua direção.
- Ainda estás fraco. Precisas de comer.
Mas o de amarelo não largou a mão de Dipper.
- Não consigo acordá-lo... Antes, eu podia fazer tudo. Agora... não consigo sequer curá-lo. - Lágrimas queimaram os seus olhos, e Bill virou a cara para o outro lado.
Will assistia de lado. A alma do humano estava segura por um fio. Se ele tentasse intervir, não controlando bem os seus poderes, o fio podia partir. Bia e Kill não podiam fazer nada. Todos no quarto sentiam-se impotentes.
O de azul suspirou. - Pode... ainda haver uma chance...
Isso chamou a atenção da sala toda.
- Uma... chance? - Kill levantou-se. A culpa que sentia ainda era forte. Até porque, ainda que humanos não lhe importassem muito, ele tinha sido a causa disto tudo. A causa da dor dos seus irmãos, especialmente Bill, e não havia nada que ele não estivesse disposto a fazer para remendar a situação.
- Sim, mas-
As mãos de Bill seguraram o demónio mais velho pelos ombros. - Will, diz-me. Por favor. O que quer que seja, não deve ser pior do que isto. Se é possível salvar Dipper, eu... Eu aceito. - Ele ecoou os pensamentos de Kill.
- Eu também. - Bia assentiu com a cabeça.
Kill cruzou os braços. - Todos nós aceitamos.
Will mordeu o lábio e assentiu de volta. - Eu sabia que iam dizer isso. Mas... pode ser um pouco demais.
- Will...
- Sim, okay. Eu vou... preparar o ritual.
O pequeno levantou-se e começou a produzir velas, dispondo-as ao redor de uma matriz desenhada com gesso. Vendo-o trabalhar, antecipação tomou conta do peito de Bill, distraindo-o da preocupação por um momento.
Os seus olhos amarelos voltaram-se para Dipper. O seu rosto, pálido e suado, com olheiras profundas, traia a dor que ele sentia, ainda que inconsciente. A ferida tinha cessado de sangrar graças aos esforços do demónio, mas não conseguia fechar. O seu cabelo castanho estava atirado para todos os lados, desgrenhado pelas poucas vezes em que ele se mexia de dor e a falta de coragem de Bill de o pentear, e as roupas ainda eram as mesmas desde a última vez que estiveram na cabana, a t-shirt perdida para uma melhor visão do ferimento.
Bill lembrava-se daquele dia, que tinha começado como qualquer outro. Acordaram juntos, fizeram o pequeno-almoço juntos com Will, viram TV e jogaram jogos. Apenas para o sol se por e tudo dar para o torto.
Dipper tinha-se sacrificado por Bill, para o proteger. O demónio desejava que tivesse sido ele em vez disso. Talvez a sua vida não fosse tão frágil. Talvez ele conseguisse recuperar-se mais facilmente. E Bill já tinha experiência em estar no limbo entre a vida e a morte. Dipper provavelmente estava assustado e em sofrimento e confuso e agitado e não havia nada que pudessem fazer a não ser esperar por um milagre.
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Eternamente meu
Fiksi PenggemarE se, quando Bill capturou Ford, também tivesse capturado Dipper durante o Estranhagedon? Aquele ódio que Dipper pensava que Bill sentia, na verdade, não passava de curiosidade, e é essa curiosidade que desperta nele sentimentos confusos. Este é o m...
