Passaram-se algumas semanas. Os poderes de Bill continuaram a crescer, voltando ainda mais rapidamente. Ele decidiu começar a participar em sessões de yoga para se manter calmo e controlado. É incrível o que terapia consegue fazer.
Uma noite, enquanto ele, Dipper, e surpreendemente, Will dormiam os três abraçados, um clarão veio de fora da janela, despertando os demónios primeiro.
O loiro trocou um olhar com o pequeno.
‐ Will... O que é isto?
-Não sei... Acordamos o Dipper?
Bill pensou por um bocado antes de acariciar o namorado e acordá-lo com um beijo.
- Pinheiro, acorda, por favor.
Espreguiçando-se, o moreno abriu os olhos.
- Já é de dia? Porque está tanta luz?
- É isso que vamos descobrir. Desculpa por te acordar, mas eu quero ter a certeza de que, seja o que for, não te magoa.
Dipper assente com a cabeça e levanta-se com eles. De pijama e vestindo um casaco, ele segue os outros dois, e eles saem da cabana para o pátio.
Estva tudo em chamas, mas o fogo não se propagava nem soltava fumo. O humano abraçou-se ao braço do demónio loiro.
- Bill...
-Não pode ser...
Das labaredas, duas figuras formaram-se e aproximaram-se. Uma de vermelho e outra, mais baixa, de amarelo.
Os olhos de Will cintilaram, e ele correu para elas.
- Irmãos! Chegaram!
Ele abraçou a garota, mas a primeira coisa que o de vermelho fez foi rosnar e investir com um soco na direção de Bill. Este desviou, mas não atacou de volta.
- Seu idiota! O que raio?! Quase morreste!
O demónio loiro franziu as sobrancelhas.
- Mas não morri.
- Preferiste um humano a nós?!
- Vocês é que só apareceram agora.
- Nem para mandar um sinal?!
- Os meus poderes não estavam disponíveis.
A calma dele só irritava mais Kill, que completamente ignorava o humano entre eles.
- Eu deveria matar-te, seu filho da-
- Nós temos a mesma mãe. - Bill cortou e cruzou os braços. - E não digas palavrões à frente de Will.
Will, Bia e Dipper assistiam a discussão com diferentes níveis de preocupação.
Por alguma razão, Dipper decidiu intervir.
- Eu... Eu sei que não tenho opinião no assunto... Mas Bill mudou. Ele quer a sua família de volta tanto quanto vocês. Por isso, por favor, não discutam...
Finalmente, Kill reconheceu a sua presença.
- ... O que é que um simples humano tem que ver com o assunto? És escravo dele?
- Ele realmente fica lindo com algemas... - Dipper corou. - Mas não. Dipper é o meu namorado, e por isso tem tudo que ver com a minha vida.
- Oh? Namorado? O demónio que nem sequer compaixão com a sua família tinha agora ama alguém? - Kill fez troça.
- Eu mudei.
O de vermelho resmungou baixinho, e as chamas desapareceram.
- ... Estás muito mais calmo, também... Este humano é milagroso.
- Dipper é o melhor! - Will exclamou. - O melhor cunhado. Vocês vão amá-lo!
Bia riu e esfregou a sua cabeça. - Tenho a certeza que sim...
De repente, a porta da cabana abriu. O coração de Dipper parou, assim como o de Stan e Ford.
- ... Garoto? O que é isto? - Ford perguntou gravemente antes de puxar a sua arma de plasma.
Bill tinha-se esquecido de esconder os seus traços demoníacos. Ele deu um passo em frente.
- Senhor Pines... Eu posso explicar...
- Não. Esses olhos dizem tudo... - O tio ergueu a arma. - Dipper... Vem para cá.
Mas Dipper não o fez. Em vez disso, colocou-se à frente do demónio. - Tio, escute...
- Vem. Para. Cá. Agora. Não lhe dês ouvidos. Ele está a tentar controlar-te!
- Não!
Tudo parou.
- ... Não?
Raiva cresceu no seu peito, juntamente com uma dor, mas ele não podia disparar agora. Não quando se arriscava a magoar o sobrinho.
- Não! Tio, eu sei o que parece. Mas Bill... Bill mudou. Ele é diferente agora.
- Como posso acreditar nisso? Dipper, lembra-te de como ele te enganou, como nos magoou! Lembra-te de como Stan se sacrificou para o matar!
- Então, foram vocês... - Bia franziu e Kill estalou os pulsos, pronto para luta. - Foram vocês que mataram o nosso irmão...
Dipper ficou nervoso. Isto não estava a ir nada bem. Will levou o polegar à boca, ansioso.
- Tenham calma! Todos! Respirem fundo. Deve haver uma forma de–
- Não há outra forma, Dipper. Não vês? Ele é um demónio sociopata perigoso que destruiu dimensões inteiras!
Stan estava dividido. Ele queria acreditar no sobrinho, mas o trauma por que todos tinham passado uns anos atrás ainda estava bem presente.
Ele virou-se para o irmão.
- Talvez... Talvez devessemos dar-lhe uma oportunidade? Dipper parece estar dedicado... E o Nathaniel que conhecemos sempre foi um bom rapaz...
O rosto de Ford caiu, e ele riu. - Tu não estás... a falar a sério, estás? Depois de tudo?! E se é outra mentira?! Stan, não vês? São todos demónios! Estão a trabalhar juntos para destruir o mundo! É tudo a mesma laia!
As suas mãos tremeram, lembrando-se dos longos anos que esteve sob o controlo de Bill, de todos os anos que fugiu dele de dimensão para dimensão. De como a sua família quase tinha sido extreminada pelo demónio.
Will escondeu-se atrás de Bia, tentando manter-se calmo, mas Kill apertou os punhos.
Bill deu alguns passos à frente.
- Eu prometo que mudei. Graças ao Pinheiro. Ele é um ótimo rapaz e acredito que vocês entenderão. Seis Dedos...
Esse foi o gatilho. - Não me chames isso!!
- Não!!
Ford disparou. Bill foi empurrado e caiu ao chão. Os seus braços envolveram Dipper.
Um grito de horror ecoou pela floresta, assustando pássaros e fazendo vibrar as árvores. Houve uma explosão de luz, explodindo com as janelas da cabana enquanto Will chorava.
Bill sentou-se e olhou para baixo. Ford deixou a arma cair e caiu de joelhos.
- Não... O que foi que eu fiz?
Os olhos de Dipper estavam fechados enquanto ele sangrava, uma ferida grande no peito. O demónio loiro abraçou-o com força, e os cinco desapareceram, deixando os dois tios no alpendre.
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Eternamente meu
Hayran KurguE se, quando Bill capturou Ford, também tivesse capturado Dipper durante o Estranhagedon? Aquele ódio que Dipper pensava que Bill sentia, na verdade, não passava de curiosidade, e é essa curiosidade que desperta nele sentimentos confusos. Este é o m...
