Ela tinha um falso sotaque francês, era isso que tinha. Isso e uma delicadeza forçada. Não era a mais sutil, a mais intrigante ou bonita. Mas era alguém, tinha um lugar e problemas.
Com sua postura, seu corpo curvilíneo de bailarina, sua pele de porcelana e sorrisos falsamente sutis. Ela caminha pelas ruas como uma jovem de bem, cumprimenta as senhoras que conversam sentadas nos bancos da praça, sorri para as crianças e segue seu caminho abotoando mais um botão ao som dos saltos batendo nas calçadas.
Ninguém a conhece.
Em sua intimidade, com seus planos vingativos, pensamentos negativos, maldizeres, narcisismos e hedonismos, ela se despia e sem o peso das roupas e da aparência impecável era mais humana.
Sem se preocupar em ser vista, com os pés no chão ela sorriu, um sorriso sujo. Quando gargalhou foi alto, até que sua garganta doesse. E a dor fazia com que tudo fosse ainda melhor, mais cru, mais vivo...
Era isso que ela tinha, tinha vida em seu intimo, sentia o sangue circulando rapidamente, sentia as batidas de seu coração e sentia prazer.
Mesmo tendo decorado os conselhos das senhoras, tendo lido o livro recomendado, andado na linha... A humanidade era mais forte, o lado torto pesava mais
VOCÊ ESTÁ LENDO
Bluebird
PoesieProsa e verso. Um compilado de contos, crônicas, poemas e cartas sem um destinatário especifico, e com um remetente qualquer. Alguns dos textos também estão no meu blog.
