Crônica do possível fim
As paredes pareciam estar encolhendo, era difícil respirar e o desespero só aumentava. As cortinas da sala estavam abertas, mas do quarto não era possível ver a luz.
Depois de caminhar meio trôpega pelo quarto que lhe parecia abafado, parou no meio do tapete encolhendo-se; não conseguia conter seu desespero que parecia tão racional...
Encolhida no tapete em posição fetal, Lúcia gritou, cobriu os ouvidos para não ouvir os próprios gritos que ecoavam na sua cabeça, estava usando o pouco ar que havia conseguido para se desesperar completamente.
As lágrimas mornas correram pelo seu rosto que estava disforme numa mascara de dor, medo e desespero.
"É o fim, é o fim", sussurrava certa de que as paredes se fechariam a sua volta, que elas quebrariam seus ossos. Estava tão certa disso que sequer tentou controlar-se.
Buscar o controle é sempre mais difícil que entrar em desespero.
Numa ultima tentativa de sair dali, arrastou-se pelo tapete e tentou puxar o ar para dentro dos pulmões secos.
Subitamente lembrou-se dos conselhos de seu amigo que tinha o mesmo problema e também de seu psicanalista.
Tentou parar de mover-se e controlar a respiração.
"Posso dizer que tudo começa quando respiramos?... Talvez não, mas para mim, minha vida começou quando respirei pela primeira vez... Aquele ar imundo queimando minha traqueia e invadindo meus brônquios, até então inutilizados. Quem sabe meu choro fosse apenas pela dor do ar e não pela palmada de um medico.", pensou de olhos fechados deitada no chão.
"O quão cruel as coisas podem ser?". Indagou vendo seu estado deprimente e um tanto quanto cômico. Acharia tudo muito cômico quando estivesse melhor, faria piadas sobre como se jogou no chão, sobre como tudo parecia dramático e como parecia uma cena de um filme ruim.
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Bluebird
PoesíaProsa e verso. Um compilado de contos, crônicas, poemas e cartas sem um destinatário especifico, e com um remetente qualquer. Alguns dos textos também estão no meu blog.
