Sai pra espairecer, mas foi só uma tentativa.
Tudo em casa me lembrava você, e quando pus os pés na rua as lembranças me acompanharam, faziam parte de mim e já não tinha como evita-las, como fugir delas...
Deixei que minhas pernas me levassem para qualquer lugar, pois minha cabeça estava longe e a ultima coisa que me preocupava era com o que acontecia com meu corpo. A única coisa que tinha importância era a lembrança, aqueles dias que vivemos.
Como um animal de peçonha, as lembranças me envenenaram, me encheram de saudade.
Fui sendo guiado pelas ruas, passei pelo jornaleiro que me cumprimentou amistosamente, passei pelas crianças na frente da escola, passei por todos que podia passar... E o que sentia não passou.
Entrei num zoo, distraído como estava, não reparei nos portões, não percebi onde estava, não vi quem estava a minha volta admirando os animais... E só parei de caminhar quando vi o aviso em letras vermelhas, quando uma placa me cesurou com todo o seu poder ... Eu soube o que fazer.
Entendi a função de todas essas placas mandando e avisando, elas têm funções além das óbvias. Basta ter outro olhar para enxergar por trás dessa camada, e nenhuma placa ou aviso teve o mesmo significado depois do dia em que estive no zoo.
A cada "PARE", paro e percebo o que estou fazendo, o que há de errado ou certo; desacelero,olho ao redor e tomo nota. A cada "SORRIA" reparo em minha expressão... Afinal de contas, preciso de avisos para perceber a vida? Para me perceber?
Acho que sim.
E naquele dia no zoo foi quando eu comecei a reparar mesmo estando com a cabeça longe, mesmo estando intoxicado pela saudade, tentei não alimentar os animais.
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Bluebird
PoetryProsa e verso. Um compilado de contos, crônicas, poemas e cartas sem um destinatário especifico, e com um remetente qualquer. Alguns dos textos também estão no meu blog.
