Azul da Prússia (Decomposição)

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Nessa posição em que me encontro já não resta nada, deixo que a natureza haja sobre mim. E como é cruel!


Partes de mim estão mortas há muito tempo; lembro de quando corri para um canto onde o barulho era inofensivo, não me dizia nada, mas também não deixava que ouvisse minha respiração. Não me deixava ter certeza

O tempo se esvai aos poucos, mas já não é tão desesperador, nunca houve dor de verdade... Nunca houve verdade , hoje vejo isso.

Nada pode me conservar; o álcool, a segurança, o formol ou o fenol, o efeito hipnótico ou as mentiras. Nada pode.

A pele sensível demais ou dura como a de um réptil, as escamas que mostram o tempo em que vivo, sangram a cada sutil movimento.

Hoje não deve ser o dia de relembrar e sim o de se despedir.

O que me mantia de pé só enverga, quebra e não há artificio que conserte. Um enfeite barato aos cacos no chão.

O carbono em cada célula, que morre ou se divide, que cicatriza ou necrosa ... Eu que morro a cada segundo e o pior é que já não dói. A dor era o que me dizia que estava vivo, viver era a dor mais prazerosa.

As marcas em tons de Prússia mostram como foram duras as quedas, mas são marcas de guerras, são motivos de orgulho, são minhas histórias na pele, é meu sangue que prova estar sob movimento.

Não foram impactos que me trouxeram aqui, eu estava ileso e ainda morria, o corpo não se comunicava comigo a incontáveis dias... Ele já não era meu  

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