6- Lembranças

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O 320Lex estava bastante agitado. Haviam pessoas alí que eu só conhecia de vista, e outras que eu deveria ter visto apenas uma vez. Colegas , do tempo de escola. As pessoas viravam para me olhar, algumas sorriam e me comprimentavam, outros me olhavam de canto, olhares zangados, me esnobando. Não me importei. Essa festa é minha, foi dedicada a mim. Se alguém não estiver satisfeito com isso, que se retire.

Sara se apertou mais a mim.

- Parece que essas pessoas querem te matar.

- É, acho que eles também sentiram minha falta.

Paramos proximo a pista de dança onde havia varias pessoas se remexendo ao som do DJ. Admirei o ambiente. 320Lex estava mais amplo, com sofás acopladas nas paredes para uma conversa mais particulares. Mesas espalhadas por todo o salão, ao fundo, o bar com barmens marabaristas - um mais lindo de que o outro - E alguns globos de luz deixavam o ambiente mais dançante, com aspecto de boate de luxo.

Estar naquele lugar me trouxe muitas lembranças. 320Lex era o ponto da galera. Onde a gente sempre se reunia pra qualquer comemoração que fosse e olhando bem, algumas pessoas ainda se encontram aqui. Meus amigos - se é que eu ainda posso chamá-los assim - ainda fazem deste ambiente o ponto principal de encontros, festas e despedidas. E estar alí, revivendo tudo aquilo me fez mergulhar em muitas lembranças.

***

João havia me acompanhado até o banheiro. Eu sei, foi um pouco exagerado da parte dele, mas era impossível fazê-lo mudar de ideia, e ainda reforçava, argumentando que estava me protegendo dos espertinhos de plantão. Eu não conseguia resistir ao João, principalmente se ele estiver me apertando e me beijando com tanta intensidade como se ele dependesse daquilo para viver e eu amava quando João agia de tal forma.

Ele ficou a minha espera enquanto entrava no banheiro. Estava um pouco movimentado e eu tive que esperar um pouco até poder usar o box.

Encontrei João no mesmo lugar que havia deixadoo, ele conversava animado com uma loira peituda. De inicio não a reconheci, mas bastou um olhar bem demorado na garota para saber que ela é Patrícia Gaya. Uma garota riquinha que era doida pra dar uns pegas em meu namorado, mas João nunca deu liberdade.

- João. - Toquei em seu braço fazendôo virar.

- Amor. - Ele beijou meus lábios e agarrou minha cintura com o braço esquerdo. - Conhece Patrícia?

- Sim.

Digo e sorrio.

- Ela estava me falando da viagem que fez para París. Disse que é uma cidade maravilhosa.

- A cidade do amor. - Disse Patrícia. - Você deveria ir, irá adorar.

Não dá raiva quando você percebe que a garota está dando emcima de seu namorado em sua frente e na maior cara de pau e você não tem como revidar, por que vão acabar falando que você estava paranoica e a unica coisa que pode fazer é ser simpática e sorri, mas a vontade de deixá-la careca só aumentava.

- Quem sabe algum dia. - João me apertou mais contra seu corpo. - Na nossa lua-de-mel. Que tal?

Era inevitável não me apaixonar cada dia a mais por aquele moreno, por aquele sorriso, por aqueles olhos negros iluminando minha vida.

- Seria incrível.

- Será perfeito. - João corrigiu minhas palavras. Inclinei-me para beijá-lo, ele retribuiu ao meu beijo acariciando meu rosto com o polegar.

- Vocês vão se casar!?

A voz de Patrícia subiu alguns volumes fazendo com que João e eu interrompessemos nosso pequeno momento de carinho. A encarei de cenho franzido, seu tom de voz me pareceu zangado e a unica pessoa que poderia ficar zangada aqui era eu.

DESENCONTROSOnde histórias criam vida. Descubra agora