Camila Cabello Pov
Depois de sair feito uma louca do apartamento de Lauren e dirigir perigosamente em meio a uma crise terrível de choro, consegui chegar em casa.
Mandei uma mensagem pro Charlie desmarcando nossa saída. Ele apenas lamentou e disse que aproveitaria o tempo para revisar a matéria da semana. Ao que eu agradeci. Não queria ter de lidar com Charlie e suas carências. Eu não estava com a cabeça no lugar.
Minha cabeça estava longe.
Estava nela. Meus pensamentos vagaram criando mil teorias todas em torno dela. Lauren me deixava louca. De todas as maneiras que a loucura pode se apresentar. Desde seus jogos de sedução até o seu jeito fofo de cuidar de mim e negar que o fazia.
Eu nunca estive com alguém como ela. Não tive muitos relacionamentos sérios, mas soube me divertir até o momento.
Bissexual não tão assumida, pois a ideia não agradava em nada minha, supervigilante, mãe, nunca me privei de beijar na boca e dar bons amassos em alguém por conta de seu gênero.
Quando cheguei a cidade, cheia de esperanças de crescer como artista, aprimorar técnicas, discutir leituras com pessoas vindas de outras realidades, pensei que talvez quem sabe pudesse encontrar meu amor bonito. Alguém que resgatasse a minha fé e me desse propósitos de um futuro a dois. A realização da primeira parte aconteceu. A Escola de Artes me pôs em contato com ótimos professores, pesquisadores e estudantes sempre dispostos a compartilhar conhecimento. Além disso haviam os companheiros do estúdio de dança e do coral. Eu conheci muita gente interessante, gente que eu pretendo levar pro resto da vida.
Como Normani. A deusa da dança. A conheci numa das minhas aulas no estúdio de Sean Bankhead, que é professor na Universidade e dono estúdio em que faço aulas complementares de dança. Normani vem da zona rual. A negra é uma exímia bailarina e logo ganhou a atenção do professor que lhe ofereceu uma bolsa em seu estúdio. Conhecê-la foi uma grata surpresa.
Mani tem uma aura brilhante e um jeito de pensar tão puro que às vezes é confundido com ingenuidade. Mas de ingênua Normani não tem quase nada. Com vinte anos veio para a cidade após ganhar uma bolsa de estudos na Escola de Artes da Universidade do DC, e entrar num acordo com sua namorada.
Sim, Normani era lésbica. Assumida e bem resolvida. Namorava uma garota rica criada no centro financeiro do país. Ela havia conhecido Dinah em uma ação social realizada em sua comunidade. Dinah viajava com um grupo de mobilizadores sociais realizando atos em prol de comunidades carentes.
Amor à primeira vista.
E por mais que todos os indicadores apontassem para um fracasso, elas fizeram valer. Filha de um grande empresário do ramo automobilístico de vendas e uma renomada promotora de justiça, Dinah não hesitou em investir pesado em seu relacionamento com a jovem negra.
Elas fizeram um acordo na escolha da universidade e após a aprovação de ambas, Dinah pediu a mão de Normani a seus pais. Organizaram a mudança e vieram juntas enfrentar o que viesse de cabeça erguida.
Eu fiquei maravilhada com a história das duas. Tão jovens e tão maduras, responsáveis e lindas juntas. Não era amiga de Dinah. Por falta de oportunidade. Normani e eu éramos amigas, tínhamos muito em comum, porém nos encontrávamos quase sempre em situações de aula ou compromissos artísticos.
Pensei em ligar para ela. Tentar entender toda aquela confusão e pedir uns conselhos, mas desisti logo em seguida. Dinah era muito amiga de Lauren e eu não sei até que ponto casais compartilham coisas. Não correria esse risco.
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Fire meet gasoline
FanfictionLauren Jauregui é uma aplicada estudante do curso de Engenharia Elétrica. Saiu de sua cidade natal para assumir uma vaga na Universidade do D.C, na condição de bolsista, mas também para esquecer um fato traumático ocorrido durante o ensino médio. In...
