Chegamos em casa e Stiles estava com uma cara brava, e eu sabia muito bem o motivo, respirei fundo e me sentei ao seu lado na bancada da cozinha.
-Vai ficar com essa cara o dia todo?
-Não to com cara nenhuma.
-Stiles por favor, precisamos conversar sobre isso.
-Por que? Eu não sou a pessoa certa para você? Ou isso é um pensamento gay demais?-disse ele cruzando os braços.
Me aproximei um pouco mais e fiz sinal para que ele se sentasse na cadeira de frente para mim, mesmo relutante assim o fez.
-Eu não vim de um lar feliz e equilibrado como o seu, minha mãe e meu pai eram infelizes, e eu e minhas irmãs crescemos acreditando que a culpa era nossa, eu não preciso dessa instituição para viver plenamente feliz com você.
-Tudo bem, eu entendo. Mas eu queria construir uma família, com filhos e animais...
-Filhos? Não podemos ter filhos.
-Existe algo chamado adoção.
-Não sirvo para ser pai, Stiles.
-Mas você nem tentou para saber.
-Eu não vou discutir com você sobre isso.
Caminhei lentamente em sua direção e fiz ele se levantar, ele olhou para mim com uma carinha triste, eu então o beijei com mais calor e desejo, passei a beijar seu pescoço e ele começou a mexer em meus cabelos.
-Não vai me convencer usando seu corpo.-disse ele.
Passei a língua por seu pescoço sensualmente e senti ele se arrepiar em meus braços, ouvi alguns gemidos saindo de sua garganta, o que me deixou feliz, seu cheiro me deixava embriagado, se pudéssemos, ficaríamos assim o dia todo.
-Tudo bem, talvez eu possa ser persuadido.
Continuamos nossas carícias, mas então eu lembrei que tinha algo para fazer e já estava quase atrasado, o beijei mais uma vez, só que dessa vez com muita paixão envolvida, me deparei dele e ele me olhava confuso.
-O que foi?
-Desculpa Sti, mas eu tenho que resolver umas coisas agora.
-Como assim? Que coisas?
-Nada com o que se preocupar.
-Derek...
-Te amo.-falei saindo pela porta.
***
Comecei a andar pelas ruas de NY, estava muito quente hoje, que ótimo esse calor vai estragar meus planos, entrei em uma padaria e esperei a minha companhia chegar.
Poucos minutos depois, eu a vejo chegando toda linda e charmosa, nos cumprimentamos e eu pedi um soco de laranja.
-Oi, como você está?-perguntei.
-Bem, mas vamos direto ao assunto.
-Ok, conseguiu resolver tudo?
-Mas é claro.
-Ótimo, obrigado.
Peguei o envelope que ele deixou na mesa e resolvi voltar para casa, estava nervoso, mas que droga, Derek, o que estava passando pela sua cabeça quando resolveu fazer isso? Bom, agora nao da mais para desistir, semana que vem toda essa tortura acabaria, cheguei em casa e Stiles estava me encarando sem nenhuma expressão.
-Você sabe que isso é um deja vú. Porque já passamos pela mesma coisa duas vezes.-disse ele.
-Stiles, eu não estou te protegendo de nada, acredite.-falei dando risada.
-VOCÊ ESTÁ ME TRAINDO, DEREK HALE?
-Não, Stiles Stilinsk.
Caminhei até ele e o abracei, adorava esse jeito sincero e desconfiado dele, ele realmente tinha motivos para desconfiar e era isso que eu mais amava nele, mas dessa vez ele não vai precisar se preocupar.
-O que você tem?-perguntou Stiles.
-Nada, não posso abraçar meu namorado?
-Pode, mas esse não é você, não gosta de nada meloso.
-Eu gosto de você. -falei sorrindo.
-Aí meu Deus! Você vai me deixar, eu sabia...
-Eu não vou te deixar nunca, apenas aproveite esse raro momento.-falei rindo.
-Tudo bem.
Ficamos conversando a noite inteira sobre coisas aleatórias e rimos bastante, eu estava feliz e era tão bom, olhei para o envelope na mesinha ao lado e todo o nervosismo veio a tona de novo.
