Chorei por minutos, ou por horas – eu não saberia dizer.
Chorei por minha família que, possivelmente, não veria nunca mais.
Chorei por William, pois nosso último momento juntos foi selado com uma briga.
Chorei por meus amigos – companheiros de longa data, que estiveram comigo nos momentos altos e baixos.
Chorei por não ter direito de concluir minha faculdade e conseguir meu tão sonhado diploma em medicina.
Chorei até não ter mais forças de derramar lágrimas.
Chorei até meu corpo chegar à exaustão.
E então, após não ter mais o que me lamentar, veio à raiva.
Por que eu? O que fiz para merecer isso? Será castigo Divino? Não fui uma boa filha, amiga, namorada? Não contribui positivamente em nada para ninguém ou para algo?
Ou – Deus tenha misericórdia – será que eu provoquei-o?
Sim! Certamente foi isso. Então, a culpa é toda minha.
Se não usasse roupas tão curtas e ajustadas perfeitamente em meu corpo...
Se não sorrisse tanto...
Se não ficasse até tarde da noite na rua...
Se tivesse dado ouvido aos conselhos dos meus pais e optado por cursar a faculdade durante o dia, talvez isso pudesse ser evitado.
Então é isso. Tudo não passou de um mal entendido. Ele acha que sou um tipo de pessoa – passei uma má imagem a ele. Tudo o que tenho a fazer, é desfazer essa impressão.
Sim!
Amanhã, quando ele voltar, estarei bem convidativa. Obedecerei suas ordens e me comportarei – assim como me foi ordenado.
Ele verá que sou uma pessoa completamente diferente da qual ele tinha em mente e me libertará.
Com esse pensamento, adormeci sorrindo.
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Acordei sobressaltada quando a porta abriu de repente.
Estou completamente molhada de suor – não há janelas aqui.
Olhei para a porta, e meu sequestrador estava encostado nela, me olhando, sem demonstrar nenhuma emoção.
Sorri. – se eu deveria demonstrar que era uma boa menina, tinha que começar logo!
— Bom dia, querida.
— Bom dia.
— Parece que acordou mais mansa hoje, não é mesmo?
Novamente, dei um leve sorriso.
— Bom, já que está mais suscetível hoje, vamos deixar mais alguns pontos claros para você.
Veio andando em minha direção e sentou-se em uma cadeira – essa cadeira esteve aí todo esse tempo?!
— Bom, docinho, acho que não preciso repetir os três itens que foram discutidos ontem, não é mesmo? – algum item foi discutido? Engraçado, só me lembro dele ordenando.
Sem esperar qualquer confirmação minha, deu continuidade ao seu discurso unilateral:
— Irei visitá-la duas vezes ao dia, em dias alternados. A primeira visita será para trazer-lhe uma garrafa de água e uma fruta; a segunda visita será destinada ao nosso prazer.
O que? Eu entendi bem? Ele só me trará uma garrafa de água e uma fruta dia sim, dia não? E o que ele espera que eu faça nos dias em que ele não vier?
E como assim "visita destinada ao nosso prazer"?
Será que ele... não!
— (...) possamos alterar a ordem das visitas se você desejar.
— O que você quis dizer com "visita destinada ao nosso prazer"? – interrompi seu discurso.
Ele pendeu a cabeça para um lado e fitou-me com certo interesse e divertimento:
— O que você acha que eu quero dizer com prazer? – diz ele, com um sorriso de lado.
— Eu não vou transar com você. Está louco? – gritei com ele – O que pensa que eu sou? Uma de suas vadias? O que te faz pensar que eu aceitaria isso?
— É exatamente isso que penso que você é: minha vadia. E não preciso do seu consenso. Acha mesmo que está em posição de exigir alguma coisa aqui? Escute bem, – levantou-se, e andou até mim – fará o que eu mandar. Se eu disser "abra as pernas, cadela", é isso que fará. Se eu disser "lamba o chão", você lamberá. E, digo mais, fará sorrindo e dizendo "sim, senhor". Será que fui claro?
Não consegui responder. Acho que perdi a capacidade de falar.
Então é isso que ele quer de mim? Isso é o que ele espera que eu faça? Que me submeta incondicionalmente a ele?
Ele, impaciente, prensou-me na parede:
— Vamos esclarecer outra coisa: quando eu fizer uma pergunta, quero uma resposta. Fui claro?
Novamente, não consegui emitir nenhum som.
Só consegui registrar o que tinha acontecido quando minha cabeça pendeu para o lado e senti a ardência no rosto.
Ele me deu um tapa!
— Eu perguntei se fui claro.
Meu Deus, ele tinha fúria nos olhos.
Finalmente, encontrei minha voz:
— Claro como água.
Afastou-se e andou até a porta.
— Ótimo. Graças a essa sua gracinha, ficará sem água e comida hoje. Amanhã voltarei, e inverterei a ordem da visita. Para o seu bem, acho melhor que esteja mansinha.
E com isso, fechou a porta atrás de si.
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Bem me quer, mal me quer.
General FictionKatherine Thompson: - 23 anos; - Filha amada; - Namorada dedicada; - Amiga querida; - Estudante exemplar; - Sequestrada.
