Senhor Sequestrador

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* 4 meses antes *

Há dois meses aquela mulher não sai dos meus pensamentos.

Não qualquer mulher, mas a mulher.

Aquela morena tirou meu fôlego.

E eu fico perturbado só de pensar que ela sofre nas mãos do namorado. Canalha aproveitador. Ficou muito óbvio para mim que ele manipula as decisões dela.

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Eu estava em uma lanchonete quando a vi.

Engolida pela multidão que acabara de sair do cinema, ela estava nada menos que maravilhosa: os cachos voando, vestido florido e sandália rasteira, esbanjando aquele sorriso lindo no rosto.

Meu Deus, minhas lembranças não lhe fizeram jus: ela é magnífica.

Magnífica e acompanhada por um engomadinho.

Eu estava tão consumido por sua presença que só percebi que ela estava acompanhada quando ela já estava virando a esquina. As mãos entrelaçadas com a de um homem alto e de terno.

Sério, de terno.

Quem, em nome de meu Deus, vai ao cinema de terno?!

Eles, está muito claro para mim, são o completo oposto. Ela é garoa fina e ele é tempestade, ela é colorida e ele é preto e branco.

O problema é: como posso convencê-la de que o melhor para ela sou eu, se ela nem mesmo me conhece? 

Tudo bem, tudo bem. Eu sei que nós dividimos a mesa, mas isso foi há 2 meses atrás e não sou ingênuo o suficiente para acreditar que ela lembra-se de mim. Nosso encontro foi rápido e corriqueiro, e ela perdeu totalmente a consciência da minha existência quando recebeu a ligação daquele engomadinho. 

A ideia veio tão rápida em minha mente que só percebi que eu estava andando - na verdade correndo - atrás deles quando cheguei na outra rua.

Mas eles já haviam sumido.

E, para piorar, adivinhe quem eu encontrei lá?

Não, não foi o papa. 

Também não foi o presidente.

Infelizmente, não encontrei também o menino Jesus.

Não, claro que não. Claro que eu tinha que encontrar aquele pedaço de estrume que eu chamo de chefe

Meu querido chefe estava fechando a porta de um táxi quando olhou para o lado e me viu.

Merda! 

Nem em um domingo a noite eu me livro desse cara?

Decidindo não abaixar minha cabeça para ele - afinal, não estou aqui como seu funcionário -, passo por ele e murmuro um "Boa noite, senhor Dalton" enquanto sigo meu caminho, quando ele me diz:  

— André – sim, ele ainda não aprendeu meu nome –, não esqueça que amanhã eu viajo a negócios, então você precisará chegar 1 hora adiantado para que tudo esteja preparado quando eu chegue na empresa.

— Sim, senhor Dalton. Eu sei dos seus compromissos e das minhas responsabilidades de amanhã.

Franzindo o cenho, ele diz:

— Adrian, estou equivocado ou você está desdenhando de mim?

— Na verdade, senhor Dalton, já faz um tempo que eu gostaria de corrigi-lo. O meu nome é A...

— Oh, agora o você está querendo me corrigir? – ele então olhou para seu desnecessário relógio luxuoso – Não importa, não vou perder minha noite de domingo discutindo com você, ainda tenho uma vídeo-conferência para fazer daqui ha 40 minutos. Amanhã, no meu escritório, discutiremos sobre como deve ser a sua conduta para comigo.

E, com isso, virou as coisas e foi embora.

Meu Deus, como eu odeio esse homem.

Como alguém pode ser tão irritante? Ele sente prazer em me desprezar.

Eu já teria pedido demissão se esse emprego não fosse tão importante para a minha carreira.

Mas, um dia, eu estarei por cima. E eu juro que nesse dia ele vai implorar pelo meu perdão.




Bem me quer, mal me quer.Onde histórias criam vida. Descubra agora