Capítulo X

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Ele deveria vir me ver ontem, mas não veio. E, aparentemente, também não virá hoje.

Essa "folga" de toda aquela tensão – tesão, se vocês preferirem – me deu um tempo para reorganizar meu pensamentos e consegui chegar a uma conclusão:

Ele não é mau, somente quer que eu acredite que ele é mau para continuar tendo domínio sobre mim.

Tudo bem, eu sei que essa é uma desculpa fajuta. Mas é a única explicação.

Depois do nosso último encontro, pude perceber toda a paixão que está nos envolvendo.

Sim, já aceitei o que está rolando entre nós, só preciso "pôr os pingos nos is". Preciso entender o que está acontecendo. Compreender "por que", "como" e "quando".

Por que ele me sequestrou?

Se tinha interesse em mim, por que simplesmente não veio até mim e conversou comigo?

Como ele conhece tanto minha vida pessoal?

Não entendo como ele sabe tanto sobre mim e eu, nem ao menos, sei a porra do seu nome! – e isso me leva ao "quando".

Quando ele descobriu as traições do Will?

Eu vivi ao lado de Will durante anos e nem se passava na minha cabeça a possibilidade que ele poderia estar me traindo.

Nunca suspeitei que o Will estivesse me traindo. Nunca.

Ele sempre trabalhou muito, as vezes dizia que precisava estar no escritório aos finais de semana. Viajava a todo instante – viagens nacionais e internacionais. Recebia ligações enquanto estava em casa e trancava-se no escritório para atendê-las. Mas nunca suspeitei de absolutamente nada. Nunca.

"Que homem dedicado."

"Tão novo, mas tão responsável e independente."

"Sou uma mulher de sorte por ele me escolher para dividir sua vida comigo."

Era o que eu sempre pensava.

Quer dizer, por que eu suspeitaria dele? Ele nunca me deu motivos.

Era carinhoso, atencioso, amoroso, romântico. Fazia surpresas para mim, sempre me presenteava. Jantávamos fora sem motivo algum, apenas pelo prazer da companhia um do outro. Viajávamos frequentemente, apenas para passarmos mais tempo juntos, sozinhos. Era inteligente, engraçado e perspicaz. Quando estava comigo não tinha olhos para mais ninguém, apesar de receber muitos olhares de mulheres – e as vezes até de homens – por causa de seu belo rosto. Seus beijos eram maravilhosos, o sexo então, nem se fala. Lindo de corpo e alma. Filho prodígio, idolatrava minha mãe e tinha o respeito de meu pai. Querido entre meus amigos. Profissional de sucesso.

A lista de suas qualidades eram imensa.

Fala sério, o que eu poderia querer mais? Ele era um homem completo. O namorado perfeito. A melhor escolha de marido. Seria um pai excelente.

Então, eu repito: por que suspeitaria dele?

Não havia motivo para tal.

Mas, agora, pensando bem...

Todas aquelas viagens, telefonemas no meio da noite, emergências na empresa...

Será que era realmente verdade ou ele sempre esteve traindo-me?

Seria eu tão ingênua assim?

Céus! Só de pensar nisso, sinto vontade de vomitar.

E com essas novas ideias rondando meus pensamentos, uma coisa me acerta em cheio: Will e Maze.

Teriam eles algum envolvimento?

Nunca havia pensado por esse lado, sempre vi o relacionamento dos dois como puramente fraterno, mas seria algo além disso?

Will sempre foi muito protetor com relação a Maze: implicando com seus pretendentes, lhe dizendo que deveria se valorizar mais e procurar alguém que realmente a merecesse; fazendo elogios quando ela se arrumava um pouco mais.

E ela também não era muito diferente: sempre fazendo questão de me dizer o quão sortuda eu era por ter ele em minha vida, pois ele era um sonho; enumerava as qualidades dele e como era difícil encontrar, em um homem, alguém tão lindo e amoroso.

Sim, sei. Cadela.

Não acredito que fui tão ingênua. Como não pude enxergar o que estava debaixo do meu nariz? Precisei ser sequestrada para abrir meus olhos.

Mas, agora que descobri a verdade, tudo vai mudar.

Vou dar um belo de um pé na bunda daquele filho da mãe e naquela vagabunda, e aproveitar bastante meu sequestrador.

Ele, sim, me ama de verdade e não mente para mim.

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Oiii, minhas gostosas <3

Eu sei que sumi por, OH MY GOD, 1 mês e meio.

Mas não me apedrejem!

Eu entrei de férias em janeiro e achei que teria tempo pra escrever, mas viajei e acabei ficando sem tempo. Quando percebi, minhas aulas da faculdade já tinham retornado e os professores já estavam me engolindo viva.

Sei que esse capítulo ficou beeeem pequenininho, mas prometo (PALAVRA DE ESCOTEIRA) que ainda essa semana posto mais um capítulo. 

Bem me quer, mal me quer.Onde histórias criam vida. Descubra agora