Capítulo I

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Cansada: essa é a única palavra que pode me definir nesse momento.

Após uma briga ridícula no início da manhã com meu namorado, William; 4 horas de trabalho; 2 provas e 1 trabalho para ser entregue na próxima semana resolvido, finalmente poderei voltar para casa, tomar um banho relaxante e dormir – dormir!

Estava passando pelo portão da faculdade, quando senti meu celular vibrar dentro da bolsa.

Olhei o visor e... claro.

Revirei os olhos.

Quem mais seria a essa hora?

— Oi, mãe.

— Querida, já são 23:30 horas, onde você está?

A Srª Thompson, como sempre, preocupada demais.

— Mãe, eu tive um dia de cão e estou saindo agora da faculdade. Já chamei um Uber, e em meia hora estarei chegando em casa. Não se preocupe.

Mal sabia eu, o quão engana estava...

— Kath, meu bem, você sabe que sempre fico preocupada com esses seus horários malucos.

Novamente, revirei os olhos.

Mamãe acha que devo me concentrar somente nos estudos e deixar de trabalhar.

"Seu pai pode custear suas despesas, Kath." – é o que ela sempre diz.

Será que ela não entende que não suporto a ideia de depender financeiramente deles?

— Não vamos discutir sobre isso novamente, mãe.

— Desculpe-me, filha. Você sabe que só me preocupo com você. – diz ela, com uma voz triste.

Merda!

— Certo, mãe, tudo bem. Tenho que desligar, o Uber já deve estar chegando. Eu te amo.

— Eu também te amo, filha.

Há momentos na vida, em que pensamos no E se? depois que passamos por determinada situação.

Por exemplo:

E se eu continuasse falando com minha mãe por mais 2 minutos, será que ela escutaria meu grito e o barulho do celular caindo no chão?

E se eu deixasse o trabalho para ser resolvido amanhã e tivesse saído mais cedo da faculdade, isso poderia ter sido evitado?

E se eu aceitasse a carona de David, um colega de classe, será que isso ainda aconteceria?

E se o Uber  tivesse chegado mais cedo, este homem ainda teria chegado por trás de mim, coberto minha boca com sua mão grande e calejada, colocado uma faca no meu pescoço, me arrastado para um beco, me colocado em um carro e batido na minha cabeça, fazendo-me desmaiar?

E se...

E se...

E se...

Bom, essas são apenas suposições.

Não posso alterar o passado.

Mas, e se...?

Bem me quer, mal me quer.Onde histórias criam vida. Descubra agora