— Certo, mãe, tudo bem. Tenho que desligar, o Uber já deve estar chegando. Eu te amo.
Essa foi a ultima frase que Emilly Thompson ouvira de sua filha, há três dias.
Ela percebeu que algo estava errado quando, pela manhã, constatou que Kath não estava em casa. Primeiro, pensou que ela já tinha ido trabalhar, mas, ao notar que sua bolsa e seus materiais não estavam no quarto, começou a se preocupar. Depois, ao ligar para o celular da filha e o mesmo ir direto para a caixa postal, começou a se apavorar de verdade.
Kath nunca desliga o celular, sempre o deixa carregado e a postos, para o caso de receber alguma ligação importante do trabalho.
Então, o que teria acontecido?
Nesse momento, começaram as ligações:
Ligou, primeiramente, para William, na esperança dela ter decidido ir para a casa do namorado na noite passada – infelizmente, a resposta dele foi "Não falo com a Kath desde ontem pela manhã".
Logo após, telefonou para Mazikeen, melhor amiga da filha. Afinal – pensou ela –, se alguém teria noticias de Katherine, esse alguém era a Maze. – as duas são inseparáveis desde a infância.
Porém, Maze também não tinha notícias de Kath.
Calma, pensou Emilly, talvez ela tenha deixado os materiais na faculdade e saído mais cedo para o trabalho.
Isso não seria surpresa nenhuma para a senhora Thompson, já que a filha era completamente louca e dedicada por aquele trabalho.
Entretanto, por alguma razão, seu coração de mãe estava apertado.
Pensando na própria paz de espirito, resolveu ligar para a clínica onde a filha estagiava, para confirmar que a mesma se encontrava trabalhando.
Qual a sua surpresa ao saber que Kath não estava lá?
Foi nesse momento, nesse exato momento, que ela soube que algo muito, muito, errado estava acontecendo.
— Oh, meu Deus, onde está a minha menininha?
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Assim que Emilly percebeu que sua filha estava desaparecida, ligou para Robert, seu marido e pai de Kath, e avisou sobre o ocorrido.
— Fique calma, querida – disse Robert –, a Kath deve estar com o William ou com a Mazikeen. Já tentou ligar para ela?
— Não, Robert, você não está entendendo. Ela sumiu. Sumiu! – disse a mulher, totalmente desesperada. – Seu celular só dá caixa postal, e tanto Will quanto Maze não falam com ela desde ontem. Estou realmente preocupada. Acho que alguém a levou, Rob. Alguém levou nossa menina. Oh, meu Deus.
— Tem certeza que ela não está com nenhum deles? Quer dizer, ela pode estar no trabalho. Já tentou contatar o trabalho dela?
— Sim. Ela não está em nenhum lugar. Ela não sairia sem nos avisar. E, afinal, se não está com a Mase e o Will, ou no trabalho, onde mais estaria?
— Certo, estou indo para aí. Tente se acalmar.
Robert tentava confortar a esposa quando, na verdade, o próprio coração se encontrava apertado.
Emilly tem razão – pensou –, onde mais Kath estaria? Ela não costuma sair sem avisar, muito menos com alguém que não seja seu namorado ou sua melhor amiga.
— Que Deus me ajude, não posso perder minha princesa. Só temos a ela. O que farei se alguma coisa acontecer com minha menina?
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Esses três dias passaram como um borrão.
Poderiam ter passado 3 horas, 3 dias ou 3 anos. – Os Thompson não saberiam dizer.
A casa Thompson, nesses últimos dias, se encontrava constantemente cheia de pessoas entrando e saindo – amigos solidários, familiares mais próximos; Will e Maze não saiam de lá nem sobre decreto; e, claro, policiais, detetives e advogados.
Emilly e Mazikeen não conseguiam parar de chorar temendo o pior e pedindo encarecidamente a Deus, que protegesse Kath onde quer que ela esteja.
— Robert, por favor, faça alguma coisa. Meu velho coração não vai aguentar muito mais que isso. Essa angustia e incerteza está me consumindo cada dia mais e mais, aos poucos. Não sei se aguentarei por muito mais tempo.
Robert, que durante esses três dias, tentara se manter forte diante sua esposa, afim de passar tranquilidade e conforto a ela, não conseguiu reprimir as lagrimas que agora rolavam incessantemente sobre sua face.
Tomando sua esposa nos braços, sussurrou em seu ouvido:
— Oh, querida, eu sinto muito, já não sei mais o que fazer. Ninguém viu nada perto da faculdade e as câmeras não filmam aquele lado do prédio; quando o motorista do Uber chegou, ela não estava mais lá; e os técnicos ainda não conseguiram nada com o celular dela. Os policias e detetives estão trabalhando, mas as pistas não levaram a nada até agora. Também estou me despedaçando com essa falta de notícias. Ela é a Kath, nossa menininha, nosso bebê. Como alguém pôde levá-la? Como alguém teria coragem de lhe fazer mal? Fazer mal a alguém que só faz o bem a todos? Por Deus, Emilly, me perdoe por não poder fazer mais. Eu sinto tanto, tanto.
E assim, eles ficaram abraçados durante vários minutos, um consolando o outro, e tentando achar no outro conforto e apoio.
Eles enfrentariam aquilo juntos.
— Senhor e senhora Thompson?
O casal olhou para a porta, onde o detetive Erick Clark estava parado com o celular na mão.
— Os técnicos responsáveis por investigar o celular da senhorita Katherine acabaram de ligar. Eles encontraram algo.
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Bem me quer, mal me quer.
General FictionKatherine Thompson: - 23 anos; - Filha amada; - Namorada dedicada; - Amiga querida; - Estudante exemplar; - Sequestrada.
