Kath passou todo o final de semana pensando na conversa que tivera com a doutora Taylor – doutora Bárbara Taylor.
Havia muitas coisas para refletir sobre aquela última consulta.
Bárbara havia dito que Kath estava com ciúme de Will e Maze, o que, no momento, tinha parecido ser loucura. Entretanto, agora, revelava-se como uma possível verdade.
O que estava assustando o inferno para fora de Kath.
Não havia como ela estar sentindo ciúme do relacionamento deles, não é mesmo?
Afinal, ela amava Anthony... Ela ama Anthony.
O que ela sentiu ao ver Maze e Will juntos certamente era apenas a dor da perda.
A perda de duas das pessoas mais importantes no mundo, para ela.
A perda de uma amiga – uma irmã.
A perda de um namorado – que um dia jurou tornar-se seu marido.
A dor era dilacerante, partindo seu coração em dois, parando sua respiração, dominando seus pensamentos.
Às vezes, doía tanto que Kath, mesmo sabendo que era fisicamente impossível, podia jurar que morreria.
Saber que os dois estavam juntos era uma coisa. Ver, com seus próprios olhos, a confirmação do fato, era outra coisa.
Mas, era apenas isso, a dor da traição.
Não era ciúme.
Não podia ser ciúme.
Ela amava Anthony... Ela ama Anthony.
Não, não era ciúme.
Não podia ser ciúme.
A doutora Bárbara estava enganada. Estava confundindo Kath.
O trabalho dela não deveria ser ajudá-la?
Por que, então, estava fazendo o completo oposto?
Kath não estava se sentindo melhor, estava mais confusa do que nunca.
Confusa quanto a tudo.
O que, levava a outro pensamento que, desde que Kath saíra do consultório, não saia de sua cabeça...
Por que – porque, em nome de Deus! – ela sentiu um peso tão grande quando contou como foi viver aquelas semanas com Anthony?
Kath já o havia perdoado pela forma como ele tinha se comportado nos primeiros dias.
Perdoou as agressões.
Perdoou o sexo forçado.
Perdoou a privação de comida.
Perdoou a privação de água.
Perdoou os xingamentos.
Perdoou tudo.
Por que ela o entendia.
Entendia o que o levou a agir daquele modo tão brutal.
Entendia que ele sentiu-se traído.
Entendia que ele estava nervoso.
Entendia que apanhava por culpa dela mesma.
Se ela tivesse se comportado bem desde o início, se tivesse o obedecido sem pestanejar, ele não socaria seu rosto até que ela não conseguisse nem abrir seus olhos.
Se ela não tivesse gritado com ele, ele não teria se colocado dentro dela e arremetido com tanta força, durante tanto tempo, que ela chegou a desmaiar.
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Bem me quer, mal me quer.
General FictionKatherine Thompson: - 23 anos; - Filha amada; - Namorada dedicada; - Amiga querida; - Estudante exemplar; - Sequestrada.
