Capitulo IV

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Ele cumpriu sua promessa: voltou no dia seguinte.

Primeiro veio e violentou-me. Muito. Não foi, de forma alguma, cuidadoso comigo. Não sou virgem, obviamente, mas mesmo assim doeu. Muito. Eu não estava nem um pouco feliz e confortável com aquilo, então só senti dor. Muita dor. 

"Você vai gostar, docinho." Foi o que ele disse. Bastardo miserável.

Pode ter sido rápido ou ter demorado horas, eu não saberia dizer. Só consegui sentir, e o que eu senti foi dor, humilhação, subordinação, violação e brutalidade.

Ele foi rápido, forte e firme. Senti-me indigna, impura, suja.

Também chorei. Muito. Só conseguia pensar no porque estava sofrendo tanto. Ninguém merece esse tipo de desconforto. Foi completamente imoral.

Depois que tudo acabou, ele saiu, deixando-me lá: chorando e sangrando.

Em seguida voltou, com uma garrafa d'água e uma maçã.

 — Coma e beba, mas com moderação – deu um sorriso de lado –, afinal, só receberá um novo kit-sobrevivência daqui há dois dias. Tenha um ótimo dia, baby.

E com isso, saiu.

Deus, por que? 

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Cinco dias se passaram, e continuamos na mesma rotina. Ele vem em um dia, estupra-me, e deixa-me com uma garrafa com água e uma fruta; no outro dia, vejo-me livre dele, pelo menos por 24 horas

Hoje é dia de ficar sozinha nesse cubículo sem ventilação em que me encontro. Olho para a garrafa de água e vejo que só tem mais 2 dedos de água. Droga. 

Eu não deveria tê-la bebido mais cedo. Mas como evitar? Aqui dentro é quente como o inferno, eu estava derretendo, tive que beber. Ou morreria de calor, ou morreria por falta de água. 

Amanhã preciso conversar com ele e fazê-lo entender que não posso viver dois dias com apenas uma garrafa d'água.

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Ele empurrou uma última vez e em seguida caiu por cima de mim.

Depois que sua respiração voltou ao normal, levantou e vestiu sua calça, saindo do quarto e  retornando, logo depois, trazendo uma garrafa e uma banana. 

Antes de sair, eu tomei coragem e chamei-o de volta.

Ele parou, olhou pra mim, e inclinou a cabeça:  

—  Sim, querida? 

— É... eu queria... quer dizer...

Droga! Isso não é hora de começar a gaguejar, Kath! 

—  Pretende terminar alguma dessas frases, docinho? –  ele diz.

Certo, eu consigo. Quer dizer, o que ele poderia fazer comigo? Não tem como me agredir mais do que acabou de fazer, há 5 minutos atrás.

Respiro fundo e consigo dizer:

—  Olha, não posso ficar durante dois dias com apenas 500 ml de água. Vou acabar morrendo desidratada assim.

—  E o que você quer que eu faça a respeito?

— Que você me forneça mais água, é claro!

— E por que, exatamente, eu faria isso?

— Para que eu não morra!

— Até onde eu sei, uma pessoa pode sobreviver até 3 dias sem água.

— Sim, você está certo: uma pessoa pode sobreviver  3 dias sem água, mas precisamos de, no mínimo, 2 litros de água por dia para vivermos  de forma saudável, e não corrermos o risco de sofrer desidratação – respiro fundo –. Qualquer dia desses você vai chegar aqui, me encontrará morta e não saberá qual o motivo da minha morte: desidratação ou desnutrição.

Merda! Ele agora está sorrindo de lado. Isso nunca é um bom sinal quando trata-se dele.

—  E o que te faz pensar que eu dou alguma importância para o fato de que você permanece, ou não, viva?

— Pelo amor de Deus, não estou te pedindo nenhum absurdo, repare que não falei nada sobre alimentação. Apenas te peço que me dê mais água.

— Novamente: por que eu faria isso?    

— Porque... – droga, o que posso dizer?

— Vou reformular a pergunta, meu bem: o que eu ganharia te dando mais água?

— O que você quer dizer?

— Você não pode esperar que eu te dê 1,5 litro a mais de água, assim, de graça, não é mesmo?

Mas do que diabos ele está falado? Ele espera ganhar uma bonificação por me dar água?  Água!

—  O que espera receber em... – paro de falar quando percebo que está sorrindo e revesando seu olhar entre mim e o seu... – Você só pode estar brincando comigo! 

Ele é louco? Só pode ser.

Ele já abusa de mim frequentemente. Como isso pode ser um tipo de pagamento em troca de água?

  — É pegar ou largar, docinho. 

Pense na sua sobrevivência, Kath.

Tudo isso é para que você continue viva enquanto ninguém vem te resgatar. 

  — Certo, tudo bem. Não faz diferença mesmo, você já abusa de mim com ou sem razão.

Olho para o meu sequestrador, e o olhar que ele me dá de volta é assassino.

Oh, meu Deus, o que houve? 

Engulo em seco, e quando começo a tirar meu vestido, ele diz, com raiva:

— Acho que você não entendeu. 

Olho pra ele, com dúvidas no olhar:

— Como assim?

— Venha aqui. – ele diz. Vou até ele. – Mais perto. – aproximo-me mais. –  Mais perto. – franzindo o cenho, vou até chegar bem perto dele, quase colando nossos corpos. – Isso mesmo, quero você bem pertinho de mim, docinho. – ele abre a braguilha da calça – Ajoelhe-se.

— Ajoelhar-me? Por que preciso ajoe... – olhei para ele, que suspendeu uma sobrancelha. A compreensão do que ele queria atingiu-me em cheio. – Não! Por favor, não me obrigue a fazer isso.

Lágrimas começaram a transbordar dos meus olhos.

Ele não iria me obrigar a fazer isso. Ele não pode ser tão inescrupuloso assim.

— Bom,– ele disse, já começando a fechar a calça– é realmente uma pena. Eu estava realmente disposto a te fornecer mais água já que, segundo você, isso é vital para a sua sobrevivência. Porém, vejo que isso não é tão importante assim pra você. Tudo bem. Tchau, meu bem, te vejo daqui há dois dias.

Ele finaliza, já virando-se em direção a porta. 

— Espere! – eu peço. – Tudo bem, eu faço. – digo, já ajoelhando-me ao seus pés.

— Boa menina! Sabia que nos daríamos bem.– ele diz, com o seu tão conhecido sorriso de lado.

E abaixa a calça.    

Bem me quer, mal me quer.Onde histórias criam vida. Descubra agora