O problema é que eu ainda não fui resgatada e ainda não deixei isso para trás.
Sério, estou me odiando nesses últimos dias.
Eu culpo a TPM. É a única explicação.
Não! Eu culpo meu sequestrador – o quão ridícula sou por chamá-lo assim? Sério, preciso descobrir o nome dele – que está ferrando com meu psicológico e com minha sanidade.
Quer dizer, sequestradores não são velhos, barrigudos, feios e nojentos?
Eles não estão a procura de uma recompensa? Não usam a vítima como uma espécie de moeda de troca?
Eles não batem papo com a vítima e, certamente, também não as usa como confidentes.
Tenho absoluta certeza de que eles também não se sentam com elas e revelam seu tenebroso e obscuro passado.
Sério, eu sou uma mulher adulta, inteligente e sensata. Não sou nenhuma virgenzinha sonhadora e tola. Sei muito bem o que se passa aqui. Não estou criando nenhum vínculo com ele ou desenvolvendo sentimentos por ele.
Então, pelas barbas de Merlim, o que está acontecendo comigo?
Gostaria muito que tivesse prestado mais atenção a matéria de Psicologia que eu tive no 1º semestre lá na faculdade... tenho certeza de que estou sofrendo de algum transtorno. Certamente fiquei com alguma sequela proveniente das surras que levei na minha primeira semana aqui, antes de aprender como me comportar para agradá-lo.
Só isso explicaria a taquicardia que eu venho tendo todas as vezes que ele aparece e o aperto que sinto quando ele não vem me ver.
Só isso explicaria como minha respiração fica irregular quando ele está perto de mim – e prefiro nem dizer a reação do meu corpo àquele maldito sorriso torto que fica brincando naquela boca linda.
Merda! Está vendo o que eu estou querendo dizer? Boca linda?! De onde isso saiu? Certamente não foi de mim.
Ele tem uma boca horrível. Horrível! E eu odeio aquele sorriso torto dele. Odeio!
Também odeio aquele cabelo ridículo, que fica ridículo naquele ridículo estilo bagunçado.
Se falar daquela cara ridícula que ele tem.
E o que dizer daquele corpo? Ridículo. Ridículo!
Corpo sarado é totalmente superestimado! Acho ridículos aqueles gominhos que ele tem no abdome nem um pouco sarado.
Homem mais horrível.
E não, ele não tem sido mais gentil comigo.
A falta de porrada, o aumento na quantidade de comida e água, as melhorias aqui no quarto e as visitas inusitadas não são sinais de gentileza e bondade.
Ele apenas está tentando me iludir. Afinal, se depois da tempestade vem a calmaria, quem me garante que depois da calmaria não vem a tempestade?
Eu estava tão perdida em pensamentos, que só percebi que não estava mais sozinha quando ouvi sua risada rouca:
— Posso saber em que meu docinho está tão concentrada pensando?
P.S.: também acho esses apelidos ridículos.
— Estou pensando em como você é ridículo – fui totalmente sincera.
Ele me presenteou com outra risada baixa.
Merda, vou ter que adicionar essa risada a minha Lista Do Ódio.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Bem me quer, mal me quer.
General FictionKatherine Thompson: - 23 anos; - Filha amada; - Namorada dedicada; - Amiga querida; - Estudante exemplar; - Sequestrada.
