Era uma sensação ruim estar presa nesse lugar úmido, frio, escuro, estava com sede, precisava ir ao banheiro, Rousy não aparecia, estava perdida. Levantei e comecei a andar de um lado para outro, ver se pelo menos conseguia aumentar a temperatura do corpo, estava tremendo de frio. A portinha do porão abre, Saulo me olha.
Inquieta? - Ele pergunta.
Ignoro sua presença.
Fome? Frio? - Pergunta de novo.
Silêncio.
Não responde é porque está bem né? Bom dia! - Ele fala e fecha a porta.
Fdp - Penso.
As horas passam e eu estou aflita, a sede aumenta e a fome também. Depois de muito tempo Rousy aparece.
Graças a Deus! - Falo suspirando.
Toma! - Ela atravessa pela pequena brecha, uma garrafa de água e uns biscoitos.
Foi o que deu! Saulo está na minha cola - Ela fala olhando para o final da passagem secreta.
Tudo bem! - Respondo de boca cheia.
Termino de comer e entrego as embalagens a ela, Rousy vai embora. Eu não tinha mais noção de hora, não sabia se ainda era de dia ou noite, neste lugar não me dava alternativa de saber, eu não parava de pensar em Jhully, se ela estava bem ou não a aflição tomava conta de mim, depois de muito tempo, apaguei naquele chão frio novamente.
Eu acordei, levantei e fiquei olhando aquele lugar, escuro e sombrio, escutei um barulho de como se tivesse alguém caminhando pelo local, minha pele fica arrepiada, eu me encolho no canto com medo. Sinto uma respiração em minha orelha e logo lembro dele, Max.
O que você quer? - Pergunto entre choros.
Você! - Responde como se estivesse longe de mim.
Porque não me deixa em Paz! - Falo alto.
Desde de quando você tem paz? - Ele me pergunta.
Sai daqui! - Eu grito de olhos fechados.
Abro os olhos devagar e me assusto, Max está na minha frente, seu rosto estava inchado, pálido, seu olhos estavam roxos, seu nariz e boca saía sangue, e seu corpo estava completamente insanguentado. Fico horrorizada, ponho minha mão sob a boca para não gritar. Max anda pelo porão e num canto pega um galão, posso sentir o cheiro de gasolina quando ele espalha por todo porão, eu balanço a cabeça negativamente pedindo para que ele não faça isso, e ele gargalhava alto. Da porta de cima ele joga o isqueiro a chama sobe, e depois não vejo mais nada.
Alice? - Escuto alguém me chamar.
Abro os olhos e vejo Saulo. Estou suada e quente, meu corpo doía, minha boca estava seca, estava sem forças. Saulo me pega no colo e me tira do porão. Estava confusa, num era Max, agora é Saulo como assim? Fico pensando até o caminho do meu quarto.
Estava tendo um pesadelo com Max? - Saulo pergunta me colocando na cama.
Acho que sim - Falo passando a mão no rosto suado.
Você está com febre! - Ele fala se retirando do quarto.
Rousy entra.
Vamos vou te ajudar a tomar banho - Rousy fala me levantando da cama.
Tomo um banho quente rápido, visto um um roupão e me deito na cama com muito frio, Rousy penteia meus cabelos, em seguida Saulo trás um sopa de legumes.
Coma! - Ele manda e se retira.
Faço cara de nojinho.
É melhor comer, você está fraca! - Rousy fala.
Cadê Jhully? - Pergunto.
Na madrugada ele teve um sangramento, foi para o hospital, mas ja está aqui - Ela fala.
Tá tudo bem? - Pergunto preocupada.
Tá com ela e o bebê. Só precisa de repouso, ela ficou nervosa com tudo que aconteceu Alice! Por isso pelo bem de vocês duas, acho melhor não estressar Jhully com tudo que aconteceu com você - Ela fala.
Fico triste.
O que falaram para ela? - Pergunto.
Bom Thayna inventou uma belíssima história que você está passando uma temporada com seu pai, porque estava rebelde demais, e bebendo horrores - Rousy fala.
Vaca! - Falo.
Rousy sorrir.
Foi mal - Falo.
Tudo bem - Ela responde.
Tomei a sopa e fui descansar, depois queria falar com Jhully.
2 horas depois
Eu acordei já no sentido de falar com Jhully, mas olho o relógio já era tarde, não queria incomodar, era esquisito esses meses que passei longe dela, foi como se não nos conhecêssemos mais, ela mudou eu mudei, somos novas pessoas. Eu não queria que Jhully pensasse que eu era uma bêbada rebelde, e sim sua amiga que poderia lhe ajudar, mas daí eu conto a verdade, e tudo começa um inferno outra vez! Minha febre havia passado, mas meu corpo ainda doía, levantei da cama e desci as escadas, Jhully está sentada no sofá.

Jhully? - Falo.
Ela me olha e sorrir com lágrimas nos olhos. Vou até ela e lhe abraço.
O que nossa vida se tornou? - Ela fala me olhando.
Eu sorri.
No final todo mundo será feliz! - Falo lembrando de uma história que sempre sua mãe nos contava quando éramos crianças.
Ela sorrir agora.
Aliso sua barriga e me assusto, seu bebê começa a mecher sem parar.
Ela é assim toda agitadinha - Fala olhando sua barriga.
Ela? - Pergunto.
Sim - Responde.
Mas... Não era um... - Sou interrompida.
Nunca foi um menino, Bob e seu pai colocaram isso na cabeça - Ela fala meio cabisbaixa.
Silêncio.
Não entendo essa fissura, Bob disse que tem que ser um menino, seu pai lhe falou que não aceitará uma menina, porque mulher só lhe traz azar, e dor de cabeça - Jhully fala com raiva.
Absurdo, tinha que ser Saulo - Falo.
Porque você veio parar aqui Alice? - Ela me pergunta.
Longa história, o que importa é que temos que proteger essa menininha - Respondo alisando sua barriga.
Proteger? - Ela pergunta.
Calma Alice vai assustar ela! - Penso.
Quero dizer cuidar dela Jhully - Respondo.
Entendi! Sei que minha filha vai ter uma boa vida, só quero contar logo, não quero que Saulo pense que estou lhe enganando, tenho certeza que vai ficar triste mais depois vai aceitar - Ela fala esperançosa.
Eu estava preocupada, jamais Saulo aceitará, tudo tem que ser como ele deseja, e eu temia o que estar a acontecer.
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Garota Imperfeita
Mystery / ThrillerE se tudo mudasse em um piscar de olhos? E se você tivesse que abandonar sua escola, seus amigos por um erro que cometeu. Alice mudará de vida completamente, e seu passado imperfeito vai aparecer, ela nem imagina o que vai ter que enfrentar, convive...
