Lembranças do passado

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Acordei já eram 20:00 hs, levantei e desci minha mãe estava na sala, fui até a cozinha e jantei, passei pela sala e fui subir pro meu quarto minha mãe me chama.

Alice. Precisamos conversa - fala séria.

Mãe tenho que dormi. Amanhã acordo cedo pra ir a escola - falei tentando sair daquela situação.

Você pode esperar - falou.

Me sentei ao seu lado.

Porque você chegou daquele jeito? - perguntou.

Mãe não quero falar sobre isso - falei ignorante.

Você não pode fugir das coisas pra sempre Alice - falou.

Eu sei - respondi

Filha aquele homem que estava com você na escola, quem é ele? - perguntou.

Ele é Saulo. Meu professor de literatura - respondi.

Ele é legal? - perguntou sorrindo.

Sim. - falei.

Porque ta perguntando isso mãe. Esta interessada nele? - falei rindo.

Alice! Me respeite - falou com as bochechas vermelhas.

Ah mãe! Depois que você se separou do pai do Carlos não arrumou mais ninguém - falei.

Estou bem assim - falou aliviada.

E antes do pai do Carlos. O meu pai. Como ele era mãe? - perguntei olhando nos seus olhos.

Aah seu pai era um homem muito bonito, você se parece um pouco com ele, pena que morreu tão cedo - falou olhando pra baixo.

Paramos de conversa, e ficamos assistindo, mas minha cabeça mergulhava em turbilhões de pensamentos. Eu não entendia minha mãe nunca dava detalhes sobre meu pai. Quando tinha 5 anos disse que ele morreu em um acidente de carro e foi pro céu. tive uma infância feliz. Aos 8 anos mamãe se casou com Hebert pai de Carlos. Aos 13 anos comecei a ter uma adolescência muito difícil, fiquei muito rebelde. Aos 15 anos senti vontade de morrer, comecei a me corta nos pulsos. Parecia que ninguém me entendia, que ninguém ligava pra mim, só queria um pouco de atenção, de carinho, sem que tivesse pena de mim.

19-05-2014.

Estava no meu quarto e havia me cortado nas pernas e nos pulsos. Estava completamente atordoada, só sentia vontade sumir. Todos me chamavam de louca quando via minhas cicatrizes, sociedade de merda, ninguém entendia meus motivos, não era minha pele que estava estava com cicatrizes, era minha alma, cheia de palavras inúteis que me disseram, de amizades falsas, de ilusão, mentiras, eram tantas coisas, eu não aguentava e descontava tudo na minha pele, passava as lâminas varias vezes, o sangue escoria pelos meus braços e eu sentia que tudo tinha passado, que a dor havia ido embora por um momento. Eu fui ao banheiro e tomei um banho, me vesti e desci, achava que todos estivessem dormindo, fui na cozinha e minha mãe e minha vó estavam lá sentadas na mesa conversando, queria sair dali nn queria que elas vissem meus cortes. Quando ia sair da cozinha minha mãe me chamou para dar um beijo de boa noite, e quando me aproximei ela viu. Levantou e me perguntou o porque daquilo, e que já desconfiava que fazia aquilo, minha mãe me olhava triste e minha vó chorava, eu subi as escadas correndo. Só pensava que fiz pessoas ficarem triste pelos meus atos, fiquei nervosa, pulei a janela e fui andando chegando a uma pista escura vi as luzes de um carro vindo em alta velocidade, me joguei na frente dele.

Me acordei já em um hospital, fiquei em coma por 25 dias, e nesse tempo lembrei que sonhava com meu pai, mas nunca conseguia ver o rosto dele.

Já estava tarde e subi para meu quarto, antes de abrir a porta escutei um barulho vindo de lá de dentro, abri a porta bem devagar e olhei tudo não havia ninguém, olhei na janela nada, na mesa do meu computador havia um papel e uma flor branca, abri o papel era um desenho, só rosto da minha mãe e eu. Fiquei surpresa nunca tinha visto aquilo, nem minha mãe nunca me mostrou será que foi ela? Bom guardei o desenho e a rosa dentro de uma caixinha. E fui durmi.

Acordo as 05:46 tomo banho e me arrumo, minha mãe me leva pra escola, vou ao meu quarto e Anny já está lá, lhe comprimento e vamos pro refeitório, procuro Pietro mas não o encontro. Uma menina de cabelos curtos pretos e encaracolados senta ao nosso lado.

Olá. Vocês são Alice e Anny? - fala ela.

Sim. Somos. Porque? - Anny pergunta.

Sou Nat nova aluna aqui, e sou a nova colega de quarto de vocês - falou sorrindo.

Ótimo mas alguém pra dividir o banheiro - falei irônica.

Levantei e sai pro meu quarto faltava apenas 20 minutos pras aulas começarem. Entrei no quarto e tirei os lençóis vermelho, e coloquei um preto com estampa de lua azul. Na parede coloquei algumas fotos minhas, da minha mãe e minha vó e uma foto minha com Jhule, peguei a próxima foto era minha e de Adrian, rasguei e joguei no lixo, peguei a flor que Pietro me deu e a flor que colocaram no meu quarto na noite anterior, eram idênticas, coloquei em um pequeno vaso com um pouco de água e coloquei perto da minha cama. O sinal tocou e fui pra sala, Anny e a tal garota Nat já estavam lá, procurei Pietro e não achei ele, sentei na última cadeira, era a aula da professora ruiva, do qual eu nem lembro o nome. Senti falta da Pietro, do seu jeito engraçado de ajeitar seus óculos. Mas afinal onde ele estava?

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