3¤ SEMANA

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Vi Tony ali no chão ferido, os dois disparos da arma de Saulo tinha atingido um em sua perna direita e o outro não pegou porque Tony se esquivou, e tudo por culpa de Max. Também não entendi porque Rousy não contou a verdade, talvez tivesse evitado tudo. Saulo vai embora com Max como se nada tivesse acontecido. Eu fico ali parada tentando achar uma forma de ajudá-lo, corri para casa e chamei Cecília que estava limpando a cozinha, contei o que tinha acontecido e pedi sua ajuda, ela não negou, parecia gostar muito de Tony, ela pegou uma maleta de primeiro socorros e disse que já foi enfermeira, saímos da casa as pressas e chegamos até lá, Tony estava sentado, Cecília olhou sua perna e falou que o tiro varou sua perna, que pelo menos a bala não estava alojada, ela fez um compressa para dimunir o sangramento e depois de uns dez minutos fez um curativo, levantamos Tony e levamos para seu quarto.

Obrigado! - Ele agradeceu.

Sorrimos.

Deixamos Tony lá, Cecília voltou a fazer seu trabalho, e eu fui falar com Rousy, entrei em seu quarto, lá estava ela deitada na cama encarando o teto e fumando seu cigarro. Fiquei parada encostada na porta de braços cruzados, ela me olhou e soltou a fumaça pelo nariz.

Porque não contou a verdade? - Perguntei.

Ela soltou a fumaça pelo nariz novamente.

Rousy você tem noção do que causou a Tony? - Perguntei séria.

Eu sei o que estou fazendo!  - Falou e em seguida levantou da cama querendo passar pela porta, acabou ficando em minha frente.

Eu espero que você saiba mesmo! - Falei a encarando.

Ela sorriu de lado, abriu a porta e foi embora.

Rousy.

Não na verdade eu não sabia o que estava fazendo, mais precisava me desculpar com Tony, fui até a cozinha peguei uma bandeja, coloquei um copo de suco de uva, alguns biscoitos amanteigados, e uma maçã, fui levando até o quarto de Tony temendo que alguém me visse fazendo essa caridade para ele. Nem bati na porta, entrei, me assustei, Tony estava de cueca deitado.

Rousy? - Ele fala assustado.

Ah... Desculpa! - Falei constrangida.

Tony pega um lençol e se cobre.

Entra e fecha a porta. - Ele
mandou.

Trouxe para você! - Falei colocando a bandeja ao lado da sua cama.

Obrigado - Agradeceu.

Me desculpe! - Falei cabisbaixa.

O que não fazemos para defender quem a gente ama? - Ele falou irônico.

Respirei fundo para não falar o que não devia.

Não vai comer? - Perguntei.

Sim! - Falou pegando a bandeja e colocando nas pernas.

Tony começou a conversa sobre varios assuntos, música, filmes, comida, de tudo... Acabou parando em relacionamento. Disse que nunca durava por muito tempo com alguém, era uma pessoa misteriosa como chamavam ele, tinha que sempre estar sumindo por uns tempos para fazer os serviços de Saulo.

Quantas vezes eu te segui Rousy. - Falou ele sorrindo.

Está brincando? - Perguntei assustada.

Balada Night Dance, Festas no lado da zona sul. - Ele falou me encarando.

Saulo mandava você fazer isso? - Perguntei.

Sim. - Ele falou tomando um gole do suco.

Quando Alice chegou, Saulo queria contratar mais gente para ficar de olho, porque Alice é mais complicado, tem gente lá fora atrás dela... Só que não é fácil colocar gente naquela mansão, tem que ter vários testes de confiança, e nas suas viagens, Saulo vai atrás dessas pessoas. - Ele falou.

Então você está traindo ele, pois viu que nos saímos e não falou nada - Falei o encarando.

É... E tou tentando salvar minha vida, você mesmo estourava meus miolos se contasse algo. - Falou dando um leve suspiro.

Um vento frio entra pela janela, circulando o quarto de Tony, uma chuva forte começou.

É engraçado como Saulo trata Alice - Falei.

Tem ciúmes? - Ele perguntou.

Claro que não! - Falei com cara feia.

Rousy não precisa se sentir menos especial que Alice, vocês não merece dar amor a Saulo, não precisam fazer com que goste dele, você é perfeita assim do jeito que é, não se culpe por ter um "Pai" como ele, você pode até dizer que não gosta de Saulo, você pode dizer que eu não te conheço, mas eu passei a minha vida toda a te observar, no início eu não gostava, mas depois achei que isso ia me ajudar a te ajudar futuramente, é só olhar nesses lindos olhos azuis e ver o quanto você queria ter uma família normal, o quanto você queria dar esse amor que tem em seu peito a Saulo, que ele amasse e sua mãe também. Quantas vezes vi você encher a cara no escritório de Saulo, tantas vezes por falta de quem conversa, de carinho, atenção, não se julgue Rousy, você aguentou tantas coisas, só pesso uma coisa, não aguente mais tanto sofrimento de um segundo psicopata, não proteja Max. - Ele falou olhando nos meus olhos.

Tudo que Tony falou foi tão verdadeiro que acabei chorando. Ele levantou para me abraçar mas logo machucou sua perna.

Não precisa Tony, eu estou bem - Falei limpando as lágrimas.

Vem cá Rousy! - Ele me chama para sua cama.

Eu fui, sentei ao seu lado.

Não precisa ser sempre durona, você não precisa segurar suas lágrimas, você também precisa de carinho. - Ele falou me abraçando.

Chorei tudo que havia guardado dentro de mim por muito tempo, nunca pensei que alguém que só via as vezes pudesse saber tanto de mim. Eu deitei em seu ombro, e Tony ficou alisando meus cabelos, aquilo era bom, sentia um aconchego, uma tranquilidade que nunca senti com Max, eu apenas me iludi com aquele monstro e estava sentindo que elogo ele ia pagar por tudo que fez. Depois de uns dez minutos levantei com o susto de um despertador, Tony falou que era seu remédio, peguei e dei a ele. Sentei do outro lado da cama, Tony deitou sua cabeça em minhas pernas, e ficamos alí conversando, esqueci até do tempo, olhei pela janela e a fazenda havia ficado escura. Vi Tony fechar os olhos, ele devia estar sentindo dor e cansado, alisava seus cabelos, pensando em tudo que ele falou. Derrepente ouço gritos de Alice, Tony despertou.

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