Capítulo II

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            Depois do momento que tivemos na parte da manhã eu e Roberto seguimos até a cozinha para comer algo já que todos da casa já tinham se levantado

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Depois do momento que tivemos na parte da manhã eu e Roberto seguimos até a cozinha para comer algo já que todos da casa já tinham se levantado. Durante a manhã não tive nenhuma notícia então retornei a área de trás da casa e me deitei em uma cadeira de descanso e acabei pegando no sono, quando acordei não estava na cadeira e sim na cama e sobre minha cintura um braço que pela tatuagem já sabia de quem era, tentei me movimentar o mais devagar possível para não o acordar, uma missão falha pois assim que tirei seu braço completamente e o coloquei devagar sobre a cama Roberto despertou.



- Já estava de saída, desculpe lhe acordar - disse pegando o chinelo que estava ao lado da cama dele



- Eu que lhe devo desculpas , cheguei e te vi lá fora deitada e estava começando a escurecer para chover - falou se levantando e indo em direção a cadeira que estava sua blusa - Então lhe trouxe para dentro, mas Jô estava limpando seu quarto e te trouxe para cá e acabei dormindo também - olhei pela janela e realmente estava chovendo muito então o agradeci e antes de sair do seu quarto uma menina loira entra e me olha com uma cara de raiva imensa



- O que está acontecendo aqui Roberto? - olhei para ela com mais calma e era Tainá, uma menina com quem Roberto me traiu a muito tempo então dei as costas mas ouvi ele gritar.



- Tainá isso não é da sua conta - não esperei ver o resto da conversa, fui até meu quarto e me arrumei, estava de noite e queria comer algo então depois de vestir meu pijama fui até a sala onde estava beta e Vini deitados juntinhos



- Boa noite meu dengo - beta fala ao me notar na sala, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa sinto alguém me empurrando com força para frente, olho para trás e é a maluca



- Tá com algum problema garota!? - falei me ajeitando no sofá que eu tinha caído



- Você é meu problema Jane, sempre foi! Ele está comigo, aceita e some - falou saindo da casa, olhei para beta e Vini que não entenderam nada assim como eu. Pedimos a pizza e ficamos assistindo filme até pegar no sono.



Acordei cedo no outro dia me arrumei e decidi que não ia ficar parada, então desci tomei café e fui trabalhar. Cheguei no trabalho e me fiquei cem por cento em tudo, reformulei planilha, fiz conta de mercadoria que saiu e das que chegaram, puxei extrato das últimas movimentações, fiz meus relatórios e estava terminado de fazer o pagamento para a nova área da escola enquanto Roberto terminava de fazer o levantamento de quantos homens o morro tem trabalhando para o tráfico, estava o maior silêncio quando meu telefone tocou, era um número restrito.



- Alô? - falei e ouvi ao fundo um choro - Quem é? - a minha alteração na voz fez com que a atenção de Roberto viesse para mim.



- Jane? Filha? - ouvia voz da minha mãe chorando - Eu preciso de ajuda!



- Cadê a Rane? Onde você a levou!?- perguntei com ódio



- Eu não sei, Geraldo pediu para pegar ela depois da escola e depois sumiu - falou chorando



- Eu vou te matar, onde ele deixou a Rane? Me fala agora, você saiu junto com ele, sei que sabe onde ela está! - antes que ela possa falar algo, escuto um tiro e o silêncio dela, eu escuto ao fundo Geraldo e mais um cara falar que não sabia como ela tinha conseguido o celular. Quando ele pegou o celular parece que viu meu número e falou um puta que pariu e do nada a linha fica muda, ele matou minha mãe! Roberto vem em minha direção vendo que eu estava abalada quando senti seus braços desabei a chorar, ela não sabia de nada, foi uma vítima como Rani. Meu mundo estava se desmontando aos poucos, perdi minha mãe, e não sei onde Rane está.



- Estou aqui Jane, pode contar comigo sempre - mesmo em seus braços não conseguia sentir calma, todo medo não tinha fim!



- Então era com ela que estava a noite toda né seu filho da puta! E você sua vadia, nunca ouviu dizer que talarico na favela não tem vez? - olhei em direção a porta e Taina estava lá com os braços cruzados e uma cara de ódio mas não me irritei, aquele momento estava sendo muito dolorido para mim então apenas dei as costas e sai andando até a casa de Mauro onde ainda estava hospedada, fui até meu quarto e fiquei deitada pensando em como um homem consegue matar a mulher que supostamente ama e ainda sequestrar a filha!



A tarde foi agoniante, ninguém sabia onde estava Geraldo e muito menos onde desovaram o corpo da minha mãe. São tantas perguntas sem respostas que eu não consigo me aquietar, eu tentei pensar em algum lugar, ou conversa que tiveram ou sei lá qualquer coisa que ajudasse a encontrar Rane, mais nada vinha em mente o que me deixou pior pois sempre fui muito observadora e não percebi isso.



Uma semana depois



Uma semana já se passou e até agora nenhuma notícia do corpo ou da Rane, a única coisa que sabemos é Geraldo não está agindo sozinho e minha mãe está morta, não ligaram para pedir dinheiro e isso me deixa pior pois se não ligaram para pedir dinheiro ou ela está morta, ou não ele não tem a intenção de devolvê-la. Faz um dia que não vou trabalhar estou cansada de olhares de pena sobre mim todas as vezes que ando na rua. Estava lendo um livro no quarto, quando meu telefone toca era um número privado assim que atendi escutei a voz do maldito e antes que eu disse-se qualquer coisa ele falou



- Jane minha querida, quanto tempo! - dava para ouvir o sarcasmo na sua voz - É bom saber que está sozinha! - me perguntei como ele sabia disso - Mas sabe o que seria melhor, tê-la para mim! O que acha? É uma troca justa, você pela chorona - disse e meu ódio só subia mais - Pelo menos você seria mais fácil de vender viva, assim me dando mais dinheiro. O que acha? É uma troca justa - concluiu



- Como você pode pensar em vender sua própria filha, você é completamente doente Geraldo! - falei e ele gargalhou



- Eu nunca quis Rane e nem você na minha vida, mas sua mãe era muito fraca e não conseguiu sumir com você e muito menos com ela - aquelas palavras doeram, mas aceitei ir no lugar dela, pelo menos ela ficaria bem e segura.



- Quer fazer a troca quando? - perguntei e ele me disse tudo que eu precisava saber, a troca iria acontecer em um matagal que tinha na parte de trás do morro, não era para eu falar a ninguém pois tinha gente me vigiando, era para eu levar apenas uma roupa e nada de celular, ele não queria que ninguém me rastreasse. Concordei e marcamos para a próxima tarde, ele desligou e eu imediatamente fui até o "escritório" de Mauro, ali ninguém teria visão minha, peguei um caderno e escrevi todo o plano do Geraldo e o por que eu aceitei ir até lá, disse também que estava sendo vigiada e que não era para alertar ninguém do morro apenas os três deveriam saber até a tarde do dia seguinte.



Sai de lá e voltei para meu quarto, já era tarde da noite quando percebi que alguém estava abrindo a porta do meu quarto, fui até o celular embaixo do travesseiro e liguei a tela que estava com a luminosidade alta e vi que quem estava entrando no quarto era Roberto e pela cara já havia lido a carta que eu deixei, sem dizer nada caminhou até a cama e se deitou ao meu lado fez com que eu deitasse sobre seu peito e fez carícias no meu cabelo até eu dormir, eu chorei um pouco pois sabia que provavelmente seria a última vez que eu o sentia assim tão perto e mesmo não querendo o sentimento de antes havia voltado e isso me deixou pior.



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Capítulo revisado (espero que gostem)

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