Livro I
Mais um dia me vejo aqui, olhando para a janela e pensando em como o mundo pode ser tão cruel com pessoas tão boas, ou será que eu não era uma pessoa tão boa assim ?
O barulho da chuva que caia naquele dia estava me acalmando, mesmo eu s...
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“Foi quando tudo estava escuro que eu encontrei você, minha luz" — Vendida para o Dono do Morro
3 meses depois — Não brinca com coisa séria Jane! – Roberta gritava enquanto eu continuava seria — Tá você não está brincando – concluiu ela depois de ver minha cara
— Ela me falou isso ontem, minha ficha ainda não caiu – falei. Ontem foi um dia bem tumultuado, a doutora que me salvou é minha irmã por parte de pai e meu pai quer que eu vá para São Paulo só pra conhecer ele e Roberta acha que é pura marmota.
— E como ela sabe que é você? – minha amiga desconfiada perguntou e eu sorri
— Amiga nos fizemos um teste ontem, se formos irmãs vai constar – disse tentando tranquiliza-la — E mesmo que for, eu não vou pra São Paulo – falei sorrindo
— Toni ligou de novo – ela falou, tirando o sorriso da minha cara instantaneamente — As crianças querem te ver, já faz tempo Jane e elas não têm culpa do pai que tem – concluiu e eu disse que ligaria pra Ana e marcaria pra ela trazer as crianças e fui pra casa, chegando lá Tainá estava com algumas amigas na piscina mas nem liguei só subi pro meu quarto, queria ficar sozinha um pouco e ver o que faria em relação a Toni. Já era quase noite quando decidi que ligaria na casa para falar com Ana e ver se ela traria as crianças aqui pra me ver, o telefone tocou uma, duas, três.... no quinto toque que eu ia desligar uma voz atendeu
— Alô? – era a voz de um homem, mas eu não conhecia
— Gostaria de falar com a Ana por gentileza
— Infelizmente não será possível, eles não estão na casa no momento
— Gostaria então de falar com o Toni, se possível
— Senhora, eu só atendi por que precisamos de um responsável pra vir até o Hospital ficar com o senhor Toni pois ele tentou se suicidar a algumas horas atrás, eu fiquei na casa para aguardar alguém chegar, a senhora poderia ir ao Hospital Miguel Couto acompanhar? – quando ele falou isso meu coração parou por um instante e meu bebê começou a mexer muito eu ainda sentia algo por ele além do ódio, então disse que sim eu iria, me arrumei e pedi pra Beta ficar com as crianças e expliquei pra ela o que tinha acontecido, ela não falou nada e só disse para eu tomar cuidado então pedi um Uber e fui levei trinta minutos para chegar e quando cheguei meu peito já estava apertado de mais, parecia que tudo estava saindo do lugar de novo.
— Sou a acompanhante do paciente Antônio dos Santos, me pediram para vim – falei e a moça olhou apenas para a minha barriga — Sim estou grávida , invés de ficar olhando minha barriga poderia me dizer onde está o pai da minha filha ? – pronunciar essas palavras em voz alta me deixaram estranha, a moça disse que ele estava no quarto nove do segundo andar, peguei o elevador e assim que chegou no segundo andar eu travei, ele é o homem que me deixou pra morrer , que me usou e deixou outros me usarem, eu não consigo! Esses pensamentos não me deixavam ir em frente e eu fiquei ali, parada pensando o que fazer quando meu celular toca
— Jane onde você está? – Roberto praticamente grita do outro lado da linha
— Eu tô no Hospital Miguel Couto, aqui no Leblon. Porque? – pelo desespero alguém deve ter morrido
— Você foi ver ele? – sua voz mudou de zangado para triste em minutos, nos já não estávamos bem por conta da Tainá, aí me vem essa ainda
— Sim, eu vim por que não tem mais ninguém para ficar com ele Roberto- falei e ele apenas desligou o telefone, eu sei que ele está chateado mas eu tenho que aturar a taina dentro da minha casa, então ele aguenta uma visita no hospital. Caminhei até o quarto nove e me deparei com um Toni totalmente diferente do que eu conheci, ele estava magro de mais e com uma cara de abatido, cheguei mais perto e peguei na sua mão ainda com medo — O que você fez – disse bem baixinho pra que ele não acordasse, mas foi em vão, seus olhos se abriram e ele parecia tentar assimilar o que havia acontecido ainda
— É você mesmo? Ou é mais uma alucinação? – perguntou e eu só disse “sou eu" e seus olhos encheram de lágrimas — Me perdoa, eu fui um lixo, deixei o ciúmes me cegar mas não posso ficar longe de você Jane e nem da nossa filha, me perdoa eu não sei mais o que fazer – disse derramando lágrimas e lágrimas
— Toni, eu não tenho mais o que te perdoar, o que eu passei só me fortaleceu, você deixou sua “mulher” e sua filha pra morrer ali, não me trouxe a um hospital e nem sequer me procurou enquanto estava em coma durante um mês – disse o que estava entalado e ele chorou mais ainda, me pediu perdão e disse que só queria ver a filha, fazer parte da vida dela e queria que as crianças tivessem contato comigo novamente por que eu faço falta na vida delas eu ao disse sim com a cabeça e fiquei quieta o resto da noite
— Eu posso ? – depois de horas em silêncio ele pergunta, apontando para minha barriga
— Ela está quieta , mas se quiser – me levantei e peguei sua mão e coloquei no lugar onde ela estava e na hora ela se mexeu
— Oi! Eu sou seu pai. Sei que fiz sua mãe sofrer mas você eu prometo que não vai sofrer, e quando sofrer eu vou estar lá para você – olhei aquela cena e me emocionei, Roberto por mais que tenha sido um grande namorado não tinha esse carinho por ela — Qual o nome dela? – perguntou e eu fiquei sem graça, não tinha dado um nome pra ela ainda
— Luara – falei e ele me olhou com uma cara de interrogação – Significa luz do luar, ela foi minha luz na escuridão que eu me encontrei – falei e voltei a me sentar, meu telefone não parava de chegar mensagens, eu ia ficar mas Melissa chegou e me expulsou de lá e como eu não queria problemas só fui embora, Toni ainda ama essa mulher e eu não quer ficar no caminho de ninguém. Pedi o Uber e fui pra casa direto, entrei e estava o maior silêncio, estranhei mas subi, provavelmente as crianças estavam dormindo já então subi direto pro meu quarto e quando estava ainda nas escadas deu para ouvir o ranger da cama e os gemidos de alguém, quando abri a porta do quarto Tainá estava deitada na minha cama e Roberto no meio de suas pernas, quando ela percebeu que eu estava ali sorriu como se estivéssemos em uma competição Roberto então olhou pra trás e saiu de dentro dela — Não se incomode, já estou de saída – disse antes que ele pudesse falar qualquer coisa e sai. Mais uma decepção para a conta e para piorar as crianças estão na Beta, me tranquei no quarto de Rane e dormi, não estava com cabeça pra nada.