Capítulo VII

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"A morte nunca vem sozinha, a dor lhe acompanha no seu caminho e o alívio nós chama do outro lado, como um grande abraço"
- Vendida para o dono do Morro
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A festa estava cheia e mesmo assim sentia os olhares em mim, já sabia de onde estavam vindo o que me deixava ainda mais incomodada por não poder dar um grande abraço em todos.



- Quer ir embora ? - Toni perguntou mas eu neguei, sabia que era um momento especial para ele e ultimamente estamos nos dando bem, não via motivos para estragar aquele momento



- Não, eu só não estou muito bem com os olhares - falei e ele ficou sério.



- Se arruma, e pega as coisas das crianças, vou me despedir e já vamos - falou se levantando e me deixando sozinha ali, não demorou muito Roberta vem caminhando em minha direção com um olhar triste



- Oi crianças como estão? - falou com os gêmeos que estavam sentados na cadeira com uma cara de sono, olhei pra minha amiga tão linda com um vestido rodado bem largo e seus cabelos soltos, a saudade bateu forte - Vocês sabiam que eu também vou ter dois bebês, um menino e uma menina igual vocês dois - falou e eu olhei com espanto ela retribuiu o olhar com tristeza mas não falou nada apenas deu um beijo nas crianças e virou para voltar a mesa, mas antes que saísse eu soltei uma coisa que apenas nos duas sabíamos, um código combinado a muitos anos para dizer que estávamos bem - A.E.S - ela olhou na minha direção e no mesmo momento desviei o olhar e apenas a parabenizei pela gravidez.



- Vamos amor - Toni falou chegando perto e eu concordei, me despedir de quem estava por perto e caminhei até o carro em silêncio o que fez Toni ficar preocupado - Você falou alguma coisa pra ela ? - perguntou meio rude e eu neguei com a cabeça - Por que está estranha ? - olhei pra ele com uma cara de incrédula, como assim por que?



- Eu estou assim por que minha melhor amiga está grávida e eu não posso vibrar de alegria por ela, sabe por que? Por que eu estou fingindo ser uma pessoa que eu não sou ! - desabafei e passei o caminho inteiro de cara virada e perto de casa me lembro do tal casamento e assim que entramos na garagem toquei no assunto - Casar Toni? Quando decidiu isso? - perguntei descendo do carro e abrindo a porta para pegar Mariana que estava dormindo



- Catarina, eu estava sob pressão não ia lhe pedir em casamento só ia te passar a gerência do morro e pronto, mas Roberto estava muito desconfiado então improvisei - falou tirando Matheus que também estava dormindo, o olhei com raiva mas entendi o que ele estava tentando fazer



- Eu não vou embora Toni - falei e ele ficou quieto - Sim eu sinto falta deles, mas não vou te deixar ou deixar as crianças - concluí colocando Mariana na cama dela e indo tomar um banho pra tentar me esquecer dessa noite. Saindo do banho vi que Toni estava sentado na minha cama, não era um bom momento para conversar mas eu sabia que ele precisava falar então amarrei melhor a toalha e sentei na cama com ele e deixei ele falar.



- Eu sei que não quer conversar Jane, mas tem uma coisa que eu preciso te falar - ouvir meu verdadeiro nome saindo da boca dele me deixou estática, de quase um ano que estou aqui essa é a primeira vez que ele me chama assim, sua respiração estava ofegante como se estivesse nervoso, com medo de falar - Sabe que não te chamo jeito, mas para falar isso preciso que saiba que é realmente pra você não para a personagem que criei - olhei para ele ainda sem entender o que viria por aí - Eu te amo - falou de uma vez me deixando sem reação - Eu não espero o mesmo de você, eu te fiz sofrer mas não consigo mais te esconder esse sentimento - meus olhos não conseguiram se encontrar com os dele, mas o sentimento era recíproco eu gostava muito dele mais ainda doía um pouco saber tudo que eu tive que deixar pra trás para viver a vida que ele me colocou, ainda não entendia os motivos dele e sentia medo do que aquele sentimento poderia trazer.



- Me conte o que levou você a me comprar, a verdadeira história - Falei e ele ficou triste, abaixou a cabeça procurando por onde começar mas parecia que não encontrava a palavra certa então resolvi ajudá-lo - Ana já me contou sobre a mãe das crianças, pode começar depois da morte dela - ele ficou espantado por eu já saber da história, puxou o fôlego e começou a falar



- Depois que ela morreu meu mundo desmoronou, foi quando eu resolvo deixar tudo aqui e ir para São Paulo. Lá eu me envolvi com uma facção muito conhecida e me formei lá dentro, cheguei a conhece o chefão de lá e nessa ele me disse que faltava apenas uma mulher do meu lado e eu expliquei a situação para ele, foi quando ele disse que conhecia um homem que sempre vendia algumas meninas sem família e nem futuro para satisfazer os desejos dos "Homens de gola preta" e que de eu quisesse poderia pegar uma apenas para cuidar dos meus filhos e dizer que a conheci lá em São Paulo, assim ninguém iria saber de nada - ele deu uma longa pausa, sua voz estava começando a ficar embaraçada, novamente respirou fundo e continuou - Geraldo, o homem que fazia a transação comunicou que tinha uma mulher jovem e bonita que estaria disponível em dois dias e era do Rio, sua mãe e irmã haviam morrido a pouco tempo e ela estava sozinha no mundo, foi ai que vi a chance perfeita e comecei a negociar com ele, o valor foi bem alto mas valia apena pela mulher que ele me mostrou. Eu só não sabia que você era do alemão e que seu ex namorado era o Roberto. Quando chegou eu tentei ser firme e rude, quando tentou ver o que tinha acontecido e se alguém sabia de você eu tentei ser mais rude ainda, você estava tão amedrontada que eu resolvi para. As crianças estavam te amando, os programas que fazíamos eram tão especiais que não te via mais como uma posse, passei a te ver como uma amiga, e assim foi passando até aquele nosso primeiro beijo de verdade, senti o que eu não sentia a anos! Eu não paro de pensar em você, eu não paro de sonhar com você e de querer estar cada dia mais perto de você! - dos seus olhos escorriam lágrimas e sua voz estava quase inexistente.



- Eu não consigo entender o por que eu? - ele olhou nos meu olhos e sorriu



- Por que na hora que eu vi sua foto meu coração voltou a bater, minha barriga parecia um pote cheio de borboleta e meus olhos brilhavam como os de uma criança - falou chegando mais perto - Eu só pensava em como seria sentir você e o seu cheiro, como seria voltar a amar, como seria ter você cuidando das crianças e nos divertindo, eu só queria me sentir feliz novamente! - terminou de falar e ficamos em silêncio durante um bom período e quando finalmente resolvemos falar alguma coisa escutamos os fogos, estavam invadindo o morro!





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Espero que tenham gostado 🙂

Vendida Para o Dono Do Morro - Livro IHistórias para pegar e não largar. Descubra agora