Acordando

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Eu não morri?

O forte formigamento em meu corpo me diz que estou mais viva do que nunca. Tento abrir os olhos, mas a claridade me incomoda.

- Hum - gemo quando tento me mexer e meu corpo reclama.

- Sofi! - escuto a voz doce de Jô me chamando - Graças a Deus! Como se sente?

Tenho respondê-la, mas minha boca está muito seca.

- Oi... - ela continua - Sim... Sim, ela está acordada. Pode chamar o doutor para mim, por favor? ... Obrigada - então ouço seu suspiro pesado - O médico já vem, filha.

Tenho pedir por água, mas não consigo. Já estou ficando desesperada nessa situação. Porém algo parece atender minhas preces.

- Vou te dar água. Seus lábios estão secos, isso é sinal de desidratação.

Obrigada! Muito obrigada!

Sinto algo tocar meus lábios, mas por conta do formigamento eu não sei distinguir o que é.

- Beba a água do canudo, Sofia - Jô pede e assim o faço com um pouco de dificuldade. Relaxo ao sentir o líquido fresco descer por minha garganta quente.

Essa parece ser a água mais gostosa do mundo. Nem se eu tivesse corrido uma maratona inteira eu sentiria tanto alívio ao beber água.

Consigo respirar melhor depois de me hidratar. Também ouço uma porta sendo aberta segundos mais tarde.

- Então essa é a Sofia? Lorenzo é um canalha de sorte! - uma voz masculina preenche meus ouvidos, seguido pela voz da minha amiga.

- Não fale assim. Respeite a moça... E seu chefe.

- Quase me esqueci o quanto você é careta, Joaninha. Sorte que gosto muito de você.

- Só faça seu trabalho, enjoado.

- Bom, mocinha, vamos checar esses olhinhos, soube que são tão azuis quanto o mar do Caribe.

Sinto o doutor levantar a minha pálpebra e uma luz forte atingir meu olho, acusando uma dor aguda em minha retina. Tento me desvencilhar, mas é inútil.

- Seus olhos estão irritados e sensíveis, mas logo logo vai poder abri-los novamente. Vou aplicar um colírio. Talvez arda um pouco.

Não ardeu pouco, ardeu tanto que me perguntei se ele não confundio o frasco do colírio com um vidro de pimenta.

- Você tá desidratada também, dê muita água a ela hoje, Jô. A pressão dela também está ok. Volto para checá-la à noite. Até lá, a Sofia pode ter algum tipo de sensibilidade a qualquer coisa que exista nesse planeta.

- Isso não é bom... - comenta Jô - O que dou para ela comer.

- Dê algo leve. As gengivas estão sensíveis também. Até mais tarde, minha Joaninha.

- Vá pro inferno, Mike.

Ouço a risada dele se afastando até o som da porta ecoar mais uma vez, se fechando.

Com um pouco de dificuldade, consigo abrir meus olhos. Respiro fundo com essa conquista. Tento me mexer, mas meu corpo ainda exige que eu permaneça onde estou.

- Quer mais água, linda? - Jô oferece.

- Uhum - consigo esboçar. Então, com sua ajuda, me hidrato mais um pouco.

***

Alguns minutos se passam e eu finalmente consigo me mexer e me comunicar. Mas sem movimentos bruscos. Meu corpo ainda formiga bastante.

Olho para baixo e vejo que estou a usar outra roupa, desta vez uma camisola de seda fina e estou sem roupas íntimas. Só não fico envergonhada graças ao cobertor sob meu corpo.

- Você deve estar furiosa com ele, né? - Jô indaga preocupada.

- Não - respondo baixo -. Ele fez o que tinha que fazer.

- Não está achando ele um monstro ou um psicopata como as vítimas dele?

- Uma decisão não definide um homem, Jô. Meu marido é um homem quebrado, e eu estava completamente perdida em como ajudá-lo. Mas posso jurar que vi minha mãe enquanto estava apagada e ela me deu uma luz. Ele precisa de alguém que lhe mostre o outro lado da vida. Um lado cujo onde ele cresceu não lhe foi permitido viver. Um lado bom.

- Você é uma pessoa tão boa. Tão gentil. Nunca conheci ninguém como você, não pensa em vingança... Na verdade não pensa em absolutamente nada negativo... Como pode?

- Minha mãe - respondo -. Segundo papai, puxei a personalidade dela. Ela me ensinou e me fez prometer ser sempre gentil e bondosa.

- Sua mãe parecia ser incrível.

- Ela era.

- Mas toma cuidado, meu anjinho. Um pouco de esperança é bom. Mas muita pode se tornar perigoso.

- Acredite, Jô. Eu sei disso.

***

Quando finalmente tenho forças o suficiente, espero Jô sair - relutantemente - do quarto para fazer uma sopa para mim, já que estou apenas com uma vitamina de goiaba no estômago, e vou até o banheiro em passos leves.

Paro em frente ao espelho, observando a minha situação. Estou acabada. Meu rosto está tão inchado e minhas olheiras tão profundas que parece que acabei de fazer uma plástica. Minha pele está coberta por manchas vermelhas e minha boca rececada revela lábios rachados.

Pego uma escova e passo pelos meus cabelos na intenção de arrumar os fios bagunçados, mas o precesso faz diversos fios se quebrarem. Seja o que for que Lorenzo aplicou em mim, afetou até o meu cabelo. Por fim, apenas prendo-o com um elástico de cabelo. Lavo meu rosto em água fria, pois a morna perecia estar pegando fogo em minha pele.

Volto para o quarto e me deparo com Jô entrando nele também.

- Que bom que já está de pé - ela sorri ao me ver -. O doutor Mike virá depois que você jantar. Ele disse que vai te pôr no soro um pouquinho.

- Obrigada. Pode me ajudar? Não consigo me abaixar ainda - peço, me dirigindo até o armário.

- Claro - Jô deixa a bandeja na cama e me acompanha. Abro a porta mais baixa e aponto para o vaso lá dentro.

- Pegue para mim, por favor. E coloque em cima daquela estante. É um vaso que Lorenzo ganhou de sua mãe - aponto a direção com a outra mão.

- Pode deixar - e assim ela faz.

- Obrigada - volto para a cama -. Preciso comer. A sopa parece ótima - me animo.

- É uma receita de família, você vai gostar.

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Maldito MafiosoOnde histórias criam vida. Descubra agora