Sofia é uma jovem doce, amorosa, educada e do interior. Mesmo em um momento difícil aprendeu uma lição importante com sua mãe: concertar o que se está quebrando.
Lorenzo é capo da mafia italiana, um homem impiedoso e cruel. Cruel ao ponto de obrigar...
- Você só pode estar delirando, Reich! - Lorenzo exclama, irritado. Será que ele não está disposto a abrir mão da mafia para me salvar?
Não o culparia se não aceitasse, é pedir demais! A mafia é tudo para ele. É tudo o que ele tem - além do meu coração.
- Eles matam todos os que saem antes do fim do contrato de trabalho - Nate comenta.
- Todos os capangas - Reich corrige -. Lorenzo é capo. Tem a moral e confiança. É só dizer que irá se aposentar mais cedo - o russo fala, como se não fosse nada. Dá de ombros e arqueia as sobrancelhas despreocupado. Devo admitir que estou completamente incrédula com tanta frieza.
- E eu só queria uma falha no protocolo... - Enzo parece pensar - Então ao invés de eu me livrar das regras da mafia, é a mafia que se livraria de mim...
É notório que seu conflito interno é grande. E eu entendo. A mafia não é só um lugar de direito dele, mas também um refúgio. Um refúgio onde ele protege todos os que ele ama, em especial, a Sol. O lugar, cujo com uma só palavra, ele tem o poder de matar qualquer um que ameaçasse a sobrinha ou olhasse de cara feia para sua mãe.
- Enzo... Não precisa fazer isso... - tento, de alguma forma, tirar esse peso dos ombros ele.
- Preciso sim - suas palavras estão aqui com seu corpo, mas a sua mente e a sua alma não. Dá para ver em seus olhos como ele está distante. Tenho certeza que sua resposta foi totalmente automática.
- Então já está decidido? - Reich se intromete - Escolheu a Sofia?
- Dê um tempo, Reich! - Nate manda.
Me viro para Enzo e lhe lanço o olhar mais tranquilizador que eu consigo. Apesar de por dentro eu estar tão controlada quanto um tornado.
- Sem pressão, tá? Se está mesmo considerando, é melhor tirar um tempo para pensar e...
- Sem tempo para pensar, Sofia - Reich me interrompe -. Você precisa ser sacrificada agora se ele não aceitar largar a mafia.
- E a parte em que eu disse "sem pressão"? - cobro a ele.
- Isso é mafia, Sofia! - começa a discutir - A única coisa que existe aqui é pressão! Ele foi treinado para passar por isso - aponta o indicador direito na cara de Lorenzo, que parece nem mesmo ver aquele dedo em sua face, embargado pela escolha que precisa tomar -. Inclusive, ele já devia ter o veredito.
- Só estou tentando impedir que ele tome uma decisão da qual ele se arrependa depois! - retruco.
- Vocês dois, calem a boca! - Lorenzo interrompe a discussão com um grito - Não consigo pensar com vocês dois gritando.
Reich e eu nos olhamos uma vez mais e nos calamos.
Olho para Nate, e o pego a observar tudo com apreensão. Suas mãos unidas na frente do próprio corpo, a cabeça baixa e o pé balançando, mostra que ele está quase em pânico. E eu o entendo perfeitamente, me sinto da mesma forma.
- Merluzzo... - Reich apressa.
- Só me dê um minuto... - pede - E minha família? Como fica a minha família? Minha mãe? Minha irmã?
- A Sol... - completo, encarando o russo com temor.
- Todos tão livre quanto você! - Reich garante - Pelo protocolo, a família do capo o segue - respira fundo, parece pensar com cautela nas próximas palavras que irá dizer -. Não pense que nunca fez um bom trabalho, Lorenzo... Você fez mais nesses três anos como capo do que muitos em décadas. Trabalhou para mafia de corpo e alma e teve alguns dos planos mais eficientes que eu já vi. Mostrou o seu valor e nunca temeu as consequências. E todos nós o respeitamos por isso - o russo admite. Parece estar sendo sincero e admirar muito Lorenzo -. Mas é preciso quebrar alguns ovos se quizer fazer um omelete.
- Tudo isso por minha culpa - comento para mim mesma em meio ao desconforto de toda essa confusão e abaixo a cabeça. Talvez, se Lorenzo me matasse logo, tudo voltaria ao normal o quanto antes.
- Não, Sofia - Nate me contradiz. Não esperava que ele tivesse me ouvido. Parece eu falei mais alto do que imaginei -. Tudo isso pode ser culpa de muita gente. Mas sua não é - e ele olha para o amigo outra vez. Me fazendo me virar também para encarar Lorenzo, que dá alguns passos para trás e se dá de costa para nós, observando a relva a nossa volta. Entrando por longos segundos em seu conflito interno.
***
Não muito tempo se passa. Reich já está inquieto ao meu lado, observando tudo com tédio, talvez esse seja o maior defeito dele - impulsividade.
Ouvimos um suspiro pesado vir de Lorenzo, nos fazendo voltar nossas atenções para ele - que ainda nos dá as costas - momentos antes dele se virar para nós.
E o que mais me assusta é a calma inesperada em seus olhos, como se tivesse a consciência tranquila.
Caminha com mansidão até mim, coloca uma das mãos em minha nuca e aproxima os lábios da minha testa, deixando um beijo ali. Se vira para Natanael e estende a mão direita para o amigo, que logo se apressa em fechar o comprimento.
Lorenzo sorri e começa a falar:
- Natanael Pazzine, você me daria a honra de ser meu sucessor como capo da mafia italiana?
❤️
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