Sofia é uma jovem doce, amorosa, educada e do interior. Mesmo em um momento difícil aprendeu uma lição importante com sua mãe: concertar o que se está quebrando.
Lorenzo é capo da mafia italiana, um homem impiedoso e cruel. Cruel ao ponto de obrigar...
Já faz três meses desde que conheci Lorenzo. Desses três, dois desde o ocorrido na casa de Anton Ivanov.
Eu passei pelas coisas mais difíceis da minha vida depois que cheguei aqui. Entretanto, a mais difícil delas foi a morte de Natanael.
Talvez mais difícil do que perder minha mãe.
Eu pensei que superaria a morte do meu amigo vivendo aqui, com Lorenzo e os demais, pensei que teria uma família, e que esta fosse minha superação.
Mas também vi que não foi bem assim.
Mesmo ninguém me fazendo mal, este lugar só me traz lembranças que não me ajudam muito, lembranças do Nate.
E agora, sabendo que Lorenzo está se relacionando com Luanna, a última coisa que eu quero é manter meus pés nessa casa.
Minhas malas estão prontas, e eu já pedi a Jô para chamar um táxi. Vou voltar para a casa do meu pai.
Pego minhas coisas e começo a me retirar, mas antes que eu chegue até a porta do quarto, esta é aberta por alguém do lado de fora que logo revela ser Luanna. A que se dizia minha amiga. Ela está a falar em uma ligação.
- Botar fogo na casa dela? Você está louca? - ela diz em uma voz aguda irritante - Faz mais sentido você botar fogo nela. A família dela não tem que pagar também... - ela me olha de cima a baixo e seu olhar para sob a mala que estou a puxar - Mais tarde eu retorno - e encerra a chamada.
- Está se adaptando, heim - comento -. Parece que a mafia foi feita para você.
- Onde pensa que vai? - ela exige saber.
- Isso não é da sua conta, Luanna. Não lhe devo satisfações - à dois meses atrás, eu lhe diria aonde estou indo, entretanto, a gravidez tem me dado uma ousadia que não sei explicar. Tento prosseguir, mas a ruiva se põe no meu caminho.
- Pelo visto a gatinha finalmente mostra as suas guarrinhas - ela cerra o olhar com uma expressão venenosa no rosto.
- Por que se importa? Estou deixando o caminho livre para você.
- Porque por mais que eu adore a ideia de você sumindo da minha vida, Lorenzo ainda quer você por perto - mais uma vez ela desde o olhar, dessa vez ele para em minha barriga -. Se não tivesse grávida, ele já teria te mandado para o buraco de que veio a muito tempo, mas não, tinha que vir um bastardo...
Ela para de falar assim que minha mão estala em seu rosto, fazendo o mesmo se virar levemente para o lado devido ao impacto. Minha mão arde, mas a marca vermelha que se instala onde bati, me faz perceber que nela dói bem mais.
- Você pode falar de mim, Luanna - começo a falar, com raiva -. Mas não irei deixar que ofenda meu filho. Engula seu veneno antes de pensar em falar dele mais uma vez - pego minhas coisas novamente e sigo para saída, mas Luanna agarra meu braço. Por um segundo, penso que ela irá me bater, mas não seria capaz de agredir uma mulher grávida.
- Você vai ficar aqui - ela manda.
- Posso saber o que está acontecendo? - a voz de Lorenzo chega no quarto antes dele. Quando nos viramos, vejo ele entrando, acompanhado da Jô.
- Luanna, solte a Sofia. Agora - Joanna fala em surpresa quando vê a cena.
Mas Luanna a ignora, arqueando sua sobrancelha bem feita.
- Não ouviu, Luanna? - Lorenzo indaga.
Então eu sou solta.
- Onde vai, Sofia? - ele me olha confuso, observando minhas coisas. Na verdade, as coisas do bebê. Cheguei aqui sem nada além da minha boneca de porcelana e meu MP3. E é com isso que voltarei no que diz em relação a mim.
- Vou voltar para o meu pai - respondo com certeza na voz.
- Pensei que esperaria melhorar - ele comenta, tentando manter a calma.
- Eu não vou melhorar aqui, Lorenzo.
Então ele abaixa o olhar para o chão e cerra as mandíbulas. Mostrando a amargura em sua reação.
Viro-me para Luanna.
- Não precisam mais viver com o impencílio que eu me tornei... Jô, me acompanha até a porta? - viro-me para minha amiga.
- Vamos, querida, o táxi já chegou mesmo.
***
Chego a casa do meu pai. Sim, do meu pai. Por algum motivo, não consigo dizer que esta casa é minha também.
Bato na porta levemente.
Dois toques seguidos, uma pausa, e mais um toque.
Essa era nossa batida secreta quando eu era criança. Quando eu ficava em casa sozinha, era para eu saber que era ele e abrir a porta.
Não demora muito e a porta é aberta. Revelando o homem magro e de cabelos grisalhos que tenho orgulho em chamar de pai.
Ele sorri ao me ver, um sorriso animado e gracioso.
E desacreditado também.
- Estou de volta, papai.
❤️
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